Sem-teto de países ricos participam da Copa do Mundo Social no Rio

Trança no cavanhaque, tatuagens pelos braços, Jaakko Kmmaki poderia bem ser confundido com um viking dos tempos passados. Na verdade, o finlandês, 30 anos, que calça chuteiras e veste a camisa azul de seu país é ex-dependente químico e está em um programa de reabilitação. Há quase dois anos sem usar drogas, Jaakko participa da Copa do Mundo Social, que reúne 56 seleções de sem-teto, catadores de papel, refugiados e ex-dependentes químicos em Copacabana (RJ).

Frequentador de centros de reabilitação em um país com um dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais elevados do mundo, a única coisa que Jaako não imaginava era que seu processo de recuperação o levaria até o Brasil para jogar futebol. “É uma experiência incrível estar aqui. Em meu país, as pessoas gostam de hóquei sobre o gelo”, conta.

De acordo com ele, o futebol de rua passou a ser a sua segunda paixão. A primeira ele ostenta em um anel no dedo anular da mão esquerda. “Tudo melhorou nesses últimos dois anos, passei a jogar, me casei”. Sua recuperação, incluindo a viagem para o Brasil, foi totalmente financiada pelo governo finlandês. Jaako conta que vai querer ajudar dependentes químicos ao retornar. “Durante toda a minha vida, recebi ajuda. Agora eu quero ajudar”, afirmou.

O técnico da seleção alemã, Stephan Huhn, tem a missão de fazer os oito convocados do seu time encontrar outro caminho através do esporte. Os jogadores são provenientes de centros de reabilitação infantil e sem-teto. Ele conta que a seleção foi feita após diversos campeonatos regionais na Alemanha. Segundo ele, cada desempregado no seu país recebe uma ajuda de 350 euros (cerca de R$ 796) por mês e há um acréscimo se a pessoa não tiver moradia. Huhn explica que o valor cai pela metade se o pensionista não estiver procurando emprego.

O chefe da delegação inglesa, Zeki Istambul, conta que seu time é formado por garotos que treinam futebol de rua em um programa coordenado pelo Manchester United após passarem por seletivas em todo o país. Os garotos são provenientes de centros de reablitação para jovens. De acordo com ele, o milionário clube inglês até poderia aproveitar algum dos jogadores em seu time profissional, mas é extremamente difícil. “Os jogadores do United devem ser de primeira ponta, dificilmente alguém em reabilitação, qualquer que seja, conseguiria ingressar”, conta Istambul.

Johannis Wendt, 25 anos, articulador e marcador do melhor estilo Schweinsteiger, afirma que não veio para o Brasil esperando vencer a competição. “Tentamos fazer o nosso melhor, mas tem países com jogadores muito bons, sabemos que é difícil”, conta ele. Johannis, que também recebe ajuda do governo alemão para encontrar emprego, ostenta com orgulho seu nome em dourado na camisa preta. “É um evento social, mas seria bom ganhar”, disse após vitória de 12 a 4 sobre a fraca representação sul-coreana.

Mentor e organizador do evento, Mel Young, 57 anos, afirma que a Copa do Mundo Social representa uma chance de mudança e de aprendizado para os envolvidos. Em sua oitava edição, o evento conta com o patrocínio de diversas marcas e com o apoio de governos de países. No entanto, Young criticou a ação brasileira, que segundo ele, fez pouco para receber o evento. “É muito estranho o país não ter investido. Deve ser reflexo da atitude do país perante seus pobres”, afirmou.

LUÍS BULCÃO PINHEIRO

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