Rio: favela e zona oeste crescem, zona sul perde gente

A população em bairros periféricos da zona oeste do Rio cresceu até 150% em uma década. O número de moradores em algumas das maiores favelas cariocas também aumentou acima da média da cidade, de 7,9% no período. Já na zona sul houve redução de habitantes em Ipanema, Gávea, Jardim Botânico, Humaitá e Flamengo. Principal foco de obras de infraestrutura de transportes e de instalações para a Olimpíada de 2016, a zona oeste abriga os nove bairros com maior crescimento absoluto: juntos, receberam 278 mil moradores, população igual à de Taubaté (SP).

Dos dez bairros do Rio que mais cresceram entre 2000 e 2010, oito estão na zona oeste. Camorim, Vargem Pequena e Recreio mais que dobraram sua população em relação a 2000. Os outros dois são Benfica e Mangueira, na zona norte. O aumento na Mangueira foi de 31%, o maior entre as favelas. A zona oeste foi, na última década, o maior alvo das construtoras.

Quatro bairros concentraram 68,5% de todos os lançamentos de imóveis ocorridos entre 2005 e 2010: Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Recreio e Campo Grande. Os dados são da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

Há sete anos, a família de Carolina Rique, por exemplo, trocou o mar de prédios de Botafogo, na zona sul do Rio, pelas ondas do Recreio dos Bandeirantes, a 33 km de distância, na zona oeste. As praias limpas da região e a explosão imobiliária atraíram mais de 40 mil novos moradores.

O crescimento da zona oeste foi tão grande que quase provocou colapso no trânsito. “Desde o fim dos anos 1960 é assim. São empreendimentos grandes, para ter ganho de escala. Só nessa região existem terrenos para isso”, acrescenta a urbanista Nina Rabha, lembrando que não há mercado de trabalho capaz de absorver tantos moradores. “É um contrassenso se o crescimento não for compatível com o aumento da infraestrutura.”

Dos dez bairros cariocas mais populosos em 2010, sete ficam na zona oeste. A Barra, que começou a atrair grandes investimentos imobiliários na década de 1970, continua ganhando moradores: cresceu 47% e chegou a 135,9 mil moradores. Nos últimos dois anos, porém, aumentou a procura por terrenos para construção na zona norte, de ocupação mais antiga e com infraestrutura instalada. O presidente da Ademi, José Conde Caldas, cita a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em favelas da região como principal motivo. “A violência urbana empurrava para a zona oeste.”

Outro fenômeno apontado pelo Censo 2010 é a perda de moradores em bairros da zona sul. No Humaitá, a queda chegou a 12,5% e em Ipanema foi de 8,7%. Para Nina, uma das explicações para a mudança é o aumento do custo de moradia na região.

Favelas. O Censo 2010 aponta ainda crescimento bem maior que o da média da cidade na população de algumas das maiores favelas do Rio, já classificadas como bairros. Foi o caso de Rocinha, Maré e Mangueira. A população da Rocinha, na zona sul, aumentou 23%: de 56,3 mil para 69,3 mil habitantes. A Maré, na zona norte, que reúne 16 comunidades, é a mais populosa, com 129,7 mil habitantes – 14% mais do que tinha em 2000. É o nono bairro mais populoso da cidade.

Apesar disso, encontrar terrenos vazios na favela que mais cresce no Rio, por exemplo, não é tarefa fácil. Quando soube de um espaço para construir sua casa na Mangueira, Jane Martins Seixas decidiu fechar o negócio imediatamente.

A família pagou R$ 400 pelo terreno – “um valor simbólico”, pois não há documentos que comprovem sua propriedade. “Aqui temos escola perto, posto de saúde no pé do morro e o Hospital Souza Aguiar a poucos minutos. Além disso, temos estação de trem e de metrô pertinho. A casa que tinha na região de Manguinhos era melhor, com três quartos, mas não era minha. Pagava aluguel e decidi que era hora de ter a minha casa.”

Bruno Boghossian, Luciana Nunes Leal, Felipe Werneck e Daniel Lima – O Estado de S.Paulo

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