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Erosão em praias do Rio de Janeiro

O aumento do nível do mar representa um grande risco para as praias. No Rio de Janeiro, a água avançou em média três centímetros por ano sobre a faixa litorânea na última década. Uma equipe do Laboratório de Oceanografia Geológica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) monitora a dinâmica dos sedimentos das praias cariocas na tentativa de identificar pontos de invasão pelo mar e propor soluções para minimizar a erosão costeira.

Monitoramento feito na praia do Leblon prevê avanço do mar em direção às pistas da orla (pontos vermelhos) durante as ressacas daqui a 100 anos. (Imagens cedidas por Marcelo Sperle).

O projeto Erocosta pretende explicar por que alguns trechos das praias do Rio de Janeiro recuam devido à erosão e outros se projetam sobre o mar por causa da deposição de sedimentos. A equipe desenvolve, desde 1997, técnicas para analisar as modificações na costa. O método mais simples e eficaz – e também mais rápido – usa tubos de PVC fincados na faixa de areia banhada pela água e acoplados a módulos que medem a variação dos sedimentos e o nível de água que avançou pela praia. “Medimos as variações de hora em hora e os dados coletados permitem identificar as situações possíveis para determinado ponto, dependendo da topografia da praia”, explica o oceanógrafo Marcelo Sperle, coordenador do projeto. “Os resultados dos estudos feitos anteriormente, que apresentavam um padrão de variações com intervalos de meses e até anos, não diferem dessa análise imediata”, diz.

Em Copacabana, a previsão é de que a faixa litorânea das áreas próximas aos postos 4 e 6 diminua cada vez mais

Segundo o pesquisador, os dados obtidos devem ser entendidos relativamente, uma vez que dependem da direção de chegada das ondas – no Brasil, elas vêm do nordeste, leste ou sul –, de frentes frias, tempestades e ressacas, ou ainda das fases da lua, que influenciam as marés. Um programa de computador, desenvolvido pela equipe, separa as medições em séries temporais, para que se possa identificar alguma variação pela influência desses fatores naturais.

O oceanógrafo acrescenta que outros métodos podem diagnosticar a condição da região. Praias que sejam o habitat de poliquetas (espécie aquática de anelídeo) podem ser avaliadas por meio desses animais. Conforme o tamanho e a quantidade dos espécimes encontrados por amostra coletada, é possível indicar o grau de erosão: quanto maiores as poliquetas e em menor quantidade, maior a erosão. “Poucas resistem à intensa erosão e só as maiores sobrevivem, porque conseguem se fixar. Ao contrário, quando há assoreamento, elas se reproduzem em grande número, por causa da matéria orgânica disponível.”

Áreas de perigo

A pesquisa começou em Ilha Grande, onde há diferentes tipos de praia na mesma região, o que facilitava a análise. Em seguida, o grupo monitorou a orla do Rio de Janeiro. ”No arco Ipanema-Leblon, notamos um déficit de um milhão e meio de metros cúbicos de areia”, declara Sperle. “Isso representa aproximadamente dois milhões de toneladas de sedimentos que devem ser repostos na praia.”

Fabíola Bezerra 
Ciência Hoje On-line
17/09/2007

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GE quer contrato com Rio para replicar Jogos de Londres

Garantir o abastecimento de energia durante a Olimpíada de 2016 será um dos principais desafios do Rio, acredita Tony Gale, gerente-geral da General Electric (GE) para os Jogos de Londres em 2012. A empresa mira exatamente nessa brecha para tentar conquistar contratos no País. Um dos objetivos é vender como solução o uso de cogeração de energia para as instalações olímpicas, como foi feito em Londres. “Experiência é o que mais podemos oferecer ao Rio”, disse o executivo.

O Parque Olímpico londrino, praticamente pronto um ano antes da cerimônia de abertura, conta com três máquinas de cogeração, a partir do gás natural, numa potência total de 10 MW. Esse foi o caminho escolhido para cumprir a meta de redução de 50% das emissões de CO2 durante o evento.

A tecnologia aproveita o calor produzido durante a geração de energia, que normalmente é desperdiçado no processo. Dessa forma, limita as perdas e atinge eficiência de 90%. Na Europa, o sistema é majoritariamente ineficiente e, em média, apenas 37% da energia contida no combustível é aproveitada.

No Reino Unido, o uso da cogeração vem crescendo e hoje responde por 11% da oferta, número com potencial para dobrar, segundo Leon Jansen van Vuuren, líder regional para a Europa Ocidental da GE. O sistema estará presente, por exemplo, no Shard, o maior prédio da Europa, com 310 metros, a ser inaugurado em Londres em 2012.

O Guys Hospital, no centro da capital britânica, gastou 1 milhão de libras (cerca de R$ 3 milhões) para montar equipamento de cogeração a partir do gás natural com potência de 3MW. Conforme o hospital, a economia obtida com a conta de energia é de 1,5 milhão de libras (R$ 4,5 milhões) por ano.

No caso londrino, a estrutura de cogeração levou anos para ser construída. “Sem dúvida, o sistema pode ser usado no Rio”, disse Gale, da GE. A diferença é que teria de ser algo mais descentralizado. Em Londres, os Jogos estarão concentrados no Parque Olímpico localizado no leste da cidade, onde ficam as três máquinas de cogeração. No Rio, as competições irão se espalhar pela Barra, Copacabana, Maracanã e Deodoro.

“Além da questão do consumo, o Rio precisa olhar para a segurança, de forma a impedir que o abastecimento de energia caia durante os Jogos”, afirmou Gale. O executivo acredita que Londres poderá oferecer dados sobre o uso de energia durante as competições e o comportamento nos momentos de pico para servir de parâmetro ao evento em 2016.

Brasil e Reino Unido vêm fechando parcerias e trocando informações sobre os Jogos Olímpicos. “Acho que algumas coisas podem ser replicadas no Rio, mas outras devem ser locais, pois o governo pode ter outras prioridades”, disse Simon Wright, diretor de infraestrutura da Autoridade Olímpica Britânica (OBA, na sigla em inglês).

Em Londres, a questão da eficiência e economia de energia tem peso relevante no projeto. Tanto que, além da cogeração, os organizadores incluíram no mix o uso de biocombustível a partir de restos de madeira – que são transportados principalmente por barco, e não por rodovia, para reduzir as emissões de CO2.

Entretanto, os organizadores não conseguiram cumprir a meta de uso de 20% de energia renovável nos Jogos de Londres, disse Wright, porque a ideia de produzir energia eólica não deu certo. O objetivo inicial era construir uma turbina no Parque Olímpico, mas novas regulamentações introduzidas no ano passado impediram que o projeto ficasse pronto a tempo.

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Light Recicla dá desconto na conta de energia em troca de materiais recicláveis em bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro

Projeto piloto sustentável de geração de renda inicia ação na Comunidade Santa Marta e nos bairros de Botafogo e Humaitá

Existe um ditado que diz que “dinheiro não dá em árvore”. Mas ele pode estar na garrafa plástica, nos jornais já lidos, nos CDs inutilizados e muitos outros materiais que podem ser reciclados ou reutilizados. Porque no meio ambiente “lixo é o que se joga fora, não é mais útil”. Portanto, não se surpreenda se, de repente, moradores de Botafogo, do Humaitá e da Comunidade Santa Marta começarem a ver em objetos considerados lixo uma nova fonte de renda.

Um projeto piloto da Light promove o desenvolvimento sustentável, em parceria com a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, recebendo materiais recicláveis de moradores destas áreas e trocando-os por bônus na conta de energia.

O Light Recicla foi lançado esta manhã na Quadra da Escola de Samba da Comunidade Santa Marta e disponibilizará, a partir de hoje, dois Eco-Pontos fixos na região (ver endereços abaixo), que receberão vários tipos de lixo reciclável, tais como garrafas PET, sacolas e embalagens plásticas, CDs e DVDs, materiais PVC, papéis, metais, vidros, embalagens longa vida e óleo de cozinha. Cada item terá um preço por peso que vai gerar crédito na conta de energia escolhida pelo participante.

Os moradores de Botafogo, do Humaitá e do Santa Marta poderão optar também por realizar doações para instituições na comunidade. Neste último caso, o projeto se estende à população de outras localidades. O projeto piloto terá duração de um ano e a ideia é que, após ser implantado no Santa Marta, em Botafogo e no Humaitá, o projeto possa ser estendido para outras comunidades pacificadas e seus bairros adjacentes, no Rio de Janeiro.

A Light vem seguindo a esteira do Estado e desenvolvendo ações nas comunidades pacificadas. Trata-se de um pacto, no qual a companhia passa a prestar serviços com qualidade e o cliente passa a pagar sua conta de energia. Para o presidente da Light, Jerson Kelman, “o Light Recicla representa um novo compromisso dos moradores da comunidade, só que desta vez, não apenas com a empresa, mas com eles próprios. Reutilizar e reciclar materiais contribui com a limpeza das ruas, com a saúde da população e com o meio ambiente. Neste projeto, além destes benefícios, o cliente pode reduzir a conta de energia de forma a caber no seu bolso e usar o dinheiro economizado para gerar renda na própria comunidade.”

Para consolidar o Light Recicla, a empresa atua em conjunto com 3E Engenharia, BrasilPet Reciclagem e com a ONG Eccovida e tem o apoio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Assistência Social, Conservação e Serviços Públicos, Comlurb e UPP Social.

Segundo o Vice-prefeito e Secretário Municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, essa ação inovadora no Município do Rio demonstra a grande importância sócio-ambiental que tem essa iniciativa da Light. “Esse projeto permitirá maior conscientização por parte da população com relação às questões sobre os resíduos sólidos e como devemos reduzi-los na natureza. Assim, esperamos que haja uma mudança cultural, de comportamento mesmo, que traga para a cidade e seus moradores melhor e mais qualidade de vida.”

Parceiro no projeto, a secretário Municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osorio, fala do Light Recicla: “A Prefeitura do Rio apoia as iniciativas que incentivam todas as práticas que visam à sustentabilidade. Essa parceria com a Light trará bons resultados tanto para a comunidade com para o meio ambiente”.

A subsecretária de Proteção Social Básica, Fátima Nascimento, define a importância. “O projeto “Light Recicla” vem ao encontro da nova perspectiva da SMAS: a discussão de novos paradigmas de ações sociais, que permitirão o desenvolvimento de temas, de suma importância para a população, principalmente, as de baixa renda. 

Materiais recebidos pelo Light Recicla:

· PET – refrigerante e água

· Plástico duro – embalagens de xampu, detergente, margarina, baldes, bacias etc

· Plástico filme – sacolas plásticas, embalagens de arroz, feijão, açúcar etc

· CDs

· Embalagens plásticas metalizadas

· PVC – canos, forros etc

· Papel – branco, misto (revistas, encartes etc), papelão, jornal

· Metais – latas de cerveja e refrigerante, ferros em geral, arames, pregos, bateria de carro etc

· Vidro – embalagens, garrafas de cerveja e refrigerante, copos etc

· Embalagens longa vida (leites, sucos e achocolatados)

· Óleo de cozinha

Materiais que não serão aceitos:

· Lâmpadas em geral

· Pilhas

· Espelhos e vidros planos

· Papel carbono ou plastificado

· Isopores

· Esponjas de aço

· Cerâmicas e porcelanas

· Madeiras

· Fraldas descartáveis

· Espumas

· Óleo lubrificante

· Cabos e fios

· Tintas

· Tecidos

· Couros

· Pneus

Endereços dos Eco-Pontos:

1) Estação 1 do Plano Inclinado do Santa Marta – Av. Marechal Francisco Moura s/n (acesso pela praça Corumbá) – Segunda, Quarta e Sexta das 07h30 às 13hs.

2) CRAS Padre Velloso – Rua São Clemente, nº 312 – Botafogo – terça e quinta das 07h30 às 13hs.

No início, somente o Eco-Ponto do CRAS estará funcionando.

Documentos que o cliente deve levar para receber desconto em sua conta:

– Conta de luz

OBS: Durante o projeto piloto, somente moradores de Botafogo, do Humaitá e do Santa Marta podem se cadastrar para receber o desconto.

Quais documentos o cliente deve levar para doar bônus para instituições do Santa Marta?

– Não é necessário levar nenhum documento. Ao efetuar a troca de seus resíduos indique, entre as três opções abaixo, a instituição a ser beneficiada.

– Associação de Moradores do Santa Marta

– ONG Atitude Social

– Escola de Samba G.R.E.S Mocidade Unida do Santa Marta

OBS: Os moradores de outros bairros da Cidade do Rio de Janeiro também podem contribuir neste último caso, levando materiais recicláveis e “doando” a cota referente ao desconto.

Light S.A.

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Rio começa a testar diesel de cana-de-açúcar na frota de ônibus

O projeto Diesel de Cana – rumo a 2016, que usa tecnologia sustentável desenvolvida pela empresa Amyris Brasil, foi lançado hoje (26), no Rio, durante o 1º Seminário de Tecnologias Sustentáveis no Transporte. A iniciativa é resultado de parceria entre o governo fluminense, a prefeitura carioca e a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor)

 O gerente de Planejamento e Operações da Fetranspor, Guilherme Wilson, disse à Agência Brasil que o diesel de cana é um combustível que não está ainda disponível no país em termos comerciais. “O potencial dele é enorme e a gente quer explorá-lo experimentalmente.”Nos próximos 12 meses, o projeto testará a adição ao diesel fóssil de 30% de diesel obtido a partir da cana-de-açúcar em 20 ônibus. Depois, serão 30 veículos de transporte de passageiros. Eles vão operar nas linhas 125 (Central do Brasil-Praça General Osório) e 409 (Praça Saens Pena-Jardim Botânico). A produção em escala do diesel de cana está prevista para o ano que vem.Os resultados dos testes serão apresentados durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, que ocorrerá na capital fluminense, em junho de 2012. Wilson disse que esses resultados determinarão a estratégia de adoção do produto pela frota de veículos de passageiros.

A avaliação de desempenho, de redução de emissões, controle de consumo, impactos na durabilidade e nos dispositivos de injeção de motor durante os testes será feita pela Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), em conjunto com a Mercedes Benz, a BR Distribuidora e a Michelin, também parceiras no projeto.

“A gente está falando de um potencial de redução de emissão de gases de efeito estufa de até 90%, porque o combustível é feito a partir de biomassa renovável, no caso a cana-de-açúcar. Em vez de o usineiro fazer álcool, ele pode botar a matéria-prima em outra linha e fazer diesel”, assinalou Wilson.

De acordo com ele, o experimento determinará também se haverá redução de custos para as empresas de ônibus. “Com a entrada em escala da produção a partir do ano que vem, vamos identificar [a eventual redução], porque são preços de mercado. Não temos controle. Somos operadores. Queremos operar com o melhor combustível e com um preço que mantenha o equilíbrio econômico e financeiro do setor. A expectativa é que o preço do diesel de cana seja competitivo.”

A principal vantagem do diesel de cana, destacou o gerente da Fetranspor, é que não haverá necessidade de alteração mecânica nos motores. Com isso, as empresas não terão que fazer investimentos adicionais para substituir o diesel fóssil pelo de cana. “Você substitui o diesel mineral por um diesel renovável e usa os mesmos motores. Para o setor operador, é uma grande vantagem, porque não está assumindo novos custos, novos riscos, não tem que fazer uma renovação de frota”.

O presidente da Amyris Brasil, Paulo Diniz, disse que isso acaba também refletindo no bolso do consumidor, “uma vez que a população não vai ter que pagar por nenhuma adaptação a mais, por nenhum tipo de aditivo diferente”.

O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, destacou que “essa é mais uma excelente alternativa que o estado vai contar para cumprir os seus compromissos internacionais relacionados à questão da sustentabilidade”. Ele está convicto de que esse projeto é viável e “abre uma nova perspectiva para o Brasil, em termos de produtos sustentáveis e de visibilidade da sua produção nacional em relação à sustentabilidade global”.

Diniz acrescentou que os testes com a biotecnologia do diesel de cana estão sendo concentrados no Rio de Janeiro e São Paulo. O projeto, completou, objetiva melhorar a qualidade do ar e reduzir as emissões de gases poluentes, por meio de um biocombustível produzido no Brasil, o que resultará na redução da importação de diesel.

Tendo em vista a realização no Rio de Janeiro de eventos como a Rio+20, em 2012; a Copa das Confederações, em 2013; a Copa do Mundo, em 2014; e as Olimpíadas, em 2016, Diniz confirmou que a ideia é ir ampliando cada vez mais o número de ônibus das frotas movidos a diesel de cana, de forma a permear todo o mercado.

Diniz informou que os testes feitos em São Paulo tiveram resultados positivos. “Já temos hoje frotas trocando algo em torno de 160 veículos para colocar esse combustível. Acho que a aprovação, do ponto de vista técnico, já ocorreu em São Paulo”. A Amyris Brasil investiu cerca de US$ 500 milhões no desenvolvimento dessa nova tecnologia.

“Esse é o caminho que estamos procurando para encontrar a eficiência energética”, disse o secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão.

Fonte: Agência Brasil

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Estudo da Coppe propõe usina piloto em Copacabana

Estudo da Coppe premiado pelo Programa de Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU) propõe coleta seletiva de óleo de soja e instalação de uma pequena usina de produção de biodiesel no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Coordenado pelo professor Rogério Valle, do Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão da Produção (Sage) da Coppe, o estudo mostra o potencial ambiental e socioeconômico de instalação de uma unidade-piloto de biodiesel neste bairro da Zona Sul que concentra o maior número hotéis e restaurantes na cidade.

Na pesquisa exploratória feita com chefes de cozinha dos 70 hotéis e 120 restaurantes e bares sediados no bairro carioca, os pesquisadores verificaram que grande parte dos 130 mil litros de óleo de soja gerados anualmente por esses estabelecimentos são desperdiçados ao serem lançados diretamente na rede de esgotos.

“Para evitar os danos ambientais provocados por essa prática de descarte, infelizmente ainda bastante comum em nosso país, sugerimos a implantação de um sistema de coleta seletiva nos hotéis e restaurantes e a instalação de uma pequena unidade de produção de biodiesel, que daria destino apropriado a esse óleo. A coleta poderia ser feita por meio de uma empresa cooperativa que se beneficiaria com a venda do óleo para planta-piloto”, explica Valle.

Além de reduzir o impacto no meio ambiente, os pesquisadores da Coppe apontam como vantagens da implantação da unidade a geração de emprego e renda e o uso de uma matéria-prima de baixo custo para produção de biodiesel, uma fonte de energia que até 2013, por determinação de lei federal, será acrescida em 5% ao diesel utilizado pela frota do país.

Para analisar os impactos ambientais, os pesquisadores da Coppe utilizaram a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), que analisa o produto desde a extração da matéria-prima necessária à sua fabricação até o destino final. Para elaborar o modelo, o estudo utilizou dados da planta-piloto do laboratório do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig), da Coppe, com capacidade de produção de 250 litros de biodiesel a cada duas horas. Hoje a usina piloto tem capacidade de produzir 25 mil litros por dia.

O estudo premiado pela ONU com o Life Cycle Initiative Award for LCA projects in developing countries contou com a participação de alunos de pós-graduação do curso de Engenharia de Produção da Coppe e de alunos de graduação do curso de Engenharia Ambiental da UFRJ.

Fonte: Biodiesel.com.br

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Agenda 21

A Agenda 21 pode ser definida como um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.
A Agenda 21 Brasileira é um instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável do país, resultado de uma vasta consulta à população brasileira. Foi coordenado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 (CPDS); construído a partir das diretrizes da Agenda 21 Global; e entregue à sociedade, por fim, em 2002.

A Agenda 21 Local é o processo de planejamento participativo de um determinado território que envolve a implantação, ali, de um Fórum de Agenda 21. Composto por governo e sociedade civil, o Fórum é responsável pela construção de um Plano Local de Desenvolvimento Sustentável, que estrutura as prioridades locais por meio de projetos e ações de curto, médio e longo prazos. No Fórum são também definidos os meios de implementação e as responsabilidades do governo e dos demais setores da sociedade local na implementação, acompanhamento e revisão desses projetos e ações.

Como participar?

Para construir a Agenda 21 Local, o Programa Agenda 21 do MMA publicou o Passo-a-Passo da Agenda 21 Local, que propõe um roteiro organizado em seis etapas: mobilizar para sensibilizar governo e sociedade; criar um Fórum de Agenda 21 Local; elaborar um diagnóstico participativo; e elaborar, implementar, monitorar e avaliar um plano local de desenvolvimento sustentável.

Além disso, para que o público possa saber mais sobre as experiências de Agenda 21 Local no Brasil, o MMA criou o Sistema Agenda 21 – um banco de dados de gestão descentralizada que permite o compartilhamento de informações.

Onde ocorre?

A Agenda 21 Local pode ser construída e implementada em municípios ou em quaisquer outros arranjos territoriais – como bacias hidrográficas, regiões metropolitanas e consórcios intermunicipais, por exemplo.

Quem participa?

Para que uma Agenda 21 Local seja constituída, é imperativo que sociedade e governo participem de sua construção.

Fortalecimento de processos de Agenda 21

O MMA apóia os processos de Agenda 21 Local e conta com a parceria da Rede Brasileira de Agendas 21 Locais, cujo objetivo geral é fortalecer a implementação de Agendas 21 Locais mediante o intercâmbio de informações e o estímulo à construção de novos processos.

Assim, por intermédio do Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA), o MMA apóia, desde 2001, a execução de 93 projetos de construção de Agenda 21 Local, abrangendo 167 municípios brasileiros.

Recursos

A Agenda 21 integra o Plano Plurianual do Governo Federal (PPA) 2008/2011. O desenvolvimento do Programa Agenda 21 fundamenta-se na execução de três ações finalísticas: elaboração e implementação das Agendas 21 Locais; formação continuada em Agenda 21 Local; e fomento a projetos de Agendas 21 Locais (por meio do FNMA)

Retirado do Portal do Ministério do Meio Ambiente

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