A Praia de Copacabana não entra no Programa de despoluição, SENA LIMPA. Por quê?

Poluição na Praia de Copacabana Foto: Cristina Reis

A Praia de Ipanema será o ponto de partida para um grande plano de despoluição das 6 praias da orla carioca, Leblon, Leme, São Conrado, Urca e da Bica, na Ilha do Governador.  De acordo com o Secretário Estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc, o programa Sena Limpa vai promover uma série de ações que começarão em até dez dias, com as obras no Jardim de Alá. Segundo Minc, há duas saídas de esgoto no canal responsáveis por 90% da poluição em Ipanema.

— Vamos implantar duas novas bombas, para aumentar a capacidade de transferir o despejo das comunidades do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo para o emissário submarino de Ipanema. A saída de esgoto das duas comunidades joga até 16 milhões de coliformes fecais por decilitro (0,1 litro) no Jardim de Alah. Será construída também uma nova canalização que levará o esgoto da Cruzada São Sebastião ao emissário — explica Minc.

O programa Sena Limpa, cujo nome faz referência ao número de praias a serem despoluídas (seis), deve ser concluído em dezembro de 2014, mas a expectativa do governo estadual é terminar as obras em Ipanema em dezembro de 2012. O objetivo é deixar a praia própria para banho durante 90% do ano. Segundo o secretário, em 2011, as águas no bairro estiveram próprias em apenas metade do ano.

Praia do Leblon será a última a ser despoluída

O programa vai receber R$ 150 milhões em investimentos, dos quais R$ 70 milhões virão do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam). O restante será dividido entre Cedae e prefeitura. Além das obras estruturais, serão feitas ações na área de habitação, tratamento de esgoto, coleta de lixo e fiscalização de despejos.

— Esta é a primeira força tarefa a incluir Secretaria de Estado do Ambiente, Cedae, Comlurb, Instituto Estadual do Ambiente e Secretaria municipal de Habitação. Acabou o jogo de empurra entre os órgãos. Cada um vai cuidar de suas responsabilidades para alcançarmos nosso objetivo — garante Minc.

Segundo a previsão, a Praia de Ipanema deve estar despoluída até dezembro deste ano; a do Leme, até junho de 2013; a da Urca, até outubro de 2013; a da Bica, até novembro de 2013; a de São Conrado, até dezembro de 2013; e a do Leblon, até dezembro de 2014. Um dos bairros mais nobres e turísticos da cidade, o Leblon será o último trecho a ter a “faxina” concluída porque, segundo Minc, trata-se de um ponto complexo. São oito saídas de esgoto no canal da Rua Visconde de Albuquerque.

— Estamos fazendo o projeto para resolver o problema do canal no Leblon. As obras devem começar no segundo semestre deste ano. Dos oito pontos críticos, cinco vêm da encosta da Rocinha e três da Gávea, que inclui a favela Parque da Cidade. Vamos canalizar esse esgoto também para o emissário de Ipanema — explica o secretário.

Para o professor adjunto do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Adacto Otoni, as obras nos canais do Jardim de Alah e da Rua Visconde de Albuquerque são positivas. Porém, diz ele, é preciso que, de fato, haja uma interação entre os órgãos públicos a fim de encontrar uma solução definitiva para a poluição.

— Além de resolver a questão do despejo de esgoto, é preciso atuar nas fontes da poluição, como a coleta de lixo. É importante a implantação de programas educacionais e de coleta seletiva nas favelas. A criação de ecopontos para receber o lixo, com fácil acesso para caminhões, pode ajudar a solucionar esse problema. Além disso, é fundamental a criação de programas de habitação para retirar os moradores do topo das encostas e replantar a floresta. Só assim será possível impedir que o lixo dessas comunidades chegue às praias — afirma Otoni.

A AMA dos Postos 2, 3, 4 e 5 de Copacabana entrou com uma Ação Civil Pública no Ministério Público do Meio Ambiente questionando do por quê a Praia de Copacabana não entrar na lista do Programa de Despoluição da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, SENA LIMPA, já que entendemos que as praias do Leme e de Ipanema são contíguas com a de Copacabana.

Poluição na Praia de Copacabana Foto: Cristina Reis

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2 Comentários

Arquivado em AMBIENTE URBANO, Governo do Estado, Patrimônio público

2 Respostas para “A Praia de Copacabana não entra no Programa de despoluição, SENA LIMPA. Por quê?

  1. A arrecadação de impostos aumenta, transferências de recursos federais aos entes federativos estaduais e municipais aumentam, indicadores econômicos do brasil melhoram (6º PIB do mundo), mas o saneamento básico piora !
    Gastos em coleta de lixo, coleta e tratamento de esgoto, varrição das ruas, drenagem pluvial, na verdade são investimentos em saúde pública ! O que se vê são contratos com grandes empresas e sem qualquer qualidade (preços altos) onde se poderia empregar todos aqueles que não têm qualificação profissional para limpar (a baixo custo) ! Mas, parece que a prioridade não é a qualidade, parece que a qualidade impede o lucro ? Com qualidade é possível limpar o ambiente com poucos recursos ! Sem qualidade (gestão corruptível) milhões desaparecem na sujeira !
    Newton Almeida
    MEIO AMBIENTE RIO DE JANEIRO

    • ama2345

      Oi Newton Almeida,

      Obrigada pelo retorno. Concordo plenamente o que você diz. O que não consigo entender, e não quero me colocar como uma bairrista, mas defendendo a questão da Praia de Copacabana, do por quê não entrar no Programa da Despoluição em que foram incluídas 6 praias, 5 da zona sul e 1 da Ilha do Governador. Um bairro que é usado a todo tipo de espoliação, e que a hora que precisa é esquecido pelos entes governamentais..Se você leu a mensagem, a verba é alta, R$ 150 milhões de reais, que daria para despoluir a maioria das praias. Há quantos anos que a gente escuta a entrada de verbas que são aplicadas na despoluição da Baía de Guanabara, e que nunca acaba. E ninguém vê o que é feito.
      Eu sei que é possível limpar o meio ambiente com poucos recursos, inclusive vou colocar uma matéria que li na Internet que vem a calhar com o seu argumento. E aproveitando a oportunidade, no dia 03 do mês que vem, estaremos nos reunindo na UERJ com estudantes e técnicos para fazermos uma limpeza no fundo do mar. em um final de semana. E a minha sugestão é jogar na porta das secretarias de meio ambiente todo o lixo que arrecadamos,.sem dinheiro e apoio das grandes. empresas. Mostrar que é possível fazer.

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