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Rio limpo cria área de preservação paisagística e limita publicidade no centro e zona sul da cidade

A Prefeitura do Rio de Janeiro cria, através de decreto, o projeto Rio Limpo que tem como objetivo valorizar e preservar o Patrimônio Paisagístico e Cultural da Cidade do Rio de Janeiro nas regiões do Centro e da Zona Sul. O decreto cria a Zona de Preservação Paisagística e Ambiental 1 (ZPPA-1) que vai diminuir a poluição visual e a degradação ambiental, além de promover uma melhor gestão do espaço publicitário em uma cidade de belezas naturais e arquitetônicas privilegiadas e reconhecidas internacionalmente.

 A partir da publicação do decreto estão imediatamente proibidos anúncios que cubram fachada, anúncios em outdoors, em letreiros em cobertura de prédios, em empenas cegas, em tapumes e em redes de proteção de obras, nas áreas das I, II, IV e V Regiões Administrativas, que englobam os bairros da Saúde, Santo Cristo, Gamboa, Caju, Centro, Lapa, Botafogo, Catete, Cosme Velho, Flamengo, Glória, Humaitá, Urca, Copacabana, Leme, Lagoa, Leblon Ipanema, Gávea, Jardim Botânico, São Conrado e Vidigal.

Os anúncios indicativos (nome dos estabelecimentos) passarão a ter dimensões de um metro e meio, quatro e 10 metros quadrados, dependendo da extensão da fachada do imóvel e não poderão estar associados à marcas publicitárias:

 1) Fachadas de até 10 metros, o indicativo do estabelecimento será de um metro e meio metro quadrado sendo possível, em caso de comércio de esquina, um indicativo (1,5m2) voltado para cada lado das ruas.

2) Fachadas entre 10 metros e 100 metros lineares, o indicativo terá quatro metros quadrados.

3) Acima de 100 metros lineares serão permitidos até dois indicativos de 10 metros quadrados cada, respeitando uma distância mínima de 40 metros lineares entre cada anúncio.

Em fachadas de shoppings e centros comerciais que não possuam lojas voltadas para rua, será possível a instalação de dois indicativos de 10 metros quadrados. No caso de shoppings e centros comercias com lojas voltadas para a rua, o indicativo das lojas será de um metro e meio quadrado e os indicativos de fachada seguirão a regulamentação por tamanho da fachada (ver itens 1,2 e 3 acima).

Não serão considerados anúncios os banners ou pôsteres indicativos de eventos culturais exibidos em museus, teatros (dentro dos shoppings e fora deles) bem como áreas reservadas nos cinemas para mensagens alusivas aos filmes em exibição. No entanto, eles não poderão ultrapassar 10% do tamanho da fachada. Painéis com mensagens indicativas (totens ou prismas) instalados em área de afastamento frontal dos lotes, serão permitidos desde que área para o indicativo do estabelecimento não ultrapasse dois metros quadrados e o limite de altura de seis metros. O Rio Limpo não atinge os indicativos obrigatórios pela legislação municipal, estadual e federal, como por exemplo placas de obras e exigidas pelo CREA; tabela de preços de combustíveis exigida pela ANP); anúncios nos estandes de venda de imóveis em construção, anúncios em mobiliário urbano (abrigo de ônibus, indicadores de logradouros públicos, bancas de jornais ) e anúncios veiculados em caráter transitório referentes a eventos com autorização do Prefeito.

Os prazos para o cumprimento das novas regras é de até 180 dias. A multa por descumprimento do decreto que cria o Rio Limpo será diária no valor de R$ 570,00. No caso de reincidência ou persistência da irregularidade, o valor da multa será dobrado. Os responsáveis deverão arcar com os custos da retirada dos indicativos irregulares.

Portal da Prefeitura RJ

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Projeto Rio Cidade Sustentável dá início à frente de Agricultura Urbana em comunidades pacificadas da Zona Sul carioca

O projeto Rio Cidade Sustentável deu início as atividades da frente de Agricultura Urbana Orgânica nas comunidades do Chapéu Mangueira e da Babilônia, na Zona Sul carioca. O objetivo é capacitar os moradores na construção e manutenção de hortas em produção contínua em quintais e lajes da comunidade, tanto para uso familiar quanto como uma nova fonte de renda, através da comercialização de excedentes. Além do curso, a frente de Agricultura Urbana promoverá oficinas de alimentação saudável, visando evitar desperdícios e abrindo possibilidade para uma melhor qualidade de vida.

Os inscritos irão receber 180 horas de aula durante 5 meses. A frente de Agricultura Urbana Orgânica é uma iniciativa conjunta do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com o ISER, a Fundação Parques e Jardins e o SEBRAE. A Souza Cruz é a empresa patrocinadora.

“É muito gratificante fazer parte deste projeto e, ainda, patrocinar uma Frente que está diretamente ligada à estratégia de sustentabilidade da Souza Cruz. Desenvolver iniciativas responsáveis em toda a nossa cadeia produtiva e investir nas comunidades inseridas nos locais onde atuamos, seja no campo ou na cidade”, ressalta o gerente de Assuntos Corporativos da Souza Cruz, Daniel Preto. Há alguns anos a empresa desenvolve programas com foco em sustentabilidade, como o Milho e Feijão Após a Colheita de Tabaco, Propriedade Sustentável e Reflorestar.

Rio Cidade Sustentável

Além da Frente de Agricultura Urbana Orgânica, outras seis iniciativas integram o Rio Cidade Sustentável, que reúne um grupo diversificado de empresas em um projeto de infraestrutura urbana e transformação social com foco em sustentabilidade. São elas: Melhoria Habitacional Sustentável, Infraestrutura Urbana Verde, Turismo Comunitário, Sustentabilidade nas Escolas e nos Lares, Gestão Comunitária de Resíduos Sólidos e Desenvolvimento de Empreendedores Locais.

As ações do Rio Cidade Sustentável foram definidas em conjunto com os moradores das duas comunidades, considerando as prioridades que eles apontaram, em levantamento feito pelo projeto. Ao todo, foram ouvidos os chefes de família de 40% das cerca de 1.200 casas da Babilônia e do Chapéu Mangueira. A linha de trabalho tem o foco na busca da independência das comunidades, com soluções que gerem o censo de propriedade, o desenvolvimento socioeconômico local e inserção das comunidades no contexto urbano.

As empresas responsáveis pelas iniciativas do projeto são: Itaú e Bradesco; Phillips, Michelin, Votorantim e Dow; Souza Cruz, Goodyear, Vale, Even, Furnas/Eletrobras e Coca-Cola com apoio do Sebrae e da Caixa Econômica Federal.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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Rio 2016: Surf nas Olimpíadas

A edição da revista Alma Surf que chega às bancas no mês de abril traz uma proposta diferente de apenas relatar o que acontece mar adentro. O principal objetivo desta edição é promover um movimento mundial para incluir o surf na grade de dos Jogos Olímpicos de 2016, que acontece no Rio de Janeiro.

O documento “Rio 2016: Surf nas Olimpíadas” é um dossiê sobre o esporte que mostra porque esse é o momento ideal para mostrar que o surf deve ser reconhecido e estar presente no evento. “O Brasil tem sido palco das grandes mudanças do segmento e também fora dele, seja no mercado, em estereótipos, modelos de negócios, varejo ou tendências”, conta Romeu Andreatta, publisher da revista. Segundo ele o esporte possui mais de 20 milhões de praticantes no mundo e movimenta R$ 8 bilhões de consumo no Brasil e US$ 20 bilhões no mundo.

O movimento começa com o lançamento desta edição da Alma Surf e continua nas redes sociais. A página no Facebook foi criada para informar a respeito do movimento, assim como o Twitter. Entrará no ar também um abaixo-assinado para que as pessoas possam se manifestar sobre o caso.

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Plantio de árvores em Copacabana deve neutralizar carbono do Réveillon

A Riotur iniciou na semana passada, por meio de uma ONG Instituto Terra de Preservação Ambiental, o plantio de 1.411 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, reunindo mais de 20 espécies, no município de Miguel Pereira.  O plantio das mudas visa a neutralizar o carbono emitido durante o réveillon do Rio de Janeiro, na virada de 2011 para 2012.

O secretário municipal de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello, destacou que o réveillon do Rio foi um grande exemplo de como produzir eventos “de forma inteligente e sustentável”. Ele espera que, com a proximidade da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorrerá em junho, os eventos fiquem cada vez mais comprometidos com o meio ambiente.

As 1.411 mudas correspondem à neutralização de 260 quilos de gás carbônico gerados na produção do réveillon de Copacabana, informou o ambientalista Roberto Vamos. Para chegar às 1.411 mudas, ele calculou a quantidade total de combustível gasto em todas as operações de montagem e desmontagem das estruturas, nos geradores de energia e, também, nas barcas que levaram os fogos à Praia de Copacabana.

Segundo Roberto Vamos, o projeto de reflorestamento que vem sendo implementado pela ONG Instituto Terra de Preservação Ambiental foi determinante para a escolha do município de Miguel Pereira para o plantio, como forma de neutralizar as emissões de gases da produção do réveillon. “O projeto é feito na bacia do Rio Guandu. Então, o benefício que vai ter não é só para a população de Miguel Pereira. Vai ser para a cidade do Rio de Janeiro também, porque a gente vai estar preservando os mananciais de água que abastecem o rio”.

O ambientalista ressaltou que a ideia é fazer a neutralização de carbono emitido em todos os eventos privados e públicos que ocorram na capital fluminense. “Acho que cada vez mais vai haver agora essa demanda, não só por parte de produtores privados, como também por parte de eventos dos governos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas”. A neutralização de carbono deverá ser posta em prática também na Rio+20. “Pense só no fato de que estão sendo esperadas entre 40 mil e 50 mil pessoas no Rio de Janeiro”, destacou ele.

Roberto Vamos sugeriu, contudo, que a neutralização de gases emitidos individualmente deve ser responsabilidade de cada cidadão. Ele indicou que algumas ONGs, como a Fundação SOS Mata Atlântica, dispõem de ferramentas por meio das quais as pessoas podem “comprar” árvores virtualmente, visando ao seu plantio em vários locais do país.

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Rio de Janeiro quer aumentar uso da bicicleta no transporte urbano

O governo do Rio de Janeiro firmou, no dia 26/03, acordos para estimular o uso de bicicletas como meio de transporte. O secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, Júlio Lopes, disse que a meta do governo é passar dos atuais 3% para 10% o deslocamento por bicicleta.

“O que é importante nesse programa não é o que estamos fazendo e sim o que nós induzimos que seja feito. Que os prefeitos, os secretários municipais de transportes, a população em geral, passe a ver a bicicleta como uma opção modal importante para contribuição da sustentabilidade e para qualidade de sua vida”, disse Lopes.

A assinatura ocorreu na semana que antecede o World Bike Tour, passeio ciclístico do próximo domingo, que ocorrerá pela primeira vez no Rio de Janeiro.

Segundo o relações públicas do evento, José Luiz Costa, a exemplo do que houve em São Paulo, o Rio poderá melhorar a estrutura das ciclovias e ciclofaixas. “Em São Paulo, quando o evento chegou em 2009, as ciclofaixas e ciclovias tinham uma extensão muito reduzida. Hoje elas crescem a cada dia. Mais de 50 mil pessoas pedalam nas ciclofaixas de São Paulo aos domingos”.

O passeio terá o percurso de 11 quilômetros. A largada será na Praia de Copacabana e a chegada no Aterro do Flamengo. Seis mil pessoas foram sorteadas para participar da corrida, que teve 50 mil inscritos. Os participantes irão receber um kit com capacete, camiseta e uma bicicleta.

O World Bike Tour teve início em 2006 e já ocorreu em Lisboa e Porto, em Portugal, Madri, na Espanha e São Paulo. Esta será a 19ª edição do evento.

Portal Terra

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Hora do Planeta 2012 busca momento de reflexão

Pelo quarto ano consecutivo, o WWF-Brasil convoca a população brasileira a participar do movimento mundial Hora do Planeta, que levou 1 bilhão de pessoas a apagarem as luzes em todo o mundo, em 2011. A mobilização tem como objetivo a reflexão sobre o aquecimento global e os problemas ambientais que a humanidade enfrenta. A campanha conta com patrocínio do Pão de Açúcar e da TIM e adesão de diversas companhias e municípios. Cidades e empresas interessadas em apoiar a iniciativa podem se cadastrar pelo www.horadoplaneta.org.br.

O Rio de Janeiro será, mais uma vez, a cidade-âncora da campanha brasileira e ícones da paisagem carioca serão apagados, como o Cristo Redentor, a Igreja da Penha, o Monumento dos Pracinhas, a orla de Copacabana e o Arpoador. Além do Rio, a capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, confirmou sua participação e cidades no estado de São Paulo, Goiás, Paraná, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia também anunciaram a adesão. No ano passado, 123 municípios, entre eles 20 capitais, aderiram ao movimento, o que tornou o Brasil o país com o maior número de cidades engajadas à Hora do Planeta.

“Neste ano, a Hora do Planeta no Brasil terá um componente especial: a Rio+20, que acontece em junho. O país será anfitrião da conferência mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) que debaterá o desenvolvimento sustentável. O ato de apagar as luzes no dia 31 será mais uma forma de mostrar ao mundo que nós, brasileiros, queremos um futuro com desenvolvimento econômico que respeite os limites do planeta e gere inclusão social”, explica a superintendente de Comunicação e Engajamento do WWF-Brasil,Regina Cavini.

O engajamento para a Hora do Planeta 2012 já começou. Além dos patrocinadores, a ação conta com iniciativas desenvolvidas por parceiros que aderiram ao movimento. A Eldorado será a rádio oficial pelo quarto ano e veiculará, a partir da próxima semana, spots produzidos com exclusividade. Outras ações de mobilização estão sendo colocadas em prática, como apagar as luzes das sedes ou unidades de empresas e entidades, programação cultural específica voltada para o evento, divulgação e campanhas junto a clientes, colaboradores e seguidores em redes sociais. O HSBC, Mapfre, rede Meliá de Hotéis, Sanofi Farmacêutica, Sesc Teresópolis, Sheraton São Paulo, Shopping Metrô Santa Cruz, Submarino.com, TAM Nas Nuvens e Vivo são algumas das empresas parceiras.

A Hora do Planeta

A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas. Desde sua primeira edição, em março de 2007, a Hora do Planeta não parou de crescer. O que começou como um evento isolado em uma única cidade, Sidney, na Austrália, tornou-se uma ação global, envolvendo 1 bilhão de pessoas em mais de 5 mil cidades de 135 países. Alguns dos mais conhecidos monumentos mundiais, como as pirâmides do Egito, a Torre Eiffel em Paris, a Acrópole de Atenas e até mesmo a cidade de Las Vegas já ficaram no escuro durante sessenta minutos.

(WWF-Brasil)

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Os erros e acertos do Bike Rio

São nove da manhã e há seis bicicletas disponíveis na Estação Serzedelo Corrêa, em Copacabana, um dos 60 pontos de aluguel de bicicletas do programa Bike Rio. Estão devidamente trancadas em seus dispositivos, esperando que moradores e turistas as utilizem. Mas como retirá-las? É o que se perguntava um casal em frente à estação, um pouco frustrados com a falta de informações. São turistas paranaenses que haviam ouvido falar na iniciativa, muito parecida com a que experimentaram ano passado em Paris (a Vélib), só que com muito mais facilidade. Um painel dava algumas informações, que envolviam ligar para um telefone e fazer um cadastro em um site. “Mas eu só queria dar um passeio de meia-hora”, protestava o marido. Precisava se cadastrar na internet só para isso?”

De fato, não há possibilidade de fazer uma operação mais simples, como pagar diretamente no cartão, como acontece na França, ou inserir notas de dinheiro. Um turista, que se identifica como colombiano, aparece com um celular na mão, faz uma ligação e, logo em seguida, consegue retirar uma das bicicletas alaranjadas, cujas traseiras exibem um imenso logo do Itaú. Não demora muito para que o casal o cerque e peça informações. Assim como um outro casal que já fez o cadastro na internet, mas não está conseguindo destravar os veículos. Logo em seguida, um outro senhor se aproxima e pergunta ao colombiano: “Só os clientes do Itaú podem usar a bicicleta?” Um erro compreensível visto o tamanho extravagante do anúncio comercial.

Toda esta situação ocorre em apenas 5 minutos. Basta apenas ficar mais meia-hora observando o movimento na estação para presenciar muitas cenas como esta (nesse período, aliás, nada menos do que três pessoas perguntaram se as bicicletas eram exclusivas dos clientes do banco citado). Como se vê, o sistema Bike Rio atrai curiosos, mas, mesmo implantado há quase três meses na cidade, ainda intriga um pouco. As indicações nos painéis são insuficientes e confusas. Muitas dos potenciais usuários que passavam por lá não sabiam que poderiam usar, por exemplo, de forma avulsa, pagando 5 reais. Mas se nem mesmo alguns moradores sabem como funciona, imagine ser um turista de passagem por Copacabana e achar que é obrigado a se cadastrar em um plano mensal para poder dar um passeio?

Na verdade, o sistema via internet se justifica para evitar vandalismo ou deterioração do equipamento de uma interface física, com painéis ou teclados. De acordo com os números da Serttel, empresa que ganhou a licitação, o índice de vandalismo (uma bicicleta roubada e pequenas avarias, como o roubo de selins e pedais, entre outros) é inferior ao que ocorreu na Europa, no início dos projetos. Outra justificativa para o sistema via internet e aplicativos para smartphones é a economia de energia.

“O sistema europeu inclui telas e teclados sujeitos a vandalismo e que consomem muita energia elétrica, o que inviabiliza o sistema sustentável de energia solar”, argumenta Angelo Leite, presidente da Serttel, acrescentando que o sistema não necessita nenhum aperfeiçoamento.

“O sistema é de ultima geração e é muito bem aceito pelos usuários. A tecnologia é 100% nacional, 100% sustentável , 100% wireless e foi reconhecida pelo portal de noticias da CNN por suas características ‘high tec’“, disse Leite.

Estatísticas de adesão

Até o dia 4 de janeiro, a Serttel havia contabilizado 21.519 passes mensais e 25.376 cadastros. Nem todos os usuários, porém, se mostram 100% satisfeitos. É o caso do carioca Hélio Brum Júnior, um terapeuta que usa o Bike Rio diariamente para se deslocar até a casa de pacientes.

“Eles não relatam os problemas que acontecem, não há uma maneira fácil de o usuário se comunicar com a empresa e dar um feedback”, reclama.

Entre os transtornos, Brum diz que já pegou bicicleta com problemas nos freios, com o ajuste do banco quebrado, e até sem pedal. Outro dia, tentou fazer a retirada, mas o sistema estava fora do ar por excesso de chamadas. Aos domingos, também sofre com o excesso de camelôs em volta das estações, quase impossibilitando o acesso às bicicletas. Mas o pior foi quando foi devolver o veículo em uma estação sem saber que esta ainda não havia sido ativada. Como não havia nada que avisasse ou indicasse isso, o sistema não computou a devolução.

“Mesmo assim, aprovo a ideia e o sistema”, diz. “Uso sempre, faz bem para minha saúde”.

Uma das grandes queixas dos usuários são as estações vazias, onde é muito difícil achar uma bicicleta disponível. Segundo Leite, o sistema via internet é essencial para evitar que certos bicicletários mais populares fiquem vazios enquanto outros, menos usados, tenham bicicletas demais.

“Como o relacionamento dos usuários com as estações ocorre por meio da internet, o sistema opera em tempo real, diferente dos europeus, que trabalham com atrasos de até dez minutos, logo o gerenciamento do projeto alarma na central quando a estação está com menos de 20% ou mais de 80% das suas posições ocupadas”, explica Leite. “Essa informação vai direto para terminais móveis usados pelos técnicos de campo, que fazem o remanejamento das bicicletas. Além disso, o sistema gera uma base estatística que orienta os nossos técnicos como reposicionar as bicicletas antes do início de cada dia de operação, considerando as concentrações de fluxo das pessoas nos horários de pico”.

Mesmo assim, o estudante João Pedro Marteletto quase nunca encontra bicicletas na estação perto da sua casa. Ele, aliás, passou por uma experiência conturbada recentemente, que gerou vários erros em sequência. Primeiro, chegou a uma estação cuja representação no mapa estava errada, que a indicava na Francisco Otaviano, quando na verdade se encontra no calçadão da praia, depois do Parque Garota de Ipanema. Depois de uma longa espera para liberar a bike por telefone, foi “premiado” com os dois freios quebrados.

“O pior é que não dava para devolver, pois devolvendo tenho que esperar 15 minutos para ser autorizado a pegar outra, que ainda por cima poderia estar com o mesmo problema”, conta. “Além disso, não há nenhuma maneira clara para eu contactar a assistência técnica e informar o problema na bicicleta, eles têm que descobrir por telepatia”.

Mas a experiência ruim ainda não havia acabado. Mais tarde, no mesmo dia, Marteletto voltou para liberar outra bicicleta, mas o sistema não o autorizou. Depois de mais um tempo no telefone, descobriu que a devolução do veículo anterior não havia sido notificada.

“Ligando para o atendimento ao cliente, descobri que ainda estavam contabilizando o uso da bicicleta porque a estação Siqueira Campos estava fora do ar devido às chuvas. Disse a eles que deveriam colocar um aviso, mas a atendente explicou que não deu tempo, já que o desligamento era recente. Mas o desligamento havia acontecido no dia anterior! Disseram-me que o que foi cobrado no cartão será devolvido, mas ainda estou no aguardo”.

Sob a ótica oficial

Apesar das reclamações, a prefeitura está avaliando o projeto como “bastante positivo”.

“Esse modelo é diferente do que existia anteriormente, e temos percebido grande aceitação entre os cariocas”, sublinha Carlos Roberto Osório, secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos. “Esperamos estimular ainda mais a utilização da bicicleta como um meio de transporte modal na cidade, disponibilizando estações concentradas em pontos estratégicos e uma tarifa de aluguel mais barata. Além disso, as novas travas e pinos de fixação reforçam o sistema de segurança, para dificultar o furto das bicicletas. Outro fator importante é que a tecnologia utilizada é muito melhor e mais eficiente”.

As estações da Bike Rio ainda se concentram na Zona Sul e pontos turísticos. A ideia é expandir para outras áreas da cidade mas, para isso, precisa aumentar a malha cicloviária.

“Estamos em fase de análise para as próximas etapas”, informa Osório. “A Prefeitura do Rio está aumentando a malha cicloviária e vamos dobrá-la até o final do ano que vem, chegando a 300 km, de forma integrada e planejada. A implantação do projeto Bike Rio, com tecnologia de ponta, vai nos ajudar a incentivar ainda mais o uso das bicicletas. Com isso, além da questão da mobilidade urbana, estamos trabalhando também em prol da sustentabilidade. Esperamos que outras cidades sigam o exemplo do Rio.”

Por Bolívar Torres – Opiniões e Notícias

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Indústrias e setor privado financiam projetos sustentáveis

As federações de indústrias do Rio de Janeiro e São Paulo e a iniciativa privada vão financiar um megaprojeto para promover projetos sustentáveis de cidades do mundo todo durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, Rio +20, que acontece em junho na capital fluminense. A ideia é que representantes municipais do planeta apresentem suas inovações tecnológicas e troquem experiências para alavancar um desenvolvimento que respeite o meio ambiente.

A reunião para tratar dos últimos detalhes da iniciativa foi fechada para a imprensa e ocorreu no Palácio do Itamaraty, Centro, na presença do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, com representantes da prefeitura do Rio, da Fundação Roberto Marinho e dos presidentes da Federação das Indústrias do Rio e de São Paulo (Firjan e Fiesp), Paulo Skaf e Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

De acordo com Patriota, o local servirá de convergência para os diferentes setores da sociedade debaterem formas de conciliar o desenvolvimento social, com o econômico e o ambiental.

“Nosso lema é desenvolver, incluir e conservar, e o Brasil tem muito a oferecer nessas três áreas. E esse espaço pode ser um local privilegiado para ilustrarmos o que está sendo feito, levantarmos questões para o futuro, além de ser uma construção provisória que coloca em evidência a beleza do Rio de Janeiro”, declarou o ministro.

O Forte de Copacabana foi o local escolhido para abrigar o projeto que está sendo mantido em sigilo até seu lançamento em março. A maquete do enorme edifício que foi apresentada no encontro deve começar a sair do papel em meados de março.

O presidente da Firjan explicou que a contribuição das indústrias para o evento será a de demonstrar ao mundo a competência brasileira de pensar o futuro.

“Precisamos trabalhar para o desenvolvimento sustentável e isso não é incompatível com a produção. É preciso estimular práticas de produção antenadas com o novo mundo”, declarou  Eduardo Eugenio.

A Rio+20 está marcada para ocorrer em junho, na capital fluminense, e deve reunir mais de 150 chefes de Estado para discutir formas de promover o desenvolvimento sustentável.  A reunião acontece exatamente 20 anos depois da conferência Eco92, também promovida pela ONU, no Rio, para debater meios de desenvolvimento sem degradar o meio ambiente.

 Edição: Lílian Beraldo

Repórter da Agência Brasil

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Lava-jato sustentável no Rio

Á água é um recurso natural finito, cujo uso requer parcimônia e muitos cuidados para evitar desperdícios. Economizar água se tornou uma verdadeira obsessão para todos os setores produtivos, governos e cidadãos. A sustentabilidade é meta de todos e para alcançá-la nem sempre é preciso partir de iniciativas dispendiosas e arrojadas. Pequenos exemplos e iniciativas, como a adotada por um posto de gasolina da Petrobras Distribuidora, no bairro Barra da Tijuca, na capital fluminense, podem ser de enorme eficácia.

Há três semanas, o posto inaugurou seu segundo serviço pioneiro no país, em termos da utilização de energia solar. Trata-se da instalação de um sistema fornecedor de água aquecida pelo sol para a lavagem de veículos. O primeiro foi o carregamento de baterias de carros elétricos, movidos a energia solar.

Essa iniciativa reduz pela metade a quantidade de detergente e em 10% o volume de água por carro no lava-jato do posto. A água que jorra das mangueiras chega aquecida, entre 45 a 50 graus centígrados. O aquecimento é feito por placas solares, fabricadas no Brasil, sem causar emissão de poluentes. A água quente desengordura melhor a superfície dos carros do que a água fria com detergente. E no processo de enxágüe, pelo fato de envolver menos detergente, gasta-se menos água.

“Essa é uma novidade tecnológica e ambiental, ao mesmo tempo”, diz Paulo da Luz Costa, gerente de tecnologia da rede de postos da Petrobras Distribuidora. “Temos orgulho de continuar na vanguarda das iniciativas ambientalmente responsáveis”, acrescenta. O investimento no sistema de água aquecida pela energia solar foi de R$ 40 mil e o retorno deverá ocorrer entre seis a oito meses, segundo ele. Sessenta carros são lavados por dia no posto. No total, o posto economiza cerca de 600 litros de água por dia.
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Foram necessárias apenas duas semanas para adequar o lava-jato à nova tecnologia. “A única mudança foi no local. As bombas têm que ser adequadas com peças de metal, no lugar das de plástico, para suportar a água quente”, explica o gerente. Os clientes estão satisfeitos com os resultados, segundo ele. “Excesso de detergente mancha a pintura”, justifica. Para lavar um carro nos moldes tradicionais, com água fria e detergente, são gastos cem litros de água, segundo pesquisa da Unicamp.

A rede de postos da Petrobras não fez propaganda a respeito do posto e serviços pioneiros. A notícia está se espalhando via boca a boca e pela mídia, segundo Paulo. Para os donos de postos de gasolina, a novidade é uma ótima solução. “A cada dia que passa, a legislação ambiental está mais exigente para com nossos clientes”, esclarece.

Empresários de postos de gasolina interessados em conhecer o sistema de aquecimento solar da água para lavagem de veículos podem ligar no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) da BR Distribuidora: 0800789001. Ou acessar o site: www.br.com.br   – Ass.imprensa Br Distribuidora : (21) 3876.5155

Vanessa Brito, da Agência Sebrae de Notícias

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ONG promove mutirão de limpeza nas Ilhas Cagarras

lhas podem ser vistas da orla da Zona Sul da cidade (Foto: Thamine Leta/G1)

O projeto Ilhas do Rio promoveu nos dias 4 e 5 de fevereiro o primeiro mutirão de limpeza das Ilhas Cagarras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Voluntários, profissionais do projeto e integrantes do Conselho Consultivo do Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MoNaCagarras) recolheram lixo e promoveram uma exposição de fotos e de amostras de animais recolhidas na região.

As três principais ilhas que compõem a unidade de conservação, Palmas, Comprida e Cagarra, terão detritos terrestres e submarinos retirados. O material recolhido será levado para o Posto 6, em Copacabana, onde, foi feito o levantamento do lixo para o reconhecimento das principais fontes poluidoras da região. A Cooperativa Popular Amigos do Meio Ambiente (Coopama) se responsabilizou pela reciclagem do material recolhido.

Nos dois dias, o projeto Ilhas do Rio promoveu no Centro de Visitantes da Colônia de Pescadores de Copacabana uma exposição fotográfica, com 40 imagens, sobre a biodiversidade e os impactos ambientais do MoNaCagarras.

A programação contou ainda com duas palestras. A primeira, “O seu, o meu, o nosso lixo”, será apresentada por Érica Sepúlveda (EcoMarapendi) e trata sobre a reciclagem. A segunda, ministrada por Fernando Moraes, tem como tema “Porque conservar o Monumento Natural das Ilhas Cagarras”. O projeto Ilhas do Rio é realizado pela ONG Instituto Mar Adentro.

Mutirão retira muita sujeira deixada nas Ilhas Cagarras (Foto: Divulgação/ONG Instituto Mar Adentro)

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