UPP do Pavão organiza encontro com os moradores de Copacabana e Ipanema

O empresário Luiz Fernando Clark e a professora universitária Mirian Teixeira moram a apenas alguns metros do Cantagalo, em Ipanema, e do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, mas suas preocupações são bem diferentes das de seus vizinhos que moram lá no alto, nos dois morros. Na última quinta-feira, 19 moradores dos dois bairros se reuniram pela primeira vez com policiais da UPP do Pavãozinho e do Cantagalo. A iniciativa para o encontro, na filial de Copacabana da Universidade Estácio de Sá, partiu do capitão Leonardo Nogueira, comandante da UPP.

— Precisamos tornar tudo isso um bairro, em que convivam as pessoas pobres e outras com poder aquisitivo mais alto — explicou Nogueira, logo no início da reunião.

Elogios à parte — foram muitos, de quase todos os participantes —, logo vieram as reivindicações. No topo da lista, o barulho de bares, igrejas evangélicas e festas das duas favelas.

— O volume é muito alto, capitão. O dia inteiro. Moro na Rua Sá Ferreira e, mesmo sem querer, convivo com o culto evangélico de uma igreja na Ladeira Saint Roman — reclamou Luiz Fernando.

Foi o primeiro de uma série. As críticas ao barulho da favela só pararam quando Nogueira anunciou sua nova medida na cruzada pelo respeito à Lei do Silêncio. O capitão contou que entrou em contato com a Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público, para que técnicos do MP façam a medição com um decibelímetro em lugares de som acima do limite da Lei do Silêncio.

— Além desse medidor técnico do volume do som, existe também muito desconhecimento sobre a lei — explicou Nogueira.

Ainda sobre o barulho, a professora Miriam fez uma ponderação:

— Se é para cobrarmos respeito à Lei do Silêncio lá no alto, temos que cobrar também dos bares aqui de baixo, que não respeitam o limite de decibéis — criticou.

Fora a discussão sobre o volume do som, o encontro também serviu para que o projeto das UPPs fosse mais bem compreendido por alguns moradores.

— Ainda existe tráfico, mas não mais o tráfico armado. O que precisa mudar é a o pensamento. As pessoas costumam pensar “Nós não vamos àquela comunidade porque lá só tem ladrão”. Esse é um preconceito que existe até mesmo entre nós policiais, mas que precisa mudar — pediu Nogueira.

O esforço é importante, tamanho o abismo entre os dois lados, que se revela sem querer, até na mais bem-intencionada das dúvidas:

— Será que “esse pessoal” aceita um emprego de 8h às 17h, como a gente, aqui embaixo? — perguntou um morador de Ipanema.

— Claro que sim. Você está generalizando. E isso não tem nada a ver com ser pobre ou não. Tenho vários amigos, com muito dinheiro, que não querem nada com trabalho — logo pulou uma jovem moradora de Copacabana.

O próximo contato promete ser ainda mais desafiante. O encontro entre os dois vizinhos vai ser na favela. É isso aí. Os diferentes perfis de moradores de Ipanema e Copacabana vão estar juntos. Tanto os que moram na parte baixa quanto os que moram lá no alto.

 

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