Processo de Urbanização

IGREJINHA DE COPACABANA 1906 Augusto Malta

A pintora e escritora inglesa Maria Graham, em 1824, publicou o primeiro livro que mencionava Copacabana. Em seu livro Diário de uma viagem ao Brasil, a autora faz este relato: “Depois que voltei, juntei-me a um alegre grupo num passeio a cavalo a Copacabana, pequena fortaleza que defende uma das baías atrás da Praia Vermelha e de onde se pode ver algumas das mais belas vistas daqui. As matas das vizinhanças são belíssimas e produzem grande quantidade de excelente fruta chamada cambucá, e nos morros o gambá e o tatu encontram-se freqüentemente”.[1]

DA ORIGEM AO INÍCIO DA URBANIZAÇÃO

Copacabana 1913 Foto: Marc Ferrez

A Europa no século XIX se encontrava na segunda fase da Revolução Industrial, na qual surgiram novas formas de energia como a hidrelétrica e novos combustíveis como a gasolina. Já o Brasil deixava de ser Monarquia e começava a ser tornar uma República.

Bonde puxado por burros no Arpoador Foto Marc Ferrez

No período que se estende de 1870 a 1902, representa para o Rio de Janeiro a primeira fase da expansão da malha urbana e um fator decisivo para isso, foram os bondes e os trens que possibilitaram tal feito. A primeira concessão a favor dos bondes de burro foi outorgada a Botanical Garden Railoard Company, que posteriormente viria a ser chamar Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico, uma empresa americana que teve sucesso e levou a criação de empresas similares.

Com a instalação de bondes, os bairros que ficavam perto dos eixos ferroviários, pertos de portos e ao centro da cidade tinham uma procura maior para a instalação de fábricas. Nessa mesma época surge um modelo de ideologia que vigora até hoje, a ideologia de que o estilo de vida moderno era a residência a beira mar, devido a esses fatores surge Copacabana, porque a Companhia do Jardim Botânico queria estender suas linhas até Copacabana, que na época era um local distante do centro da cidade, era um areal entre mar e morros.

Copacabana da década de 20

Praça Malvino Reis (hoje a praça Serzedelo Correia) em 1910

A Companhia do Jardim Botânico era uma empresa formada através de uma aliança de interesses centrados na valorização fundiária e imobiliária, os acionistas dessa empresa eram proprietários de terras em Copacabana, vários bancos como o Luso-Brasileiro faziam parte dessa aliança, pode-se dizer que era a elite local formando uma aliança em prol de si.

Fica clara a vontade de transformar um local de difícil acesso como Copacabana, em um local para se ter casa de veraneio.

A Companhia do Jardim Botânico decide estender suas linhas até Copacabana com o intuito de valorizar os terrenos e solicita ao então intendente da Capital da República Dr. Ubaldino do Amaral Fontoura permissão para alongar os trilhos, mas para isso teriam que fazer um túnel no Morro do Barroso, que viria se tornar o Túnel Velho.

Construção do Túnel Alaor Prata em 1892 (Túnel Velho)

A autorização para alongar os trilhos quem assina é Felix da Cunha Menezes, que ocupa o cargo deixado por Ubaldino.

Túnel Velho

Em 1892 é inaugurado o Túnel Velho, perfurado pela Companhia do Jardim Botânico, foi à primeira linha para Copacabana que tinha ponto terminal na Rua Barroso, atual Siqueira Campos.

AS LENDAS MAIS REMOTAS:

A primeira lenda que se conhece sobre Copacabana, o bairro, que já tinha este nome, conta que duas baleias, encalhadas segundo alguns, livres segundo outros, teriam aparecido na praia, no final de agosto de 1858. Entre os dias 22 e 23 daquele ano, centenas de pessoas – com o imperador Pedro II e sua comitiva à frente – deslocaram-se para vê-las.

Os mais ricos seguiam de coches, puxados a cavalo, e levavam um grande farnel barracas para se acomodarem. Outros iam a cavalo, ou mesmo a pé. As baleias não estavam mais lá, apesar disso, quem ficou na praia divertiu-se muito, num piquenique que durou três dias e três noites.

Copacabana 1872

Começou daí o namoro da população do Rio de Janeiro com aquele areal inóspito e insalubre, que em meados do século XVIII, trocara o nome de Sacopenapã (toda a região de Copacabana até a Lagoa Rodrigo de Freitas), em tupi o caminho das socós (ave pernalta, da família dos ardeídeos, muito abundante nas restingas do Rio de Janeiro), por Copacabana, mirante do azul, em quichua (nativos do Peru e da Bolívia) e, também, vem do termo aymara arcaico Copakawana e significa aquele que atira a pedra preciosa.

A ORIGEM DO NOME COPACABANA:

Copacabana ganhou esse nome, que significa “mirante do Azul”, no século XVII, quando mercadores trouxeram para o Rio de Janeiro uma réplica da Virgem de Copacabana, Na península de Copacabana, ao Sul do lago Titicaca, entre os países do Peru e da Bolívia existe uma capela onde está uma imagem da Virgem Maria, supostamente milagrosa.

Em 1770, quando regressava da África, Frei Antonio do Desterro[6] quase foi vítima de um naufrágio, próximo de onde se encontrava a capela, prometeu, então, que se sobrevivesse ergueria uma capela para a santa e assim o fez, erguendo uma capela para acolher a santa, onde hoje é o Forte de Copacabana, no posto seis e foi dedicada a Nossa Senhora de Copacabana, surgindo o nome do bairro, esta capela permaneceu no local até 1918, quando foi demolida e sua área anexada ao Forte de Copacabana.

Copacabana permaneceu longo tempo como uma Colônia de Pescadores, muito distante do Centro da cidade. Durante muito tempo o bairro permaneceu desabitado, devido ao seu difícil acesso, ele servia apenas como posto de defesa marítima.

Igrejinha de ossa Senhora de Copacabana em 1900

Jean Baptiste Debret[7], que veio ao Brasil como membro da Missão Artística Francesa, descreve, em 1834, em sua obra Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil: “Vê-se no meio da areia a pequena igreja de Copacabana, isolada num pequeno platô, mais a direita um segundo plano, formado por um grupo de montanhas, entrando pelo mar e esconde a sinuosidade do banco de areia, cuja extremidade reaparece com sua parte cultivada, tão reputada pelos seus deliciosos abacaxis.”

Entretanto, a região só foi incorporada à cidade do Rio de Janeiro em seis de julho de 1892, com a inauguração provisória do Túnel de Real Grandeza, atual Túnel Velho, cujo nome correto é Túnel Alaor Prata. Nessa ocasião, com a presença do presidente, em exercício, Marechal Floriano Peixoto[8], foi lavrada uma ata que marcou, oficialmente, o nascimento do bairro de Copacabana.

A ORIGEM DO BAIRRO:

Copacabana selvagem virada dos séc. XIX e XX

Extenso areal em Copacabana em 1890

 

Colônia dos Pescadores no Posto 6

Até o século XIX, o acesso a Copacabana era feito por duas ladeiras: a do Barroso, atual Ladeira dos Tabajaras e a do Leme; ou através de um longo percurso através da Lagoa Rodrigo de Freitas. Os primeiros proprietários do bairro foram a família Suzano e seu vizinho, o Comendador João Cornélio dos Santos donos de quase todo o Bairro. Alexandre Wagner[9], adquiriu a partir de 1873, as três chácaras pertencentes as esta família, assim como as terras de João Cornélio dos Santos : a do Boticário; a do Sobral e do Leme; que iam da Ponta do Leme até a atual Siqueira Campos.

Classificado de venda de terrenos em Copacabana e Leme

Em 1881, seus dois genros e procuradores Theodoro Duvivier e Otto Simon fundaram a empresa Duvivier & Cia. Levando avante a abertura das referidas ruas e desenvolveram o seu loteamento. Entretanto, poucos foram lá morar.

Desde os primeiros anos do século XVIII, muitas terras de Copacabana eram desmembradas em chácaras de variadas dimensões. Em 1779, Copacabana é integrada no sistema defensivo da cidade, para evitar a entrada de piratas, com a edificação de fortificações no Reduto do Leme do Forte do Vigia, no morro da Babilônia e o Reduto de Copacabana, junto a Ponta da Igrejinha. Já existiam as baterias do Inhangá do Reduto do Leme.

A Ponta do Leme em 1910

Quando Copacabana não passava de um imenso areal, havia somente um acesso por mar, até alcançar a praia com vários alagadiços onde estariam antigas tabas de índios tamoios. Em 1855, nascia a ladeira do Barroso, atual Tabajaras e seu prolongamento à Rua Siqueira Campos.

José Martins Barroso, proprietário de terras em Copacabana, mandou construir uma estrada de meia rodagem, onde pudessem transitar carruagens e cavaleiros em direção à praia, ligação que começava na Rua Real Grandeza, subindo a grota entre os morros de São João e da Saudade. Esta assim criada a segunda passagem que levava à Copacabana.

O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO:

Na década de 90, do século XIX, formou-se a Empresa de Construções Civis para lotear Copacabana. Essa empresa foi criada por Alexandre Wagner, seus genros Otto Simon e Theodoro Duvivier, junto com Paula Freitas e Torquato Tapajós. Em 1891, a empresa comprou as propriedades de Alexandre Wagner que iam das proximidades da ladeira do Barroso até o Leme, para abertura de ruas e construções de casas.

Construção do Túnel Alaor Prata em 1892 (O Túnel Velho, na realidade, guarda outras denominações cultivadas ao longo do tempo: Túnel do Barroso, Túnel Real Grandeza e, a oficial, Túnel Alaor Prata)

O Túnel Velho é construído pelo engenheiro Cupertino Cintra, considerado “o pai de Copacabana”. Possibilita assim o acesso por terra ao local. Já em 1892 a primeira linha de trem é inaugurada, o que facilita a ocupação e à integração com o resto da cidade. Em 1903, bondes já movidos à eletricidade circulam por todo o novo bairro, da Igrejinha ao Leme.

Estação da Rua do Barrozo (atual Rua Siqueira Campos)

O bonde ia até a estação, localizada na Praça Malvino Reis (atual Serzedelo Correia) e foi um grande avanço para a efetiva ocupação do bairro. Dois anos depois, o Prefeito Coronel Henrique Valadares[10] inaugurou dois novos ramais, Leme e Igrejinha (atual Posto VI), sendo as novas linhas inauguradas a 15 de abril. Onze dias depois, era lançado ao público o novo loteamento do bairro do Leme, com várias ruas já cordeadas.

Em 1904 a Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico inaugurou sua nova estação e restaurante anexo, logo arrendado à Cervejaria Brahma.

Inauguração da Cervejaria Brahma no Leme em 1906 Foto: Augusto Malta

Bar da Brahma no Leme em 1908 - Foto Augusto Malta

Tunel Novo Copa-Botafogo em 1907 (4 de março de 1906 é inaugurado oficialmente, a primeira galeria do Túnel do Leme é chamada de Túnel Engenheiro José Cupertino Coelho Cintra, homenageando o gerente da Companhia de Bondes do Jardim Botânico)

Em 1904 foram abertos os Túneis Engenheiro Coelho Cintra e Engenheiro Marques Porto, que ficaram conhecidos como o Túnel Novo e que ligava Botafogo à Rua Salvador Correia (hoje Avenida Princesa Isabel).

Ressaca de 1922 - Foto Augusto Malta

Nesse mesmo ano, o prefeito Pereira Passos inicia as obras de construção da Avenida Atlântica, que até então não passava de fundo de quintal das casas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. A Avenida Atlântica atravessa toda a orla ao longo dos Bairros do Leme e de Copacabana foi aberta em 1906, como parte da urbanização da cidade mas era bastante rústica. Ganhou melhor aparência em 1919, mas foi em parte destruída em 1920, por uma ressaca e reconstruída pelo Prefeito Carlos Sampaio[11]. Ao longo dos anos tem passado por diversos aterros, o último deles nos anos 60 e encontra-se sempre sendo objeto de aprimoramentos e de embelezamento, como um dos cartões postais mais importantes da cidade.

Avenida Atlântica em 1919

A pedreira de Inhangá é arrasada e as calçadas são revestidas de mosaicos pretos e brancos, com desenhos em ondas, trazidos de Portugal.

Desmonte da Pedreira do Inhangá para construção da piscina do Copacabana Palace

Em 1915 foi assinado pelo prefeito Rivadávia da Cunha, o decreto determinando a separação de Copacabana do distrito da Gávea, apesar de sua criação em 1892.

Outro decreto de outubro de 1917 reconhece a denominação de Praia de Copacabana, nos seus mais de quatro quilômetros de extensão, que tinha quarenta e cinco ruas, uma avenida, quatro praças, duas ladeiras e dois túneis.

Posto de Salvamento 1910

Os banhos de mar entram na moda e a Prefeitura resolve regulamentar o funcionamento dos balneários. Em 1917 o prefeito Amaro Cavalcanti[12], baixou um decreto regulamentando o uso do banho de mar:

“O banho só será permitido de 2 de Abril à 30 de Novembro das 6h às 9h e das 16h às 18h. De 1 de Dezembro à 31 de Março das 5h às 8h e das 17h às 19h. Nos Domingos e feriados haverá uma tolerância de mais uma hora em cada período.”
“Vestuário apropriado guardando a necessária decência e compostura.”
“Não permitir o trânsito de banhistas nas ruas que dão aceso às praias, sem uso de roupão ou paletots  sufficientemente longos, os quaes deverão se fechados ou abotoados e que só poderão ser retirados nas praias.”
“Não permitir vozerios ou gritos, que não importem em pedidos de socorro e que possam alarmar os banhistas.”
“Prohibir a permanencia de casaes que se portem de modo offensivo à moral e decoro públicos nas praias, logradouros e nos vehiculos”.[13]

Banhistas no verão de 1924

Depois do banho de mar matinal, todos iam beber seu copo de leite, ao pé da vaca, num estábulo da Rua Barata Ribeiro.

Banheiros públicos na Praia de Copacabana 1923

Na administração do prefeito Paulo de Frontin[14] é inaugurada a nova Matriz de Nossa Senhora de Copacabana e Santa Rosa de Lima, no local onde estava a Capela do Senhor do Bonfim (atual Praça Serzedelo Correia). Também, no mesmo ano, em 22 de julho de 1919, foi inaugurada a nova Avenida Atlântida, com pista dupla e iluminação no canteiro central, o que embelezou mais ainda a praia. Dessa época datam os primeiros edifícios de apartamentos de Copacabana e o novo Forte do Leme (atual Forte Duque de Caxias).

O Forte Duque de Caxias ( Forte da Vigia, Forte da Espia e Forte do Leme) construído entre 1776 e 1779

Forte de Copacabana construído em 1776 Foto: Lina Marano

Avenida Atlântica arborizada e com postes de iluminação em 1919 - Foto: Lopes

Avenida Atlântica com a Av. Princesa Isabel

Avenida Atlântica e os primeiros prédios

Com as facilidades de acesso ao novo bairro torna-se moda ir à Missa do Galo, na Igrejinha de Copacabana. Uma grande novidade: é inaugurado o primeiro cinema do bairro, na Praça Serzedelo Correia. Nessa época, os habitantes das cerca de 600 casas do bairro podiam divertir-se na Cervejaria Brahma, no final do ramal do bonde do Leme, e no Cabaré Mère Louise, próximo à Igrejinha, que funcionava dia e noite e lembrava um cabaré de far west.

Cabaret Mère Louise

Chalé Mèré Lousie e vizinhança ano de 1909

A ARQUITETURA:

Copacabana vista do Morro dos Cabritos, anos 20

Com a visão da Praça do Lido no Posto 2 de Copacabana, as primeiras construções de edifício multi-familiar - 1922

Copacabana é um Bairro que pode ser visto como uma síntese da cidade do Rio de Janeiro possui a beira-mar uma região mais nobre com prédios residenciais luxuosos, que vão diminuindo de importância à medida que se caminha para seu interior, possui uma periferia formada pelas: Avenida Princesa Isabel, Rua Prado Júnior e início da Barata Ribeiro; onde habita uma população de mais baixa renda em apartamentos conjugados e tem pequeno comércio, mas abriga também favelas como a do Morro do Chapéu Mangueira, no entanto possui edifícios requintados, principalmente na orla, na Avenida Atlântica, onde habita uma população de bom poder aquisitivo.

Favelização do Morro da Babilônia e Chapéu Mangueira no Leme em 1927

O conjunto arquitetônico do Rio de Janeiro, inicialmente em estilo art-déco foi imediatamente implantado em Copacabana e existem até hoje, prédios que apresentem esse estilo. Edifícios como o Itaóca na Rua Duvivier, 43, o Tuyuti, América e Caxias, Rua Ministro Vieiros de Castro, 100, 110 e 116,  expressam esse estilo até os dias de hoje, assim como o glamuroso Copacabana Pálace , inaugurado em setembro de 1923 na Avenida Atlântica, considerado o mais suntuoso edifício do gênero que possui a América do Sul e um dos mais lindos do mundo.

Copacabana Palace

O hotel tornou-se um ponto de convergência da alta sociedade carioca e, dessa forma, os terrenos vizinhos ao hotel ficaram muito valorizados.

No trecho das Avenidas Atlântica e Nossa Senhora de Copacabana, próximo a praça do Lido, ergueram-se os primeiros edifícios de apartamentos, símbolos de um bairro moderno e elegante

Copacabana fez política durante décadas, porque muitos nomes que fizeram a história do Brasil escolheram o bairro para morar: Na praça Vinte e Seis de Janeiro, atual Praça Bernadelli (mais conhecida como Praça do Lido), foi construído um pavilhão normando, em 1928, onde durante muitos anos funcionou um dos restaurantes mais elegantes da cidade, o Lido. Seus bailes de carnaval eram famosos e iam até às 11 horas da manhã.

A mansão dos Bernadelli e a Praça do Lido

Em 1931, encontravam-se construídos vários prédios de apartamentos, naquela região. Esses prédios recebiam a denominação de palacetes- atribuição equivalente à das casas isoladas, dos palacetes das classes abastadas, como forma de conferir-lhes o mesmo grau de distinção que estes e tornado-os bem aceitos.

Palacete Guinle - 1919 Foto: Augusto Malta

Edifício Itaoca anos 30

O Palacete Duvivier, de propriedade de Eduardo Duvivier; o Edifício Itaóca; o Palacete Veiga; o Palacete São Paulo, a Casa Rosada; o Palacete Oceânico, são alguns destes prédios. Os estilos arquitetônicos predominantes eram o Luís XV e o Luís XVI. Os ocupantes desses primeiros edifícios eram, geralmente, estrangeiros, que procuravam alugar os apartamentos, sobretudo na época do verão. As famílias não precisavam se preocupar com empregados, pois os encarregados dos apartamentos se incumbiam de tudo – num tipo de serviço que poderia ser considerado o precursor dos apart-hotéis, que se instalariam no bairro, e na cidade, cinqüenta anos mais tarde.

Copacabana Palace Hotel

O Copacabana Palace Hotel, com seu cassino, alçou a fama e a internacionalização do bairro. Em 1936, Noel Rosa cantava, em Tarzan, o filho do alfaiate:

Eu poso pros fotógrafos/
e distribuo autógrafos/
a todas as pequenas lá da praia de manhã. /
Um argentino disse, me vendo em Copacabana: /
no hay fuerza sobre-humana/ que detenga este Tarzan!

Havia outro cassino no bairro, inaugurado dois anos antes, o Atlântico, edificado onde antes era o Mère Louise (no futuro, estaria ali a TV Rio e, hoje, o Sofitel Rio Palace Hotel). Os cassinos atraiam personalidades do mundo todo até o dia 30 de abril de 1946 quando o presidente Eurico Gaspar Dutra baniu os jogos do país.  O Copacabana Palace Hotel teve a glória de hospedar reis, imperadores, príncipes, presidentes do Brasil e de vários países, marajás da Índia, intelectuais, cientistas, artistas de todo o mundo e figuras respeitadas das mais diversas categorias.

Cassino Atlântico no Posto 6

Começa a circular, em Copacabana, os ônibus da Light, em 1931. Por essa época, nos seus arranha-céus já existiam apartamentos de aluguel por temporada, destinados a estrangeiros e turistas que vinham ao Rio de Janeiro passar o verão na praia. O edifício Palácio Império, na revista O Cruzeiro, anunciava apartamentos mobiliados, restaurante e garagem. Em 1938, na administração do prefeito Henrique Dodsworth, são concluídos os trabalhos de corte do morro do Cantagalo, ligando Copacabana à Lagoa Rodrigo de Freitas.

AS RUAS DE COPACABANA

Todas as ruas de Copacabana têm os seus nomes ligados diretamente a historia de alguma personalidade do lugar como é o caso de algumas das ruas abaixo que analisamos:

A Ladeira dos Tabajaras teve origem em meados do século XIX, D. Pedro costumava passar por uma trilha conhecida como “caminho do boi” para encurtar o percurso entre o Jardim Botânico e a região litorânea. Por obra de José Martins Barroso, em 1855, a trilha logo se transformou na primeira estrada de meia rodagem ligando os bairros de Copacabana e Botafogo. Em homenagem ao seu fundador, o caminho passou a se chamar Ladeira do Barroso. Apenas 62 anos mais tarde é que o nome Ladeira dos Tabajaras veio a ser adotado, como uma homenagem aos índios Tabajaras. Essa tribo vinda do nordeste habitava os morros de São João e da Saudade, ambos cortados pela Ladeira.

Já a Travessa Santa Margarida inicialmente denominada Rua Dona Margarida, em homenagem à Dona Maria Margarida Barroso, esposa de José Martins Barroso, proprietário de terras em Botafogo e responsável pela construção de um melhor acesso à Copacabana, em 1855. O terreno em que foi aberta a travessa pertencia ao casal.

A Rua Santa Clara, inicialmente só existia no trecho entre o mar e a Rua Tonelero, tendo sido aberta por um grupo de proprietários de terras locais. Chamava-se Rua de Santa Clara, mas com o tempo viria a ser apenas Rua Santa Clara. O nome em homenagem à santa, deve-se à influência da colonização portuguesa na ocupação do bairro.

A Rua Décio Vilares é uma homenagem a Décio Rodrigues Vilares, que nasceu no Rio de Janeiro em 1851. Cursou Belas-Artes e partiu em seguida para a Europa onde realizou algumas exposições. Em 1974 retornou ao Brasil e algumas de suas telas podem ser vistas no Museu Nacional de Belas-Artes, como os retrato de Benjamim Constant e do marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.

A Rua Maestro Francisco Braga, é uma referencia a Antônio Francisco Braga nasceu no Rio de Janeiro em 1868. Por intermédio de bolsa de estudos, foi estudar composição em Paris. Retornou ao Brasil em 1900. Foi compositor sinfônico, regente de orquestra e professor do Instituto Nacional de Música.

A Praça Edmundo Bittencourt resguarda a memória de Edmundo Bittencourt nascido em 1866, na cidade de Santa Maria da Boca do Monte no Rio Grande do Sul. Foi fundador e diretor do jornal Correio da Manhã que foi um dos veículos de maior expressão das primeiras décadas do século XX. Faleceu aos 77 anos no Rio de Janeiro.

No caso da Praça Vereador Rocha Leão, é uma homenagem a Antônio da Rocha Leão que nasceu no Rio de Janeiro, em seis de setembro de 1877. Foi membro da Câmara Municipal do Rio de Janeiro e líder de governo do então Prefeito Ernesto Batista. Faleceu em 12 de julho de 1952, no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro como Vitrine:

O jornal O Globo noticiava em 29 de janeiro de 1954[15]

“Desde 1935, quando foi inaugurado o Cassino Atlântico, o Posto Seis, em Copacabana, tem sido um dos pontos de maior animação carnavalesca da capital da República. Atualmente, transformado em sede da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), o edifício da esquina da Avenida Atlântica com a Rua Francisco Otaviano continua mantendo a tradição de baluarte da alegria carnavalesca. Há duas semanas vêm realizando em sua boate os movimentados bailes “Sassaricadas” (das 14h às 20h), os quais terão prosseguimento, todos os sábados, até o carnaval”.

Praça do Lido 1948

Nas décadas de 1940 e 1950, o processo de urbanização de Copacabana se intensificou, ainda mais quando em 1946 houve a liberação para construção de prédios de 8 para 12 andares. Em 1950, Copacabana já é independente do Centro da Cidade, atraíra para si centros de comércio e lazer, se firmando como um centro urbano.

Túnel Major Rubem Vaz inaugurado em 1962 , ligando às ruas Tonelero e Pompeu Loureiro, facilitando, assim, o acesso pelo Corte de Cantagalo (Avenida Henrique Dodsworth) aos bairros situados ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas. Na travessia do maciço do Morro dos Cabritos seus 220 metros de extensão e 18 metros de largura são servidos por quatro faixas de tráfego. A construção foi executada em tempo recorde, durante apenas seis meses por iniciativa do Governo Carlos Lacerda (1960-1965)

Entre os anos de 1945 e 1965 a população do bairro dobrou. No período de 1960/1970 importantes obras foram feitas, como a construção dos túneis das ruas Tonelero (Túnel Major Rubens Vaz) e Rua Barata Ribeiro (Túnel Prefeito Sá Freire Alvim).

Túnel Prefeito Sá Freire Alvim (homenagem ao prefeito que o concluiu) , inaugurado em 31 de janeiro de 1960, atravessa o maciço do morro do Cantagalo, ligando à rua Barata Ribeiro à rua Raul Pompéia em sentido único, voltado para o Posto 6,

Em 1970 foi a vez da Avenida Atlântica: aterrada, ganhou um largo canteiro central e o calçadão no lado edificado da rua, com projeto paisagístico de Burle Max.

calçadão da Avenida Atlântica (atualmente)

Avenida Nossa Senhora de Copacabana (atualmente)

 

CONCLUSÃO:

Areal de Copacabana no início do sec. XX na alt. da atual Siqueira Campos

Embora o namoro da população com Copacabana date do séc. XVIII, a região ficou isolada entre o mar e o maciço costeiro até fins do séc. XIX.

Por muito tempo Copacabana foi habitada apenas por humildes pescadores que viviam em palhoças. Porém as companhias de empreendimentos imobiliários já vislumbravam o futuro promissor da região. Foi o progressivo entrelaçar desses loteamentos que deu o aspecto geometricamente ordenado às suas ruas.

Posto 6 em1903

No começo da década de oitenta do séc. XIX os ares terapêuticos e a tranqüilidade e beleza da região eram divulgados aos quatro cantos como atrativos para seu povoamento.

A “princesinha do mar” foi criada para abrigar casas de veraneio para a população de status elevado, tornando-se elegante e aristocrático bairro residencial da então capital da República.

Para proporcionar conforto aos ilustres moradores, além de torná-la mais atrativa, a região passou por um processo de urbanização com a implantação de redes de água e esgoto, iluminação pública e a expansão dos bondes.

A casa branca da Família Duvivier

Essas reformas foram realizadas mesmo que em detrimento de outras áreas da cidade mais povoadas.

Não havia por parte do Estado exigências para a construção dos imóveis, deixando os novos proprietários livres para ocupar o território. Por isso Copacabana é tida como um bom exemplo da transformação da cidade em objeto de lucro a partir de fins do séc. XIX.

Sua participação na vida política do país começou cedo, quando a área ainda não passava de um imenso areal deserto. A intelectualidade da época, 1905, reunia-se na casa de Afrânio de Melo Franco para discutir política nacional e internacional. Dessas reuniões saíram até mesmo futuros presidentes da república.

Sempre um pólo lançador de novidades a aviação brasileira encontrou em Copacabana um excelente lugar para decolagens devido à imensa faixa de areia.

Os primeiros edifícios de apartamentos surgidos em 1919, chamaram atenção da classe média carioca.

Edifício Ferrini em 1932 (demolido)

Edifício Guarujá

Na década de 40, Copacabana se firmou como bairro chique e de vida noturna animada, já podiam ser encontrados no bairro, ônibus circulando e apartamentos para alugar por temporada. Seus cassinos dominavam as noites cariocas e mesmo com a proibição do jogo no Brasil a boêmia não sai de Copacabana mudando apenas de divertimento.

Década de 50

A indústria automobilística brasileira pode contar com um grande mercado consumidor em Copacabana, graças ao alto padrão econômico da população. Toda a classe média queria morar em Copacabana.

Hoje, porém Copacabana, em estado deplorável de decadência. O rápido surgimento e crescimento contrastam agora com muita pobreza e violência.

Sua história alterna momentos de glória e luxo com momentos de decadência e abandono e pode ser confundida com a história do maravilhoso Hotel Copacabana Palace que também já foi do luxo total ao abandono e hoje tem se reerguido. Assim é Copacabana.

Paredão de edifícios ano de 1960

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

http://www.rio.gov.br/ipp

http://www.brevescafe.oi.com.br/cornelio_hist.htm

Jornal O Globo – Janeiro, Março e Maio de 1954. (Acervo da Biblioteca Nacional)

VIOTTI, Emília da Costa. Momento Decisivo. In VIOTTI, Emilia da Costa. Da Monarquia a Republica. 7ª edição. UNESP.

CORREIA, Roberto Lobato. O Espaço Urbano. 4ª edição. Editora Ática, 2005.


[1] Lady Maria Dundas Graham Callcot (Inglaterra, 20 de fevereiro de 1782-1842) conhecida no Brasil como Maria Graham, foi uma escritora britânica de literatura de informação e infantil, além de notável pintora, desenhista e iustradora. Esteve tres vezes no Brasil .

[2] Estilo artístico desenvolvido na Europa a partir do final do século XIX. O estilo Art. Nouveau é caracterizado pela sua ruptura com as tradições que até então persistiam excessivamente na arte e na arquitetura. Tratou-se de um estilo novo voltado para a originalidade da forma, de modo que era destituído de quaisquer preocupações ideológicas e independente de quaisquer tradições estéticas O termo art. déco, de origem francesa refere-se a um estilo decorativo que se afirma nas artes plásticas, artes aplicadas (design, mobiliário, decoração etc.) e arquitetura no entre guerras europeu

[3] Oscar Niemeyer Soares Filho é um arquiteto brasileiro nascido no Rio de Janeiro. Formou-se na Universidade do Brasil em 1935. Trabalhou com o muito conceituado arquiteto Suíço, Le Corbusie, no revolucionário desenho do edifício dos Ministérios da Saúde e da Educação brasileiros, que ficou terminado em 1936.  Entre muitos edifícios que Niemeyer desenhou estão a Igreja de São Francisco que tem uma estrutura tão radical que a sua consagração foi atrasada até 1959, embora a Igreja tivesse sido terminada em 1943

[4] Francisco Pereira Passos (Piraí, 29 de agosto de 1836 – 12 de março de 1913) foi um engenheiro brasileiro e prefeito da cidade do Rio de Janeiro entre 1902 e 1906, nomeado pelo presidente Rodrigues Alves.

[5] José de Cupertino Coelho Cintra (Pernambuco, 15 de setembro de 1843 – Rio de Janeiro, 12 de agosto de 1939, engenheiro brasileiro .Bacharelou-se em Matemáticas e Ciências Físicas e Naturais, em 1865, pela Escola Central, hoje Faculdade Nacional de Engenharia.

[6] Antônio Malheiros Reimão (Frei Antônio do Desterro Malheiros) (f.1773), português, beneditino (OSB), foi o sexto bispo católico do Brasil.

[7] Debret, Jean-Baptiste (1768-1848), pintor francês que esteve no Brasil com a Missão Artística Francesa, nasceu em Paris, a 18 de abril de 1768 e faleceu na mesma cidade a 11 de junho de 1848 de Janeiro.

[8] O Marechal Floriano Vieira Peixoto era vice-presidente e entrou no lugar de Deodoro da Fonseca, que renunciou ao cargo após oito meses de mandato. Muitos políticos e militares se levantaram contra o governo de Floriano porque a Constituição determinava novas eleições em caso do presidente sair antes de dois anos de mandato. Floriano reprimiu de forma enérgica a oposição e movimentos que queriam restaurar a monarquia. Ele entrou para a história como o “Marechal de Ferro”.

[9] Alemão, capitalista e grileiro Wagner comprou a 07 de maio de 1873 todas as terras da família Suzano e de seu vizinho, o Comendador João Cornélio dos Santos, tornando-se único proprietário dos chãos que iam do morro do Leme até a Pedra do Inhangá. Wagner abriu diversas ruas em suas terras, doando-as à municipalidade em 1874.

[10] Henrique Valadares (1852-1903) nasceu no Piauí. Fez longa carreira nas fileiras do Exército, tornando-se oficial e engenheiro militar.

Foi nomeado prefeito do Distrito Federal em junho de 1893 pelo presidente Floriano Peixoto (1891-1894). Em sua gestão procurou reorganizar as repartições municipais e sanear as finanças da prefeitura. Deixou o cargo em dezembro de 1894.

[11] Carlos César de Oliveira Sampaio (Rio de Janeiro, 13 de setembro de 1861 – Paris, 18 de setembro de 1930). foi um político e engenheiro brasileiro.

Diretor da Port of Pará, da Estrada de Ferro Madeira – Mamoré, e das Docas da Bahia. Representou o Brasil na I Conferência Financeira Pan -Americana, em Washington (1920). Realizou o arrasamento do morro do Senado. Participou da operação “Água em Seis Dias” (1889) e das obras de abertura da Avenida Central, futura Avenida Rio Branco. Como prefeito do Distrito Federal (Rio de Janeiro), (1920-22), realizou obras importantes.

[12] Amaro Bezerra Cavalcanti, (15/8/1849 – 28/1/1922) Diretor do Liceu do Ceará, Inspetor Geral de Instrução Pública   Presidente da Companhia de Navegação do Rio das Velhas, Ministro Plenipotenciário no Paraguai, Ministro da Justiça e Negócios Interiores, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Senador 1890 a 1894,  Prefeito  -1917 a 1918  Deputado Federal  – 1897 a 1897 Vice-governador  Deputado  – até 1891

[13] Decreto de 1917 baixado pelo prefeito Amaro Cavalcanti

[14] André Gustavo Paulo de Frontin (Raiz da Serra de Petrópolis, 17 de setembro de 1860 – 15 de fevereiro de 1933) foi um político e engenheiro brasileiros. Foi senador, prefeito do Distrito Federal (Rio de Janeiro) e deputado federal. Ganhou notoriedade ao multiplicar o abastecimento de água na cidade do Rio de Janeiro num prazo recorde de uma semana, num empreendimento que ficou conhecido com Água em Seis Dias. Como prefeito realizou obras importantes, como o alargamento da Avenida Atlântica, em Copacabana, e a construção das avenidas Niemeyer e Delfim Moreira, ambas na zona sul da capital fluminense.

[15] Acervo da Biblioteca Nacional (RJ)

PROCESSO DE URBANIZAÇÃO EM COPACABANA NO RIO DE JANEIRO

Autores: Danielle Paixão Louredo, Ana Carolina Galvão, Ana Carolina Pita da Silva e Paula Cristina de Negreiros.

Trabalho apresentado a disciplina História do Rio de Janeiro I do Instituto de Humanidades da Universidade do Grande Rio Prof. José e Souza Herdy como requisito parcial para 2ª Avaliação do curso de Licenciatura Plena em História, sob orientação do ( Profº Gil Vicente).

DUQUE DE CAXIAS, 2008.

FOTOS: FOI UM RIO QUE PASSOU

Imagem Nossa Senhora de Copacabana

14 Respostas para “Processo de Urbanização

  1. “O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO:
    Na década de 90, do século XIX, formou-se a Empresa de Construções Civis para lotear Copacabana. Essa empresa foi criada por Alexandre Wagner, seus genros Otto Simon e Theodoro Duvivier, junto com Paula Freitas e Torquato Tapajós.”
    ……
    A citação a “Paula Freitas” no trecho acima é um desrespeito a uma das mais marcantes figuras da engenharia nacional da época, o Engenheiro e Professor Antonio Paula Freitas – pois sugere que seria uma senhora…
    Da mesma forma, a omissão da rua Paula Freitas, do rol das mais tradicionais do bairro é imperdoável! Já que tem interesse na história do bairro, conheça um pouco do currículo do patrono dessa via:
    ANTONIO DE PAULA FREITAS
    Antonio de Paula Freitas, irmão mais velho de Alfredo de Paula Freitas, nasceu no Rio de Janeiro em 10 de janeiro de 1843 e faleceu em 18 de março de 1906. Era doutor em Ciências Físicas e Matemáticas pela antiga Escola Politécnica, Engenheiro Geógrafo e Civil e professor catedrático por quarenta anos da mesma Escola onde também se formara. É considerado um dos introdutores da técnica do concreto armado no Brasil, que conheceu em 1904 quando estudou na Sorbonne (Paris), e a viu ser utilizada pela primeira vez no país em obras públicas em 1907, quando da construção dos canais do Porto de Santos pelo engenheiro Saturnino de Britto. Figura de destaque em atividades profissionais e acadêmicas no reinado de D. Pedro II, era Oficial Menor da Casa Imperial e Cavalheiro da Ordem da Rosa e recebeu também a Medalha Hawshaw, honraria de origem inglesa atribuída a quem se destacasse por trabalhos acadêmicos na área da Engenharia. Foi fundador e membro do Conselho Diretor do Clube de Engenharia, membro do Instituto dos Engenheiros civis de Londres, membro da Sociedade Francesa de Higiene, membro da Diretoria do Congresso Científico Latino-Americano, fundador e membro da Administração do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entre outras atividades
    Em 1903, foi escolhido para intendente municipal, e logo após foi eleito presidente do Conselho do Instituto Politécnico Brasileiro, criado em 1862 durante o regime imperial e que seria a primeira associação de engenheiros do país
    Foi também presidente da “Empreza de Construções Civis” de Alexandre Wagner e seus genros Otto Simon e Theodoro Duvivier, pioneiros no desenvolvimento de Copacabana na segunda metade dos anos 1800 e à qual pertencia praticamente metade da área então denominada Sacopenapan (Copacabana).Foi o responsável pelo projeto e obras de arruamento do bairro, em 1894 e homenageado com seu nome dado à antiga rua Itororó.
    São de sua autoria os projetos e a construção de vários prédios históricos na cidade do Rio de Janeiro, como o imóvel-sede da Imprensa Nacional Geral e o do Tesouro Nacional, já demolidos, e o do Correio Geral na rua Primeiro de Março.

    Destaque ainda para o edifício projetado em 1880 para sediar a Faculdade de Medicina, cuja pedra fundamental foi lançada em 12 de fevereiro de 1881 pelo próprio Imperador D. Pedro II. As obras, porém, sofreram paralisações e somente foram concluídas em 1908, após seu falecimento, quando o prédio foi utilizado como pavilhão do Brasil na Exposição Internacional comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos. No momento é ocupado por repartições do Ministério da Agricultura.
    Durante mais de vinte anos foi engenheiro da Igreja da Candelária, sendo responsável pelo projeto e construção das duas sacristias laterais, em 1877 e pelo desenho e colocação – em colaboração com Heitor de Cordoville – do novo revestimento interno em mármore italiano, além da instalação das belíssimas portas em bronze, em 1901.

  2. Luiz Felipe Kok Sa Moreira F

    …corrigingo, Alexandre
    Wagner,era húngaro e não alemão! Comprou as terras e não era grileiro

    • O Engenheiro Antonio Paula Freitas foi presidente da “Empreza de Construções Civis” de Alexandre Wagner e seus genros Otto Simon e Theodoro Duvivier, pioneiros no desenvolvimento de Copacabana na segunda metade dos anos 1800 e à qual pertencia praticamente metade da área então denominada Sacopenapan (Copacabana), e não um dos sócios do trio. Foi o responsável pelo projeto e obras de arruamento do bairro, em 1894 e homenageado com seu nome dado à antiga rua Itororó.

  3. Sou nativo do lugar, morador na Avenida Atlântica e não compartilho dessa visão derrotista… O bairro sofreu as naturais ações do tempo comuns a todos, socialmente não difere muito de nenhum outro do mundo, seja em Nova Yorque, Londres ou outra grande capital do planeta. Essa é umauma visão elitista…

  4. Bom trabalho, mas esqueceu de um importante personagem de Copacabana, que inclusive dá nome da uma das mais conhecidas ruas do bairro: o engenheiro Antonio de Paula Freitas. que foi presidente da Empreza de Construcções Gerais e autor e executor do projeto de

    arruamwento arruamento do bairro

    • Estou escrevendo um livro sobre os grande proprietários de terras no bairro de Copacabana..

      • Simonides A Junior

        Quando irá publicar seu livro sobre os grandes proprietários de terras em Copacabana? E tenho interesse especialmente ladeira dos Tabajaras…

  5. Boas noites:

    Legal o blog!
    Principalmente as fotos antigas…
    Nota se como COPACABANA mudou; em tais primórdios – deveria ser bom/tranquilo o bairro_há tempos é o caos mesmo.
    Também sou do RJ, só que resido no sul há tempos: uma parte da minha familia se originou no tal bairro_morou am algumas regiões/ruas. E recordo que ia neste quando menor…
    Achava incrível um prédio na AVENIDA ATLÂNTICA (no LEME) que estava VERGANDO/INCLINANDO (quase acertando uma construção ao lado), pois parece que o terreno estava cedendo/afundando. Imagino que deva existir algo moderno neste (tal história era da década de 80).
    E sobre o nome do bairro_recordo que no SEM CENSURA (2005), uma pessoa abordou tal coisa (acho que era o bairro inclusive): mencionando tal NOSSA SENHORA DE COPABACANA (que tem a ver com um país latino americano_e origem indígena/nativa).
    E caso volte à cidade e principalmente ao bairro_talvez fique até PERDIDO.

    Saudações CARIÚCHAS,
    Rodrigo Rosa

    • Olá Rodrigo Rosas,

      Quem realmente, conheceu o bairro de Copacabana de outros tempos consegue fazer a comparação atual. Copacabana foi construído em cima de um areal. Por debaixo de todos os prédios existe ainda muitas camadas de areias e pedaços de pedras dos morros que foram demlidos, como é o caso da pedra de inhangá, foi por isso que o tal prédio do Leme inclinado não deve ter tido uma fundação adequada. Quanto a história do bairro. eu coloco quatro questões fundamentais do que é hoje o bairro, A DESCOBERTA, A INVASÃO PELA ELITE IMPERIAL, O DECLÍNIO DE UM MITO E ASSASSINATO DE UMA MEMÓRIA URBANÍSTICA E CULTURAL, que na visão dos viajantes estrangeiros dos séculos passados, era um paraíso.assim como o estado e a cidade do Rio de Janeiro da época dos Tupinambás.. Quando criança, pude constatar a areia bem branca e a água do mar limpíssima, mesmo havendo muitas construções de espigões. Quando você puder, dê uma lida nas crônicas do Rubem Braga de 1954, AI DE TI, COPACABANA, e faça uma análise de cada linha do poema, que só assim, os que criticam o bairro, poderão entender toda a dinâmica e o profético aviso do autor.
      De resto, o nome de Copacabana, veio do altiplano dos Andes, entre Peru e Bolívia, que se deveu a uma cidade do tempo dos incas, até antes, os Aymarás, que consideravam a sua cidade sagrada, e o nome da santa, tem a ver, com os jesuítas espanhóis e a congregação mariana.
      .

  6. i found your blog when i was looking for a different sort of information but i was very happy and glad to read through your blog. the information available here is great. lista de email lista de email lista de email lista de email lista de email

  7. Claudio

    A ideia foi boa, mas o pedaço que diz: “Hoje, porém Copacabana, em estado deplorável de decadência.” Mostra que faltou ao trabalho a isenção, que é a maior qualidade do bom pesquisador.
    Achar que Copacabana está em estado deplorável de decadência é como achar que a capital do Brasil é Buenos Aires. Que pesquisa ingênua foi essa?

    • Claudio, acho que você não é morador de Copacabana. Se fosse, não me questionaria. A visão do que foi e do que é agora, quem sabe, só aqueles que são efetivamente nativos do lugar.

      • Claudio Duvivier Filho

        De um modo geral a pesquisa está muito boa. Há algumas inconsistências quando confrontadas com a documentação que possuo. Por exemplo, a linha de bondes de Copacabana teve como proprietário da concessão antes da Botanical Garden, Theodoro Maria Luiz Gonzaga Duvivier, que face às perdas financeiras que teve com o Ensilhamento não conseguiu comprir os exíguos prazos do cronograma de obras contidos no edital de licitação, e após processo judicial, perdeu a concessão. Outros tempos. Muitos detalhes estão mais conforme a mídia da época que batalhava por interesses de diferentes facções políticas e econômicas do que na realidade dos fatos. Espero conseguir um dia desse expor em Copacabana os documentos que possuo sobre sua história, para o conhecimento de seus moradores e amantes e historiadores. Quanto à decadência do bairro, estes processos são naturais, entretanto devido à excelente localização do bairro, acho que assistiremos nos próximos anos seu renascimento. Na mesma medida em que assistiremos a lenta decadência da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, processo também natural. Esta ocorrência está ligado a especulação imobiliária e a superocupação dos espaços, e é inevitável dada a força dos interesses econômicos. Quando isso ocorre às classes mais abastadas mudam-se. Como a faixa litorânea do Rio de Janeiro tem como seu último espaço disponível Barra e Rerceio, só resta a indústria imobiliária do município, a restauração dos espaços nobres degradados, tal como vem ocorrendo com o Porto Maravilha. Com a futura valorização imobiliária que inevitavelmente vai ocorrer nos anos vindouros em Copacabana, vamos assistir a mudança do perfil social de seus moradores tal como ocorreu em Nova Yorque e Paris nos bairros restaurados.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s