O abandono da estátua de bronze do Colunista Social Ibrahim Sued

Ibrahim Sued

Enquanto os diversos monumentos da Cidade do Rio de Janeiro estão passando por processo de manutenção de seu patrimônio público, a estátua de bronze do jornalista Ibrahim Sued, exposta desde 2003 em frente ao Copacabana Palace Hotel, continua no mais completo abandono. O jornal que ele segurava foi furtado e a estátua está oxidada. Bola preta (frase de Ibrahim) para as autoridades que não fazem a manutenção da estátua. Segundo fonte do hotel, a manutenção não é de sua responsabilidade.

Sobre o personagem

O Colunista Social Ibrahim Sued, iniciou a sua carreira na imprensa como repórter fotográfico em 1946, fazendo plantão nas redações das sete horas da noite às sete da manhã. Adquiriu reputação ao cobrir a visita do então comandante das tropas aliadas na 2ª Guerra Mundial, general Dwight D. Eisenhower, ao Brasil. Na ocasião, fez uma fotografia em que Otávio Maganbeira parecia beijar a mão de Eisenhower, utilizada pelos críticos que, à época, combatiam o que chamavam de “servilismo” brasileiro em relação aos Estados Unidos. Ao longo de seus 45 anos de existência publicou vários furos como a notícia de que Emílio Garrastazu Médici seria o próximo presidente, a nota sobre uma doença ainda desconhecida que estava atingindo principalmente homossexuais e denominava-se AIDS, entre outras.

Ainda na década de 1940, foi companheiro de boemia de personalidades como Carlinhos Niemeyer, Sérgio Porto, Paulo Soledade e Heleno de Freitas, com quem fundou o Clube dos Cafajestes.  Trabalhou com Joel Silveira na revista Diretrizes. Começou a conhecer gente, frequentar festas e a piscina do Copacabana Palace Hotel. De pequenas notícias na seção “Vozes da Cidade”, no recém-fundado “Tribuna da Imprensa” de  Carlos Lacerda, passou a fazer a coluna “Zum-Zum”, no “A Vanguarda” (1951).

Em 1954, passou a trabalhar no “O Globo”, onde permaneceu até falecer, em 1995. Ali se destacou, assinando uma coluna social que marcou época e influenciou jornalistas como Ancelmo Gois e Ricardo Boechat. Causou polêmicas com as suas listas das “Dez mais”: as dez mais belas mulheres, as dez mais elegantes e as dez melhores anfitriãs da sociedade carioca. A sua coluna passou a ser lida por todas as camadas sociais a partir do final da década de 1950, tendo passado a conviver com personalidades famosas no Brasil e no exterior.

Cunhou expressões (“bordões”) que se tornaram marcantes como “De leve”, “Sorry periferia”, “Depois eu conto”, “Bola Branca”, “Bola Preta”, “Ademã que eu vou em frente”, “Os cães ladram e a caravana passa”, “Olho vivo, que cavalo não desce escada”, dentre outras.

Considerado como um homem elegante, contou certa vez que, no início da sua carreira tinha apenas um terno, que deixava todo dia debaixo do colchão de sua cama, para que não perdesse o vinco.

Morto em 1995, escreveu mais de 15 mil colunas ao longo de 45 anos: uma seleção delas foi reunida no livro “Em sociedade tudo se sabe”, sendo pois, homenageado em 2003 com uma estátua em frente ao Copacabana Palace Hotel.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Patrimônio público

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s