Um mar de lixo na areia

O verão ainda esta longe, mas em uma cidade como o Rio de Janeiro, por exemplo, ele sempre está presente. Basta só ter um domingo de sol que, independente da estação, as praias ficam lotadas. Mas, ao final de um belo dia de sol, o que resta na areia é um monte de lixo. De acordo com informações da Companhia Municipal de Lixo Urbano – Comlurb, a quantidade de lixo removidos diariamente na orla, incluindo os quiosques, em alta temporadas é estonteante. São 60 a 70 toneladas nos dias de semana, 100 a 120 toneladas aos sábados, e 150 a 180 toneladas aos domingos.

Na baixa temporada, nos dias de semana são recolhidas 40 toneladas, aos sábados, 70 toneladas, e domingos, 120 toneladas. Mas o que muita gente não se dá conta é que sujeira atrai sujeira. O lixo deixado pelos banhistas atrai ratos e pombos. Isso para não falar nos animais de estimação, que são visitas constantes que não deveriam vir à praia. A jogadora de vôlei Rosilene Miliotti diz que acha um absurdo o fato de algumas pessoas deixarem seu lixo, e afirma que todos poderiam ter o hábito de limpar o que sujam. Não apenas por educação, mas também pela higiene. “Se queremos frequentar locais limpos, temos que mantê-los limpos fazendo a nossa parte. Outro dia, um time que treinava na quadra ao lado da que eu treinava saiu e deixou muito lixo. Nós olhamos e chamamos atenção do grupo e eles voltaram e recolheram o material”, conta Rosilene. A estudante Rachel Magalhães é frequentadora assídua da praia do Leblon e sempre fez questão de levar um saquinho para recolher o seu lixo e, às vezes, até o das outras pessoas, mas fica indignada com o que vê nas areias. “É impressionante como algumas pessoas não se importam com o que deixam.

Eu já encontrei até uma fralda descartável, usada, na areia. É muito descaso da própria população, mas faço a minha parte.” Muitos frequentadores, usufruem da praia ao lado da sujeira, pisam e passam por cima de montinhos de lixo e dividem espaço com os muitos pombos que se aglomeram ao seu redor. Além disso, ainda estão sujeitos a ferimentos causados por palitos e matérias cortantes que ficam enterrados na areia.

O trabalho da Comlurb é eficaz. Mas não podemos esperar só por ele, é preciso mudar o processo, entender porque se gera tanto lixo na praia. Ao mesmo tempo, é inexplicável porque apenas uns poucos frequentadores se dão ao trabalho de dar o devido fim aos detritos. Não há dificuldade. Mas ainda existem aqueles momentos que nos fazem ter orgulho da consciência ambiental de algumas pessoas.

“Em um sábado chuvoso, estava treinando e uma multidão, com gente de todas as idades e com camisas brancas, andava olhando para o chão. Eu não entendi nada e me perguntei: ‘O que essas pessoas estão fazendo na praia às 8h da manhã em um dia chuvoso desses?’ Quando chegaram mais perto percebi que estavam catando o lixo da praia e o que mais me chamou atenção nisso foi o que uma menina que aparentava ter uns três anos comentou com a mãe: “Nossa mamãe! Quanto lixo as pessoas jogam aqui, mas vamos deixar tudo limpinho, né?”, conclui Rosilene Miliotti. Não são só os sugismundos que deixam a praia suja – aqueles que vêem o lixo e não recolhem também são responsáveis. Afinal, cidadania é para se praticar.

Aloha!

Por Roberto Vámos Surfrider Foundation Brasil

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em AMBIENTE URBANO, Artigos e opiniões, Crime ambiental, Resíduos sólidos

Os comentários estão desativados.