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Avenida Atlântica é do Rio ?

A discussão sobre a retirada dos postos de gasolina, da BR Petrobrás, da Avenida Atlântica, pode ter saído dos jornais, mas o tema está na pauta da Cidade.

Ao que parece, o Governo do Estado teria entrado em acordo com a BR Petrobrás para retirar os postos a partir do próximo mês. E esta, a BR, teria notificado os postos para que estes sejam imediatamente desativados, sem dó nem piedade.

E, tudo isso, sem consultar a população, que tem seus postos lá há mais de quarenta anos, e sem qualquer consideração às dezenas de funcionários que ficarão desempregados!

Mas, tudo isso acontece com logradouros públicos da cidade do Rio. E o Prefeito?

Por que não intervém nas decisões de uso desse logradouro público da Cidade? Afinal, alguém tem alguma dúvida de que a Avenida Atlântica é um logradouro público municipal?

Quantos milhões a BR Petrobrás paga, ou pagou, ao Governo do Estado pelo uso de logradouros públicos que pertencem à Cidade?  R$ 15 milhões? R$ 17 milhões?  Ou nada?

Os números e as permutas devem ser divulgados para conhecimento dos cidadãos do Rio. Eles têm o direito de saber.

Toda essa confusão ainda é fruto da fusão, ocorrida na ditadura, em 1974, quando os bens públicos muncipais não foram atribuídos à Cidade. Continuam de posse do Estado do Rio, que ainda não nos pagou essa dívida.

Somam-se ainda, além da Av. Atlântica, outros bens simbólicos da Cidade, a exemplo do Maracanã, do qual o Estado já publicou edital de privatização.

Nada disso pertence ao Estado, mas à Cidade do Rio, e a ela deve ser devolvido.

Se há outro plano para a Avenida Atlântica, cabe à Prefeitura discutí-lo com a população, apresentando um plano para tal e um cronograma sobre uma eventual desocupação, que leve em conta o meio século de uso do local pelos postos.

Despejo liminar dos postos da Atlântica, da forma que está sendo feito pelo Estado do Rio é, além de ilegítimo e ilegal, também autoritário e tirânico.

Cabe a Prefeitura reagir, veementemente, e defender os nossos direitos frente ao Estado do Rio.
Veja abaixo parte do requerimento de informações que encaminhamos à Prefeitura sobre o assunto:
1) Cronograma da desocupação da área, e sua fundamentação para que a Prefeitura tenha aquiescido

2) Esclarecimentos quanto ao uso a ser dado a área, informando, inclusive, se a mesma terá uso público exclusivo, vedada sua cessão, a qualquer título, em todo ou em parte, para outro fim senão a de uso comum do povo

3) O projeto urbanístico,ambiental e paisagístico para o local

4) Plano de incorporação,recuperação e limpeza da área ocupada pelos postos, especialmente o plano de tratamento do eventual passivo ambiental”

Saiba mais sobre a mobilização da sociedade civil pela manutenção da atividade dos postos de gasolina na Avenida Atlântica aqui.

Matéria: Marcelo Copelli, assessor de comunicação do gabinete da Vereadora Sônia Rabello
Blog da Vereadora Sonia Rabello

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Governo do Estado do Rio negocia venda de 40 Batalhões da Polícia Militar

19º Batalhão da Polícia Militar de Copacabana

O governo do Estado do Rio negocia por R$ 400 milhões a venda do Quartel General da Polícia Militar na Rua Evaristo da Veiga para a Petrobrás. Com localização privilegiada, a instalação histórica ocupa um quarteirão no centro econômico da capital do Rio de Janeiro, a poucos metros da Cinelândia e do bairro boêmio da Lapa.

A Polícia Militar possui outros quartéis em terrenos cobiçados nas zonas sul e norte e nos subúrbios. A venda dos batalhões dos bairros do Leblon, Copacabana e Botafogo já é objeto de interesse de várias empresas imobiliárias. O negócio com a Petrobrás , segundo o Governador Sérgio Cabral, o prédio tombado pelo Município será transformado em museu e o restante do terreno poderá ser vendido para construção de “uma nova torre” da estatal.

“Houve uma avaliação do terreno de R$ 400 milhões. A Petrobrás ofereceu um pouco menos. Vamos chegar a um bom valor”, disse Cabral. Segundo o governador, o dinheiro da venda será investido em segurança pública. Caso a transação se concretize, a nova sede do QG da PM será transferida ao local ocupado hoje pelo Batalhão de Choque, também no centro.

A intenção da Secretaria de Segurança é vender terrenos dos 40 quartéis herdados do Exército no século passado. Um dos objetivos é diminuir o “aquartelamento” de policiais e aumentar em 20% o efetivo da PM nas ruas. Além dos terrenos da polícia, a administração estadual pretende vender outros imóveis e instalações. Atualmente, estão abertos dois processos de licitação para alienação de salas e terrenos nas zonas sul e norte da capital. Com os primeiros leilões previstos, a previsão de arrecadação é de R$ 55,2 milhões.

Em 2010, o Estado do Rio promoveu outra licitação para venda de terrenos remanescentes da Linha 1 do Metrô. No mesmo ano, a administração estadual implodiu o Complexo Penitenciário da Frei Caneca, no centro, com o objetivo de construir conjuntos habitacionais no local, sendo pois, que o terreno foi entregue à Caixa Econômica Federal, para sua incorporação ao projeto Minha Casa, Minha Vida, para o funcionalismo público municipal.

Entre os terrenos dos quartéis da Polícia Militar, o mais valorizado é a área de 40 mil metros quadrados do 23.º BPM do Leblon. Situado no bairro onde o preço do m² chega a R$ 19 mil, o leilão da área é um sonho das construtoras. Antes do boom imobiliário no Rio, a avaliação era de que o Estado arremataria pelo menos R$ 245 milhões. No entanto, uma forte oposição dos moradores fez o governo do Rio desistir da venda

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Rio de Janeiro quer aumentar uso da bicicleta no transporte urbano

O governo do Rio de Janeiro firmou, no dia 26/03, acordos para estimular o uso de bicicletas como meio de transporte. O secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, Júlio Lopes, disse que a meta do governo é passar dos atuais 3% para 10% o deslocamento por bicicleta.

“O que é importante nesse programa não é o que estamos fazendo e sim o que nós induzimos que seja feito. Que os prefeitos, os secretários municipais de transportes, a população em geral, passe a ver a bicicleta como uma opção modal importante para contribuição da sustentabilidade e para qualidade de sua vida”, disse Lopes.

A assinatura ocorreu na semana que antecede o World Bike Tour, passeio ciclístico do próximo domingo, que ocorrerá pela primeira vez no Rio de Janeiro.

Segundo o relações públicas do evento, José Luiz Costa, a exemplo do que houve em São Paulo, o Rio poderá melhorar a estrutura das ciclovias e ciclofaixas. “Em São Paulo, quando o evento chegou em 2009, as ciclofaixas e ciclovias tinham uma extensão muito reduzida. Hoje elas crescem a cada dia. Mais de 50 mil pessoas pedalam nas ciclofaixas de São Paulo aos domingos”.

O passeio terá o percurso de 11 quilômetros. A largada será na Praia de Copacabana e a chegada no Aterro do Flamengo. Seis mil pessoas foram sorteadas para participar da corrida, que teve 50 mil inscritos. Os participantes irão receber um kit com capacete, camiseta e uma bicicleta.

O World Bike Tour teve início em 2006 e já ocorreu em Lisboa e Porto, em Portugal, Madri, na Espanha e São Paulo. Esta será a 19ª edição do evento.

Portal Terra

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Despoluição – Metrópoles de água cristalina

Grandes cidades mostram como é possível crescer e manter as praias limpas

Por: Alice Lobo e Alessandro Greco

Em sujeira, as metrópoles brasileiras só perdem para as da Índia, país “campeão do lixo, imperador da sujeira”, como o descreveu o grande escritor Vidiadhar Naipaul. Por que a rica São Paulo é atravessada há décadas por um rio, o Tietê, que é um esgoto a céu aberto? Por que o Rio de Janeiro nunca se preocupou seriamente em coibir a poluição de suas belas praias, destino final de boa parte do esgoto produzido na cidade, que chega ao mar sem nenhum tipo de tratamento? Por muitos anos os brasileiros se iludiram com a resposta mais simples: faltam dinheiro, tempo e tecnologia para limpar as cidades. A presente reportagem mostra que essa desculpa é esfarrapada. Diversas metrópoles no mundo conseguiram limpar seus rios e praias com relativamente pouco dinheiro, usando tecnologias simples.

O caso do Rio de Janeiro é a mais impressionante demonstração de descaso pela limpeza no hemisfério ocidental. Cartão-postal do Brasil, é capaz de atrair cerca de 1,5 milhão de visitantes estrangeiros por ano. Seu maior apelo é a orla marítima emoldurada por uma paisagem deslumbrante. O problema é que as praias cariocas não oferecem apenas sol forte, areia branca e mar azul. Elas abrigam alta concentração de coliformes fecais, vazamentos esporádicos de óleo e de esgoto e lixo que desce dos barracos nos morros depois das chuvas fortes. A Baía de Guanabara recebe a cada segundo 20 toneladas de esgoto, ou cerca de 1,7 milhão de toneladas por dia. Apenas 54% do total de esgoto produzido na cidade é coletado pela rede pública, o que significa que o resto acaba em fossas sépticas ou é lançado na rede pluvial, cujo destino é o mar. Em alguns casos, a configuração geográfica das praias e o regime das correntes ajudam a prejudicar a qualidade da água, mas o fato é que a cidade joga muito mais sujeira na água do que deveria. As alternativas para resolver esse tipo de problema também são conhecidas em diversos pontos do planeta.

Projetos de despoluição bem-sucedidos existem aos punhados pelo mundo. Nas Olimpíadas de 2000, os australianos exibiram ao mundo como é possível recuperar uma orla marítima degradada num espaço de tempo relativamente curto. Eles levaram uma década para transformar as praias da maior cidade de seu país, Sydney, numa zona livre de esgoto e poluição, bem a tempo para exibi-las como cartões-postais olímpicos. O projeto começou em 1989, quando lançaram um ambicioso programa chamado Beachwatch, que tinha como objetivo monitorar a qualidade da água das praias. A partir dele foram detectadas as principais causas de poluição, o que possibilitou seu combate com o desenvolvimento de vários projetos independentes. Entre eles estão o Government’s Waterways Package, iniciado em 1997 e com custo de 1,6 bilhão de dólares, para reduzir a poluição proveniente de águas pluviais. A principal obra do programa é um piscinão, o Northside Storage Tunnel. É um megarreservatório que armazena 90% das águas de chuva escoadas e poluídas antes de elas chegarem aos rios e ao mar.

Os resultados são visíveis. Na Praia de North Steyne, por exemplo, a concentração de 1 887 unidades de coliformes fecais por 100 mililitros detectada no verão de 1989 – mais de dez vezes o limite máximo aceitável – caiu para quatro unidades de coliformes fecais por 100 mililitros em 1999. Um programa desenvolvido pela Sydney Water Corporation, a companhia que cuida do fornecimento de água na cidade, avança em outra frente. É o Water21, um plano de vinte anos lançado em 1997 para assegurar o futuro da água em Sydney. O principal objetivo do programa é prevenir a contaminação das águas, a um custo de 2,2 bilhões de dólares.

Pode-se argumentar que o tamanho relativamente pequeno de Sydney, com seus 4 milhões de habitantes, facilita os trabalhos de despoluição. Em parte é verdade, mas megalópoles do porte de Nova York também já conseguiram controlar a sujeira que jogam nas águas. Oito anos atrás, a maior cidade americana, com 17 milhões de habitantes, comemorou um feito histórico. Conseguiu reduzir a zero a quantidade de esgoto não tratado que despeja em torno da ilha de Manhattan, o coração da cidade. A poluição da água era um problema antigo. Em 1910, tomar banho no Porto de Nova York e consumir ostras nele pescadas já era considerado uma atividade perigosa para a saúde pelas autoridades sanitárias da cidade. Há vinte anos, pescar nos píeres da ilha ou no Rio Hudson, que desemboca na baía, era proibido por lei. Desde 1986, é possível praticar a pesca recreativa, mas os peixes devem ser devolvidos à água. As autoridades sanitárias ainda não os consideram próprios para o consumo devido à grande quantidade de poluentes industriais lançada no rio entre 1947 e 1977. No fim da década de 70, era despejado 1,7 bilhão de litros de esgoto por dia no Porto de Nova York, o ponto de maior concentração dos poluentes nos arredores de Manhattan, cifra que foi zerada em 1994. Iniciativas semelhantes aconteceram em cidades como São Francisco e San Diego, na Califórnia. Nesta última cidade, as praias urbanas viraram refúgio de animais como lobos-marinhos.

No Rio, tanto o governo do Estado quanto a prefeitura têm programas para a despoluição das praias e das águas da Baía de Guanabara. Do total de esgoto coletado na cidade, só 40% são tratados antes de ser jogados no mar. No que diz respeito aos municípios vizinhos, a coisa é ainda pior: apenas 15% do esgoto coletado recebe algum tipo de tratamento. O resto é lançado in natura na baía. A expectativa do governo é que com os programas a quantidade de esgoto tratado chegue a 34%, o que ainda é pouquíssimo para qualquer padrão civilizado. A meta é parte do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), uma iniciativa financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, pelo governo japonês e com uma contrapartida financeira do governo estadual. Iniciado em 1994, o programa quase parou em 1998, quando o governo fluminense deixou de cumprir sua parte no financiamento, que corresponde a 200 milhões de dólares de um total de 793 milhões. Depois de meses de impasse, os investimentos foram retomados, e a promessa é que até 2003 a primeira fase do projeto esteja concluída – um atraso de quatro anos em relação ao cronograma original. Se tudo der certo, a taxa de tratamento de esgoto lançado na baía subirá para 55%.

O déficit de rede de esgotos no Rio de Janeiro ocorre tanto nas favelas quanto em áreas nobres e de ocupação recente, como a Barra da Tijuca. Nesse bairro, o destino dos resíduos residenciais são basicamente as lagoas da região, que hoje estão comprometidas. Para resolver o caso da Barra, foram destinados 118,3 milhões de reais do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) em um projeto que inclui a construção de 286 quilômetros de rede coletora de esgoto, uma estação de tratamento e um emissário submarino com 5 quilômetros de extensão. As obras foram iniciadas em maio de 2001, mas ficaram parcialmente paralisadas entre dezembro de 2001 e julho de 2002 por falta de pagamento por parte da Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos. Mesmo em regiões onde existe uma rede de coleta e de despejo relativamente bem estruturada, como Ipanema, costumam acontecer trapalhadas ambientais. A falta de manutenção do emissário submarino que fica no bairro e lança os esgotos em alto-mar provocou um despejo de toneladas de dejetos nas praias da Zona Sul da cidade em pleno verão de 1999. O acidente aconteceu porque os responsáveis pela estrutura não consertaram fissuras em um pilar submerso, que cedeu e rompeu o duto.

A lei brasileira só recentemente começou a prever multas rigorosas para empresas que lançam poluentes nas águas, voluntária ou involuntariamente. Até dois anos atrás, o valor máximo de multa que a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) podia aplicar era de 5 000 reais, importância inexpressiva para uma indústria. A situação mudou, e muito, depois do acidente da Petrobras, em janeiro do mesmo ano, que derramou 1,3 milhão de litros de petróleo na Baía de Guanabara, em um vazamento que durou quatro horas seguidas. As imagens de aves cobertas de óleo e manguezais afetados ajudaram a aumentar o valor da multa para 50 milhões de reais. A multa salgada não é suficiente para cobrir as necessidades futuras de investimentos na área. A solução começa pela decisão da população de não mais se banhar em coliformes fecais, enganando-se com a idéia de que se está num paraíso tropical. Os países desenvolvidos ainda têm praias poluídas. A diferença em relação ao Brasil é que já aprenderam que, quanto antes começarem a trabalhar e quanto menos o trabalho for interrompido ao longo dos anos, menor será o prejuízo social e financeiro para o país.

Limpeza por força de lei 

As grandes cidades americanas, como Nova York e San Diego, não se teriam tornado exemplo de limpeza se o governo americano não estabelecesse uma duríssima lei contra a poluição da água. Trata-se do Clean Water Act, sancionado em 1972, que permitiu à Agência de Proteção Ambiental americana impor padrões para a descarga de poluentes e exigir dos governos estaduais rígido controle do tratamento do que se jogava nos rios e mares.

Tirado do Blog Jorge Rios

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A Praia de Copacabana não entra no Programa de despoluição, SENA LIMPA. Por quê?

Poluição na Praia de Copacabana Foto: Cristina Reis

A Praia de Ipanema será o ponto de partida para um grande plano de despoluição das 6 praias da orla carioca, Leblon, Leme, São Conrado, Urca e da Bica, na Ilha do Governador.  De acordo com o Secretário Estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc, o programa Sena Limpa vai promover uma série de ações que começarão em até dez dias, com as obras no Jardim de Alá. Segundo Minc, há duas saídas de esgoto no canal responsáveis por 90% da poluição em Ipanema.

— Vamos implantar duas novas bombas, para aumentar a capacidade de transferir o despejo das comunidades do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo para o emissário submarino de Ipanema. A saída de esgoto das duas comunidades joga até 16 milhões de coliformes fecais por decilitro (0,1 litro) no Jardim de Alah. Será construída também uma nova canalização que levará o esgoto da Cruzada São Sebastião ao emissário — explica Minc.

O programa Sena Limpa, cujo nome faz referência ao número de praias a serem despoluídas (seis), deve ser concluído em dezembro de 2014, mas a expectativa do governo estadual é terminar as obras em Ipanema em dezembro de 2012. O objetivo é deixar a praia própria para banho durante 90% do ano. Segundo o secretário, em 2011, as águas no bairro estiveram próprias em apenas metade do ano.

Praia do Leblon será a última a ser despoluída

O programa vai receber R$ 150 milhões em investimentos, dos quais R$ 70 milhões virão do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam). O restante será dividido entre Cedae e prefeitura. Além das obras estruturais, serão feitas ações na área de habitação, tratamento de esgoto, coleta de lixo e fiscalização de despejos.

— Esta é a primeira força tarefa a incluir Secretaria de Estado do Ambiente, Cedae, Comlurb, Instituto Estadual do Ambiente e Secretaria municipal de Habitação. Acabou o jogo de empurra entre os órgãos. Cada um vai cuidar de suas responsabilidades para alcançarmos nosso objetivo — garante Minc.

Segundo a previsão, a Praia de Ipanema deve estar despoluída até dezembro deste ano; a do Leme, até junho de 2013; a da Urca, até outubro de 2013; a da Bica, até novembro de 2013; a de São Conrado, até dezembro de 2013; e a do Leblon, até dezembro de 2014. Um dos bairros mais nobres e turísticos da cidade, o Leblon será o último trecho a ter a “faxina” concluída porque, segundo Minc, trata-se de um ponto complexo. São oito saídas de esgoto no canal da Rua Visconde de Albuquerque.

— Estamos fazendo o projeto para resolver o problema do canal no Leblon. As obras devem começar no segundo semestre deste ano. Dos oito pontos críticos, cinco vêm da encosta da Rocinha e três da Gávea, que inclui a favela Parque da Cidade. Vamos canalizar esse esgoto também para o emissário de Ipanema — explica o secretário.

Para o professor adjunto do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Adacto Otoni, as obras nos canais do Jardim de Alah e da Rua Visconde de Albuquerque são positivas. Porém, diz ele, é preciso que, de fato, haja uma interação entre os órgãos públicos a fim de encontrar uma solução definitiva para a poluição.

— Além de resolver a questão do despejo de esgoto, é preciso atuar nas fontes da poluição, como a coleta de lixo. É importante a implantação de programas educacionais e de coleta seletiva nas favelas. A criação de ecopontos para receber o lixo, com fácil acesso para caminhões, pode ajudar a solucionar esse problema. Além disso, é fundamental a criação de programas de habitação para retirar os moradores do topo das encostas e replantar a floresta. Só assim será possível impedir que o lixo dessas comunidades chegue às praias — afirma Otoni.

A AMA dos Postos 2, 3, 4 e 5 de Copacabana entrou com uma Ação Civil Pública no Ministério Público do Meio Ambiente questionando do por quê a Praia de Copacabana não entrar na lista do Programa de Despoluição da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, SENA LIMPA, já que entendemos que as praias do Leme e de Ipanema são contíguas com a de Copacabana.

Poluição na Praia de Copacabana Foto: Cristina Reis

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A ameaça do ‘Estado leiloado’

Deputado que inspirou personagem de Tropa de Elite 2 está em lista atribuída a assassinos da juíza

Devidos Créditos à: Ivan Marsiglia www.estadao.com.br

Entrevista: Marcelo Freixo

EX-PROFESSOR DE HISTÓRIA, DEPUTADO ESTADUAL PELO PSOL, PRESIDIU A CPI DAS MILÍCIAS EM 2008

Na terça-feira, cinco dias após o brutal assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, uma informação assustadora foi transmitida ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Segundo relato feito ao Disque-Denúncia, a morte da juíza teria sido encomendada por três detentos do presídio Ary Franco e, na lista dos criminosos, estariam mais duas pessoas marcadas para morrer: outro juiz, da 4ª Vara Federal de Niterói, e o próprio Freixo.

“Receio dá, pois eles podem tirar minha vida, sim. E não tenho nenhum projeto de virar memória”, admite o niteroiense de 44 anos, casado, pai de dois filhos. Formado em história pela Universidade Federal Fluminense e ex-pesquisador da ONG Justiça Global, Freixo coordenou projetos educacionais em presídios e, em mais de uma ocasião, atuou como negociador durante rebeliões. Eleito com amplo apoio da classe artística e intelectual do Rio, presidiu em 2008 a CPI das Milícias, que investigou as conexões desses grupos com parlamentares e resultou na cassação do deputado Álvaro Lins. Desde então, vive escoltado por seguranças. Foi Freixo quem inspirou o cineasta José Padilha na construção do personagem Diogo Fraga, militante de direitos humanos e antagonista do Capitão Nascimento que depois se alia a ele no filme Tropa de Elite 2.

Nesta entrevista, que concedeu ao Aliás na saída da missa de sétimo dia da juíza Acioli, quarta-feira, o deputado dispara contra a política de segurança pública fluminense e federal. Considera a execução ocorrida no dia 11 “um divisor de águas” na ação do crime organizado, que até então via juízes, promotores e deputados “cadáveres caros demais”. Ensina que, diferentemente dos traficantes, os milicianos não constituem um Estado “paralelo”, mas “leiloado”: são máfias dotadas de projeto de poder, domínio de território e influência eleitoral, constituindo “uma instância do crime organizado muito superior”. E faz um alerta: se não houver resposta firme das autoridades, o crime contra a juíza será o primeiro de muitos.

Como se sentiu ao ver seu nome na lista de ameaçados em que constava a juíza Acioli?

Desde que presidi a CPI das Milícias recebo ameaças. A última foi no mês passado. Elas chegam por carta, pelo Disque-Denúncia, por presos que respeitam meu trabalho e dizem ter ouvido planos do tipo ou por interceptações telefônicas feitas pela polícia. Até que ponto vale expor a si próprio e a sua família com esse trabalho? (Pausa) Receio dá. Estou saindo muito abalado da missa de Patrícia. Pensei que ali, no lugar dos filhos dela, poderiam estar os meus. Claro que isso passa pela minha cabeça, mexe comigo. Se dissesse que não, estaria mentindo. A gente se sente vulnerável. Sei que não posso deixar de fazer o que faço, mas preciso tomar cuidado. Porque eles podem tirar minha vida, sim. E eu não tenho nenhum projeto de virar memória.

Conhecia a juíza Acioli pessoalmente?

Embora não fôssemos amigos, eu a conhecia por trabalharmos na mesma área. Tivemos mais contato na época da CPI. Em sua atuação como juíza ela enfrentou fundamentalmente as milícias e grupos de extermínio de São Gonçalo. E, quando a CPI terminou, mandei o relatório para ela e nos falamos por telefone. Eu a admirava muito. Patrícia não morreu por sua ousadia ou por sua coragem, mas pela covardia dos outros. Falta prioridade, projeto público para se combater o crime organizado no Brasil. Então a luta fica dependendo de alguns poucos deputados, promotores, juízes… que viram alvo fácil.

Por que o sr. declarou que ‘se a resposta não for rápida, o crime organizado vai atingir uma nova etapa’?

Porque o crime organizado rompeu uma barreira que ainda não havia rompido. É a primeira vez que isso acontece no Rio de Janeiro. Não tenho a menor dúvida de que os mandantes e os executores são pessoas incomodadas pelo trabalho de Patrícia como juíza. Não foi uma vingança pessoal, eles fizeram um atentado contra o poder público. Calaram a Justiça, não a Patrícia. E, se o crime organizado pagou para ver, o Estado tem que responder à altura. Senão, ela será a primeira de muitos. Desde a época em que presidi a CPI, ouço dizer que somos “cadáveres caros demais”, que eles não teriam coragem de nos matar porque a repercussão seria grande. Pois é, fizeram. E agora, qual vai ser a resposta?

É característica do crime organizado, de tempos em tempos, fazer uma ação assim, para servir de aviso, intimidar?

Eles só agiram assim porque tiveram facilidade. O Tribunal de Justiça facilitou ao não garantir a proteção que Patrícia queria.

O presidente do TJ-RJ, Manoel Alberto Rebêlo, insiste em que a juíza não pediu escolta.

Não é verdade, e tenho documentos que o comprovam. Patrícia em nenhum momento se negou a ter segurança. Acho um absurdo que, enquanto o País inteiro se escandaliza, no Rio setores do Tribunal de Justiça tentem desqualificar a vítima. Dizer que ela não tinha proteção porque mandou um ofício! É uma vergonha. Só falta dizer que ela se suicidou. Reiteradas vezes Patrícia pediu proteção e discordou da redução de sua segurança, decidida por eles. Aí vem o presidente do TJ e, no lugar de dizer “peço desculpas à família e à sociedade, pois o Tribunal errou”, põe a culpa nela. Era o mínimo de grandeza que se esperava do TJ. Tirou a segurança de uma juíza quando não podia ter tirado. Não deu autonomia para ela escolher seus seguranças, quando deveria ter dado. Eu ando com escolta. Desde quando não serei eu a escolher meus seguranças? Isso é um absurdo. O cara vai saber onde moro, quem é meu filho e eu não posso decidir quem será?

E a declaração do Flávio Bolsonaro (PP-RJ), filho do deputado federal Jair, de que a juíza ‘humilhava’ policiais nos julgamentos?

É curioso que o deputado não tenha essa opinião quando se trata de outros réus. É uma visão seletiva de garantia de direitos.

O governo do Rio chegou a recusar ajuda da Polícia Federal nas investigações e foi preciso que o presidente do STF, Cezar Peluso, interviesse junto ao Ministério da Justiça para a PF entrar no caso. Por quê?

Nada mais me espanta no governo do Rio de Janeiro. Eles já não conseguem me surpreender, pois o absurdo virou regra. Um assassinato com esse peso, que é um atentado contra a República, a Polícia Federal se coloca à disposição e o governo do Rio diz que não quer? Mas por que não? Se a recusa foi por vaidade, trata-se de um equívoco, uma tolice. Se não, é suspeito. Ou estão querendo dizer “vamos resolver sozinhos, estamos podendo, investigamos muito bem”, o que não é verdade, ou temem que apareçam coisas que não possam ser ditas. Felizmente, o STF e o Poder Judiciário como um todo entenderam o significado do que ocorreu. A morte da Patrícia é um divisor de águas.

O crime organizado pode constranger a magistratura no Brasil, como fez na Itália durante a Operação Mãos Limpas?

Já está constrangendo. Hoje mesmo conversei com um juiz cujo nome não posso revelar que também não tem proteção alguma. Está absolutamente preocupado. Quando terminou a CPI, definimos no relatório: milícia é máfia. Então, fui convidado pela Anistia Internacional a apresentar o relatório em outros países. No primeiro, a Alemanha, tive grande dificuldade em explicar. Vai dizer a um alemão que tem polícia envolvida, que eles dominam o transporte por vans e a distribuição de gás, que cometem extorsão e exploram até prostituição infantil… Já no último país da viagem, a Itália, eu mal começava a falar e eles já diziam: “Ah, sabemos como funciona. É igual aqui”. A milícia, como a máfia, envolve agentes públicos, domina território, empreende atividades econômicas, tem projeto de poder e age dentro do Estado. Ela não é um Estado paralelo, é um Estado leiloado.

É isso o que quer dizer quando fala em ‘crime organizado como projeto de poder’?

Sim. E é o que diferencia a milícia de todas as outras organizações criminosas que já tivemos no Rio. Todos os líderes dos grupos milicianos são agentes públicos da área da segurança. Eles também, invariavelmente, comandam os centros sociais nas comunidades. Então, passam a ter domínio eleitoral dessas áreas. Sempre elegeram gente e também mataram muita gente: a maior concentração de homicídios no Rio de Janeiro hoje ocorre nas áreas das milícias.

Para quem vive nas comunidades, qual é a diferença entre estar sob o jugo do traficante ou do miliciano?

A milícia é uma instância do crime organizado muito superior. Veja que só tivemos uma redução recente no número de homicídios no Rio porque houve certo enfraquecimento das milícias nos últimos três anos – depois que as autoridades foram obrigadas a agir pela mobilização da opinião pública após a CPI e o sequestro de uma equipe de jornalistas (em maio de 2008, um grupo de milicianos da favela do Batan, em Realengo, sequestrou uma repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal O Dia que faziam uma reportagem no local e os torturou por duas semanas). Perto das milícias, os traficantes dos morros são só garotos violentos com armas na mão e nada na cabeça.

A melhoria das condições econômicas nas comunidades ajuda a explicar o crescimento das milícias?

Sim, porque máfias se instalam onde há dinheiro para ser coletado, não onde só há miséria. E se você olhar em 2007, antes da CPI, vai ver até o governador Sérgio Cabral inaugurando uma obra em Campo Grande ao lado de um vereador e um deputado que acabaram presos por envolvimento com a milícia (o deputado Natalino José Guimarães e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho). Está no YouTube isso, é uma cena patética. Mas mostra como as autoridades viam as milícias como um mal menor. O ex-prefeito Cesar Maia chegou a chamá-las de “autodefesa comunitária”. O atual, Eduardo Paes, também as defendeu em uma entrevista na TV. O tráfico sempre se colocou à margem da lei e contra o Estado. A milícia está dentro do Estado. E no sistema eleitoral. O mapa de votação do ex-secretário de segurança do Rio (o deputado federal pelo PSDB-RJ) Marcelo Itagiba concentra-se nas áreas de milícia.

Parlamentares como Cidinha Campos (PDT-RJ) o acusam de fazer proselitismo e dispor da proteção de policiais que deveriam estar nas ruas. Qual é a sua resposta?

A realidade se impõe contra a mediocridade. Deixo que os eleitores respondam. O meu grupo de seguranças é reduzido e condizente com a situação de risco (dez policiais se revezam na proteção de Freixo e de sua família 24 horas por dia).

O sr. é crítico tanto em relação ao governo estadual quanto ao federal. Com a experiência que acumulou, como deveria ser uma política de segurança consistente?

Em primeiro lugar, qualquer projeto de segurança deveria ser feito em parceria entre os governos estaduais e o federal. A questão é nacional e a segurança pública deveria estar acima de cor partidária ou ideologia: deve ser projeto de Estado, não de governo. A parceria na área de inteligência tinha que ser sistemática. No caso do Rio, as UPPs são importantes, mas não bastam. E há política por trás delas: por que a região de Copacabana tem tantas UPPs e na Baixada Fluminense, onde os índices de criminalidade são mais altos, não há nenhuma? O mapa das UPPs é um projeto de cidade, não de segurança pública. Outra pergunta: por que não há nenhuma UPP em áreas de milícia? Porque talvez elas ainda interessem à elite política corrupta do Rio. Temos uma polícia muito corrupta porque é grande a corrupção na política.

Em Tropa de Elite 2, o tráfico sai de cena para dar lugar às milícias como inimigo público número 1. Como combatê-las?

Propostas concretas existem, a questão é querer fazer. Antes de mais nada, é preciso tomar o território das milícias, como se fez com o tráfico. E intervir em suas atividades econômicas. No transporte, a licitação das vans talvez pudesse ser feita por meio de licenças individuais e não via cooperativas – dominadas pelo crime. A distribuição do gás também precisa ser mais bem fiscalizada: a Agência Nacional do Petróleo tem só cinco agentes em todo o Estado do Rio. E, claro, precisamos melhorar o salário e a formação do policial, além de dar mais estrutura às ouvidorias e à corregedoria.

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CEG é multada pela 2ª vez em R$ 125 mil por falhas em obras no Rio

A Câmara Técnica de Energia (CAENE) da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio (Agenersa) multou a Companhia Distribuidora de Gás do Rio (CEG) em R$ 125 mil por irregularidades em obras em Copacabana, na Zona Sul, e no Centro. De acordo com a Agenersa, os fiscais detectaram falhas nas recomposições asfáltica e de calçamento.

A CEG informou, por meio de nota, “que vai recorrer da decisão tendo em vista que os pontos verificados pela agência referem-se a recomposição provisória. A Ceg lembra que – conforme compromisso firmado com a Prefeitura – ao final das obras do Centro e Copacabana será realizada a recomposição definitiva do asfalto, por meio do Projeto ‘Asfalto Liso’”.

Ainda de acordo com a Agenersa, além dos tapumes em mau estado de conservação, os técnicos encontraram revestimento de concreto no lugar de pedras portuguesas nas calçadas e de pavimentação asfáltica nas ruas.

A vistoria foi realizada nos dias 6 e 7 de dezembro de 2011, em diferentes pontos das ruas Hilário de Gouveia, Ministro Viveiros de Castro e das avenidas Nossa Senhora de Copacabana e Prado Júnior, na Zona Sul, e das ruas São José, Debret, Rodrigo Silva, Visconde de Maranguape, Frei Caneca, Travessa do Ouvidor e das avenidas Mem de Sá e Rio Branco, no Centro.

Outra multa
Esta foi a segunda vez, em menos de dois meses, que a CEG foi multada em R$ 125 mil por má qualidade em obras. Em dezembro, o Conselho Diretor (CODIR) da Agenersa multou a concessionária também em R$ 125 mil por falhas das obras no Centro.

Na época, a CEG também havia informou que “iria recorrer da decisão, por entender que não foram levados em consideração pela Agência os importantes resultados concretos já obtidos com a renovação de 20,4 km em pouco mais de 3 meses de obra e os relevantes beneficios para a cidade proporcionados pelas obras que trazem inevitavelmente algum transtorno inerente a qualquer tipo de obra”.

Fonte: G1

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Lançada no Rio a primeira Bolsa Verde do país

Estado, Prefeitura e BVRio assinaram, no dia 20 de dezembro do ano passado, em cerimônia no Palácio Guanabara, um acordo de cooperação para desenvolver um mercado de ativos ambientais, com o objetivo de promover a economia verde no estado. O convênio sela a criação da primeira Bolsa Verde do país, com sede no município do Rio de Janeiro e início de operação previsto para abril de 2012. À frente da empreitada estão a Secretaria de Estado do Ambiente, a Secretaria de Fazenda do Município do Rio e a BVRio (associação civil sem fins lucrativos).

No evento, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Minc, revelou que a Bolsa Verde também será incluída no projeto do governo do Estado chamado Distrito Verde, que reunirá algumas empresas de tecnologia e infraestrutura verde em terrenos na Ilha de Bom Jesus, Ilha do Fundão. “A bolsa de ativos verdes comercializará créditos de carbono, de reposição florestal. E, com isso, empresas serão obrigadas a refazer a floresta e outras que têm áreas reflorestadas poderão vender seus créditos. Na verdade, você introduzirá um elemento de mercado que valoriza as empresas que conseguem cumprir além das metas de redução ou de reflorestamento”, explicou Minc.

Será implantada uma plataforma de negociação destinada a se tornar referência no país para a comercialização de ativos ambientais. Esses ativos vão abranger os bens existentes, como energia renovável ou biomassa, mas também os direitos de natureza regulatória relacionados ao cumprimento de obrigações ambientais, como recuperação de áreas florestais, tratamento de resíduos, entre outras ações.

Segundo a secretária Municipal de Fazenda, Eduarda La Rocque, a ação trará benefícios para o meio ambiente e para a economia em geral. De acordo com ela, a secretaria entrará no processo para agregar valores. “O Rio tem tudo para ser a capital verde do mundo. Essa parceria será de muito sucesso, pois seremos referência internacional econômica e ambiental”, afirmou.

Eduarda La Rocque lembrou ainda que a Bolsa Verde é fruto do trabalho de revitalização do mercado financeiro do Rio, que a Secretaria Municipal de Fazenda vem implementando há três anos. Esse trabalho, segundo ela, ganhou fôlego no ano passado, com a criação do Grupo Financeiro Carioca. A secretária de Fazenda do Rio elenca ainda como conquistas desse trabalho a vinda da Direct Edge, terceira bolsa de valores dos EUA, e a realização do Rio Investors Day (RID), conferência que reuniu na cidade presidentes de empresas, autoridades públicas e grandes investidores do país e do mundo, em maio passado. O RID, que voltará a ocupar o Copacabana Palace nos próximos dias 21 e 22 de maio de 2012, incluiu definitivamente o Rio no calendário de eventos econômicos internacionais.

A subsecretária de Economia Verde da Secretaria de Estado do Ambiente, Suzana Kahn, também comemorou a criação da Bolsa Verde no município carioca. “Essa iniciativa coloca o Rio de Janeiro na vanguarda da economia ambiental. Temos como um dos objetivos da Subsecretaria de Economia Verde a criação de novos mecanismos de mercado que deem celeridade ao alcance de políticas ambientais e aproximem o mercado financeiro dessa nova economia”, explicou Kahn.

Criada sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, a BVRio tem como missão desenvolver esse novo mercado de ativos ambientais, para promover a economia verde no Estado do Rio. Primeiro, será implantada uma plataforma de negociação destinada a se tornar referência no país para a comercialização de ativos ambientais. Esses ativos vão abranger não só os bens já existentes, como energia renovável ou biomassa, mas também os direitos de natureza regulatória relacionados ao cumprimento de obrigações ambientais, como recuperação de áreas florestais, tratamento de resíduos, emissão de gases ou de efluentes.

“Essa cooperação será fundamental para a realização deste projeto inovador. Estamos animados com o envolvimento do Estado e Prefeitura, por meio destes convênios de cooperação e pela participação efetiva de seus representantes no Conselho Deliberativo da BVRio”, concluiu o presidente executivo da BVRio, Pedro Moura Costa.

Neste momento inicial, a BVRio concentrará suas atividades no desenvolvimento dos seguintes ativos:

•créditos de carbono – Inicialmente relativos ao mercado de carbono do Estado do Rio de Janeiro e, em momento posterior, dos outros estados brasileiros – Como meio de combater o aquecimento global, diversos estados brasileiros estão estabelecendo metas para a redução de emissões de gases de efeito estufa (CO2 e outros). Os créditos de carbono serão atribuídos às empresas que reduzirem suas emissões de carbono além da meta estabelecida e poderão ser vendidos para aquelas que não conseguiram atingir suas metas;

•créditos de efluentes industriais da Baía da Guanabara – Funcionará de modo similar aos créditos de carbono, mas com relação às emissões de poluentes líquidos na Baía da Guanabara;

créditos de reposição florestal relativos à Reserva Legal – A lei florestal brasileira determina que os proprietários rurais devem manter em suas propriedades uma área com cobertura florestal nativa (a chamada Reserva Legal). Por meio dos créditos de reposição florestal, os proprietários que têm em suas propriedades florestas em área superior à obrigatória (reserva legal) poderão vender certificados para aqueles que precisam recuperar suas áreas de reserva legal;

créditos de reposição de supressão de vegetação – De acordo com a lei, quem utiliza matéria-prima florestal oriunda de supressão de florestas nativas tem a obrigação de repor essas florestas. Os créditos de reposição permitirão que empresas que façam a reposição (plantio) de modo voluntário possam vender os créditos correspondentes àqueles que têm a obrigação de repor a floresta;

•créditos de logística reversa e reciclagem – A lei hoje determina que todas as empresas envolvidas na cadeia produtiva (fabricação, importação, distribuição e comercialização) de determinados produtos têm a obrigação de recolher os produtos usados e/ou suas embalagens para reciclagem ou para destino final adequado. Por meio dos créditos de logística reversa, organizações (empresas ou cooperativas) que realizarem tal atividade poderão vender esses créditos para as empresas que têm a obrigação da logística reversa.

Estrutura administrativa

A BVRio foi estruturada de modo a ter o envolvimento dos diversos setores da sociedade. Com três categorias de associados, terá representantes do setor empresarial, representantes de ONGs e do setor acadêmico e cidadãos que se destaquem pelo seu envolvimento na promoção do desenvolvimento econômico sustentável do Rio de Janeiro. Cada categoria de associados terá representação no Conselho Deliberativo, o qual contará, também, com representantes das três esferas do governo. Fazem parte do Conselho a Secretaria do Estado de Ambiente, a Secretaria Municipal de Fazenda, o Funbio, a FBDS, o CEBDS, a E2 Sócio Ambiental, o economista Sergio Besserman e o empresário Pedro Moura Costa, presidente da BVRio.

(Secretaria de Estado do Ambiente – SEA)

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TJ do Rio nega indenização a ex-deputado Álvaro Lins

INFORMAÇÕES PÚBLICAS

Os desembargadores da 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio negaram, por unanimidade, provimento à apelação de Álvaro Lins dos Santos, ex-diretor da Polícia Civil do Rio e ex-deputado estadual, contra o presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil, Vinicius George da Silva. Lins processava o sindicalista por conta de declarações ele fez ao jornal O Dia.

O relator da apelação, desembargador Paulo Sérgio dos Santos, manteve a sentença na íntegra, considerando que as declarações prestadas ao jornal por Silva não teve o objetivo de ofender o ex-deputado. Para o desembargador, as informações prestadas por Vinicius na qualidade de presidente do sindicado repetiam informações contidas em processo judicial da Auditoria Militar.

Na época, Lins era tenente da Polícia Militar e estava sendo investigado por suposto envolvimento com o jogo do bicho. Posteriormente, foi analisada na 2ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro a regularidade do concurso público em que o autor participou para ingressar no cargo de Delegado de Polícia. Santos destaca que, apesar de ser absolvido na Auditoria Militar e ter obtido êxito para permanecer no cargo, os fatos narrados no processo eram públicos e passíveis de divulgação.

A decisão lembra ainda que o ex-deputado foi condenado em seguida por crimes praticados em sua gestão como diretor de Polícia Civil do Rio, dentre eles formação de quadrilha, “o que por si só já depõe em seu desfavor no que tange às alegações de que as declarações do réu vulnerariam sua honra”. Assim, o desembargador entendeu que as declarações não foram ofensivas à honra de Lins, o que impede a condenação do presidente do sindicato a indenizar por danos morais.

Em outra ação o ex-chefe da Polícia Civil do Rio teve seu pedido de indenização negado pelo Superior Tribunal de Justiça, em ação proposta paraapurar acusações feitas por Antônio Teixeira Alexandre Neto. De acordo com o processo, Antônio Neto foi vítima de um atentado a tiros, em 2 de setembro de 2007, quando saía de um bar em Copacabana. Após o ataque, ele fez diversas insinuações sobre a autoria do atentado, acusando Álvaro Lins de ser o responsável pela tentativa de homicídio.

Álvaro Lins também foi condenado, juntamente com o ex-governador do Rio Anthony Garotinho, pelo crime de formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro, a 28 anos de prisão. Lins e Garotinho recorreram em liberdade. Em maio de 2009, sua prisão foi revogada pelo Superior Tribunal de Justiça.

Líliam Raña é repórter da revista Consultor Jurídico.

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O QUE HÁ POR DETRÁS DAS ARQUIBANCADAS

Terminou no ano passado (24/11), a Soccerex, a feira mundial de negócios da Fifa, realizada no Rio de Janeiro, em plena Copacabana. Ali, comecei a entender e desnudar o que há por detrás das arquibancadas, pois o cenário do futebol para a maioria dos mortais está limitado às quatro linhas e suas arquibancadas barulhentas e apaixonadas.

Foram quatro dias de ações, palestras, debates, mas principalmente e prioritariamente, efetivação de negócios. O público trajando roupas esportivas e descontraídas foi substituído por executivos e executivas de terno, gravata e vestidos, discutindo, fomentando e desenvolvendo negócios em torno de tudo que permeia o futebol, desde a construção de estádios, passando por serviços de consultoria até a oferta de gramas sintéticas com materiais de última geração tecnológica, tudo isto envolvendo vultosos valores em dinheiro.

Mesclados a esses executivos, encontramos ex-jogadores de várias seleções campeãs do mundo transformados em embaixadores de marcas e produtos, os quais emprestam suas imagens para atingir os objetivos de grandes grupos de negócios, tudo isto em um planejado e estudado plano estratégico de negócios.

Mas, paralelamente, fomos confrontados com realidades que não podem ser encobertas nesse mercado, pois o investimento em uma Copa do Mundo não é só dos governos que sediarão os jogos e suas estruturas, mas também das empresas que investirão. Os aportes previstos são de três a 150 milhões de reais cada uma em torno da Copa 2014, em lançamento de produtos, fixação de marcas e ativações diversas, visando ao aumento de vendas e à consolidação de resultados efetivos.

Frente a isso, enquanto se discutiam milhões e milhões no exuberante e inovador pavilhão de negócios erguido no Forte de Copacabana, o confronto entre o crime organizado e o Governo do Rio de Janeiro era latente e alarmante, trazendo aos mais de 2,5 mil executivos estrangeiros de empresas dos cinco continentes um temor velado, que podia ser sentido no ar de apreensão e nas conversas nas áreas de café e nos lobbies dos hotéis, que estavam todos lotados para receber os mais de cinco mil inscritos neste evento.

Enquanto se fomentavam negócios, perguntava-se onde estavam os planos de infraestrutura do governo para a solução de aeroportos e portos ou o planejamento das cidades-sedes sobre a demanda hoteleira, infraestrutura de hospitais e capacitação de pessoal, esta última de vital importância, mas que está sendo deixada na última linha da lista de prioridades.

A quatro anos da Copa, só se fala em construção de estádios e nada sobre como se chegar a eles e quais os legados da competição. Um bom exemplo é o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, um elefante branco erguido para atender aos Jogos Panamericanos e que não teve um plano de urbanismo e um planejamento estratégico do entorno, transformando em “caos” para a população e torcedores o acesso a jogos, pois as ruas do bairro continuam estreitas e modeladas como há 60 anos.

Precisamos pensar e agir estrategicamente e entender que, paralelamente às grandes construções e investimentos em infraestrutura, deve-se investir em pessoas, em treinamento, em gestores capacitados para administrar, conduzir e operar todos os babilônicos empreendimentos que estão sendo implantados, pois só se pensa em ganhar, e estamos esquecendo de pensar o todo, especialmente no elemento humano que terá que operar todas estas obras e serviços.

As empresas têm falado muito em humanizar as ações. Pois bem, esta é uma ótima oportunidade de colocar esse discurso marqueteiro em prática. É uma boa chance política para os governos mostrarem seu papel de gestores e aplicarem políticas públicas em torno da capacitação de pessoas para construir um mercado de turismo forte e consistente.

Chega de vendermos mulheres nuas e prostituição infantil. Temos uma chance de criar um negócio de longa duração e de um legado espetacular que é o ESPORTE COM TURISMO SUSTENTÁVEL, pois nenhum país tem a convergência de fatores que temos aqui no Brasil – povo charmoso e acolhedor, mais locais paradisíacos, mais áreas de sustentabilidade naturais, mais gastronomia e área de expansão de negócios. Enquanto os países árabes e asiáticos criam ilhas artificiais de entretenimento e obtêm sucesso, temos aqui todo este potencial de maneira natural.

Que parte dos bilhões que serão investidos nesta Copa possa ser destinada à capacitação de pessoas, à formação de gestores preparados e especializados em administração do esporte, de executivos de negócios com graduação em negócios esportivos. Não podemos perder essa chance de criar um dos mais promissores cenários de negócios do esporte do mundo, e só nos resta bradar a frase de um célebre jornalista: ACORDA, BRASIL

POR MARCO GARCIA – Promoview

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