Comitê Rio 2016 volta atrás

O Comitê Organizador Rio 2016 decidiu ontem cancelar a licitação para a contratação de um escritório de arquitetura que ficaria responsável por complementar, em apenas oito semanas, os projetos de novas instalações (quatro ginásios, um parque aquático provisório e o Centro Nacional de Tênis) do Parque Olímpico, que serão erguidas na área do Autódromo Nelson Piquet, na Barra da Tijuca. A decisão foi tomada após reportagens do GLOBO revelarem a insatisfação de entidades que representam arquitetos e urbanistas com a concorrência pública para dar forma aos projetos encaminhados ao Comitê Olímpico Internacional (COI) durante a candidatura. As principais críticas eram que a falta de transparência e o prazo apertado para a entrega do material poderiam comprometer a qualidade dos projetos que norteariam as obras. A construção do parque, que será o principal legado esportivo da Rio 2016, tem um custo estimado em R$ 216,4 milhões.

Paes: palavra final é da prefeitura

A polêmica criada pelo edital, às vésperas de uma nova visita da equipe de inspeção do COI, marcada para hoje, levou o prefeito Eduardo Paes a acelerar a elaboração de um decreto no qual reforçará o papel do município no planejamento das Olimpíadas.

O documento, que deve ser publicado na próxima semana, determinará que qualquer empreendimento que vá ficar como um legado para a cidade deve ser analisado previamente pelos técnicos do município, em especial das secretarias de Urbanismo, de Meio Ambiente, de Transportes e do Centro de Arquitetura e Urbanismo. A regra valerá inclusive para as instalações do Parque Olímpico, que serão construídas com recursos federais: – Muita gente pode ter planos e projetos. Mas quero que esse decreto deixe claro que quem manda no planejamento da cidade é a prefeitura do Rio de Janeiro. É preciso conciliar as propostas com o desenvolvimento da cidade a longo prazo. Os projetos serão analisados, por exemplo, do ponto de vista estético, se têm um plano de ocupação a longo prazo, e se são ambientalmente sustentáveis – disse o prefeito.

Na Barra, só o que já estava previsto

Paes citou como um exemplo de algo que deseja evitar situações como as que ocorreram com a Força Nacional de Segurança Pública, durante os Jogos Pan-Americanos de 2007. Na época, os soldados ficaram alojados, de forma improvisada, em um antigo batalhão do Exército desativado, em Ramos. Com o fim do evento, o equipamento continuou sem destinação. Só recentemente o governo do Estado decidiu construir o novo quartel do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no local.

O prefeito acrescentou que o decreto deixará claro que o município não pretende autorizar, na região da Barra, empreendimentos complementares que ainda venham a ser necessários para as Olimpíadas, além daqueles já acordados com o COI, como a futura vila de atletas e o próprio Parque Olímpico.

– Projetos para a Zona Norte e o Porto do Rio serão muito bem vindos. Na Barra, não vou permitir mais nada. Tenho que ser coerente com o novo Plano Diretor que está em discussão na Câmara dos Vereadores e prevê o estímulo a projetos em áreas da cidade que já têm infraestrutura e contam com espaços para empreendimentos – disse.

Como parte da estratégia de tentar encontrar os melhores projetos, Paes assina hoje com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) do Rio convênio para a realização de concurso público nacional que vai selecionar propostas para a construção dos equipamentos olímpicos no Porto e a urbanização do entorno. No local, serão instaladas, entre outros, as vilas de Mídia e de Árbitros. O júri será composto por representantes do IAB, da prefeitura e do Comitê Organizador Rio 2016 (CO-Rio 2016).

A decisão do Comitê Rio 2016 de cancelar o edital foi divulgada em nota oficial no site da entidade, que não informou quando o processo será retomado. O IAB nacional, a seccional do Rio e o Crea-RJ alegavam que a concorrência visava a um projeto completo, o que o Comitê nega. Mas a entidade admite que o texto do edital pode ter sido mal redigido. Segundo a nota, “por concluir que o texto do edital 014/2010 poderia induzir os leitores à interpretação equivocada de que o serviço solicitado seria a elaboração do projeto executivo das instalações esportivas, o Comitê Rio 2016 decidiu (…) cancelar o referido edital”.

– A gente só pode aplaudir a decisão do Comitê Organizador Rio 2016 . Nosso interesse sempre foi colaborar para a cidade conquistar o melhor legado – disse o presidente do IAB-RJ, Sérgio Magalhães.

O presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro, também aprovou a decisão do Comitê Organizador:

– Mesmo considerando os compromissos da prefeitura e do Rio 2016, os escritórios precisam de tempo suficiente para elaborar um pré-projeto. Isso leva pelo menos três meses.

Fonte: O Globo

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Arquivado em Copa Mundial 2014 e Jogos Olímpicos 2016

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