Accor faz depósito de R$ 184 milhões por Sofitel e desafia negócio do BHG

O duelo pelo imóvel do hotel carioca Sofitel, travado entre a rede de hotéis Accor e a BHG, braço hoteleiro do fundo de private equity GP Investments, ganhou mais um capítulo na semana passada. O Valor apurou que a Accor, locatária do prédio desde 1996, fez no dia 29 de agosto um depósito judicial de R$ 184 milhões, valor do imóvel oferecido e já depositado pela BHG em conta judicial. O objetivo da Accor é tentar confirmar o direito de preferência que defende ter para a compra do imóvel.

A BHG, no dia 18 de agosto, assinou o contrato de compra e venda do Sofitel por R$ 184 milhões com a Veplan, dona do imóvel em recuperação judicial desde setembro de 2006, com uma dívida estimada em R$ 1 bilhão. A quantia de R$ 184 milhões foi o valor oferecido pela BHG e aceito pelos credores da Veplan pelo imóvel do Sofitel, fundado em 1980 como Rio Palace.

O que a Accor fez foi depositar o mesmo valor para tentar exercer o direito de preferência como locatária. Para a BHG, essa medida não cabe num processo de recuperação judicial, posição já manifestada pelo Ministério Público. A venda do prédio do Sofitel para a BHG foi homologada pela segunda instância da Justiça do Rio no dia 6 de julho, por meio da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, após os credores da Veplan terem dado aval à negociação, em setembro de 2010.

“O objetivo desse depósito é confirmar o exercício do direito de preferência, pois temos a real intenção de adquirir o Sofitel”, diz o advogado da Accor, Marcelo Carpenter, do escritório Sergio Bermudes. “A BHG S.A esclarece que a compra do Hotel Rio Palace seguiu rigorosamente todas as normas legais estabelecidas para o referido tipo de operação”, informa a BHG.

Segundo Carpenter, o direito de preferência da Accor está respaldado pela lei de locação. Por isso, a rede de origem francesa ajuizou na primeira semana de agosto o exercício dessa preferência na 6º Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio. Naquela ocasião, a Accor também apresentou uma garantia bancária no valor de R$ 184 milhões. A rede aguarda um pronunciamento da juíza titular dessa vara, Maria Isabel Gonçalves. Qualquer que seja a decisão da juíza, as duas partes deverão recorrer.

Localizado na orla de Copacabana, zona sul do Rio, o Sofitel foi inaugurado em 1980, com 388 apartamentos. Tanto BGH quanto Accor fazem planos para o empreendimento, enquanto a conclusão da venda do imóvel está sendo analisada pela Justiça.

A BHG quer adotar a bandeira de luxo Royal Tulip e investir R$ 25 milhões na reforma dos apartamentos. A Accor informa que já aplicou R$ 35 milhões em benfeitorias e reformas e que pretende desembolsar mais R$ 30 milhões na modernização do imóvel.

Valor Econômico, Alberto Komatsu

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