PAINEIS E MURAIS EM MOSAICO

PAULO WERNECK

O Muralista Paulo Werneck (1907-1987), naceu no Rio de Janeiro em 28 de julho. Foi pintor, desenhista e ilustrador de livros infantis e colunas políticas de diversos jornais. Autodidata, Paulo Werneck introduziu no Brasil a técnica do mosaico. Contribuiu com seus murais para projetos de arquitetos como Oscar Niemeyer, Marcelo, Milton e Maurício Roberto.

Fez seus primeiros paineis em mosaico no terraço-jardim do Instituto Resseguros, projeto dos arqutetos MMM Roberto. Dentre, os paineis realizados destacam-se os localizados nos edifícios Ministério da Fazenda, Seguradoras, Marquês de Herval, Banco Boavista, no Rio, na Igreja São Francisco de Assis, na Pampulha, e no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Com mais de 300 paineis em prédios e residências, em todo o país, Paulo Werneck foi incansável colaborador do modernismo.

Como ilustrador, Paulo Werneck publicou duas lendas brasileiras – Negrinho do Pastoreio (1941) e Lenda da Carnaubeira (1939). Esta última foi também publicada nos Estados Unidos pela editora Grosset & Dunlap (1940)

Rua Décio Vilares

Dois paineis que revestem a portaria do Edifício Residencial José Torquato Praxedes Pessoa, localizado a rua Décio Villares nº 52, no Bairro Peixoto, é possível apreciar uma obra altamente significativa por sua beleza plástica. M. DECRETO 27.651/2007, DE 06/03/2007

Rua Anita Garibaldi

Como não poderia deixar de ser, Paulo Werneck  participou ativamente do período de verticalização de Copacabana, ali pelas décadas de 50/60. É possível identificar obras de sua autoria na fachada frontal térrea do Edifício  Residencial Arapehy, a rua Anita Garibaldi, n° 5, esquina com Av. N. Sra. de Copacabana. M. DECRETO 27651/2007, DE 06/03/2007

Edifício Maracati

Edifício Maracati

Edifício Maracati, 1949

Dois paineis localizados da portaria de edifício residencial Maracati, Rua General Ribeiro da Costa, nº 190 no bairro do Leme. M. DECRETO 27651/2007, DE 06/03/200

Edifício Ocoporan

Dois paineis localizados no térreo do Edifício Residencial Ocapuran, um na fachada frontal e o outro no interior da portaria, na Rua Dias da Rocha, n° 12. M. DECRETO 27651/2007, DE 06/03/2007

Agência do Banco do Brasil

Localizado na sala de reuniões e no espaço de atendimento a clientes da agência do Banco do Brasil, a Av. N.S. de Copacabana, nº 1292. M. DECRETO 27651/2007, DE 06/03/200.

É importante, no entanto, ressaltar um caso exemplar que merece ser lembrado.

Ao proceder a uma reforma das instalações, o gerente geral encontrou por trás de uma parede forrada de gesso uma obra-prima assinada por Paulo Werneck. Seu tirocínio logo o fez perceber que se tratava de um painel de grande importância histórica, artística e estética.

Moema Branquinho

Moema Branquinho significa hoje, no Brasil, uma das principais expressões da arte do mosaico, tanto em sua vertente criativa e construtiva quanto no que diz respeito à docência e à pesquisa.

Filha dos artistas plásticos José César Branquinho e Maria Teresa Vieira, Moema cresceu à luz das pinturas da mãe e das esculturas do pai, realizadas no ateliê da Rua da Carioca, no Centro do Rio de janeiro, que foi, durante décadas, um templo das artes em suas expressões múltiplas: cerâmica, serigrafia, xilogravura, cimento, pedra sabão, gesso, enfim, todas as modalidades visuais e outras mais. Inquieta desde sempre, Moema frequentou primeiramente a Escola de Artes Visuais do Parque Lage

Com seus alunos preparou um painel para o interior da Agência de Correios e Telégrafos de Copacabana (próximo á Rua Siqueira Campos), reproduzindo na parede interior do pavimento térreo os desenhos clássicos do piso de pedras portuguesas da Avenida Atlântica. É uma peça de identificação muito pertinente, até porque o mosaico pavimentar da Avenida é um símbolo internacional do bairro.

Paineis de autores desconhecido

O caso do painel da Rua Paula Freitas é intrigante. O único artista “Catelli” que se encontra registro é o de Júlio Catelli, autor de uma escultura exótica em aço, avançadíssima para a época, no patamar superior do monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo.

Seria ele o Catelli do painel em mosaico? A resposta é muito difícil, até porque os desenhos do mural são modestos enquanto a obra no Monumento dos Pracinhas é complexa. Junto ao nome de Catelli há, em menor destaque, o nome do executor, o mosaicista Paulo Fonseca. Ora, PauloFonseca foi um artista dos anos 50 que se associou ao artista José Moraes na realização de vários painéis em mosaico. Uma das mais importantes peças da dupla foi a execução de uma pintura de um cavalo pintado por Portinari- que foi reproduzida em centenas de peças de mosaico ora para um lado, ora para outro, na parede frontal do Edifício Jockey Clube de Juiz de Fora.

Ocorre que Paulo Fonseca foi apenas executor de mosaicos. Nunca criou sua própria arte. E já morreu. Se estivesse vivo, provavelmente poderia explicar quem foi Catelli e situar sua importância nas artes plásticas. Enfim, parece um caso perdido, salvo se filhos ou netos do artista Catelli se interessem no resgate da sua obra.

Na rua Santa Clara, bem pertinho da esquina da Barata Ribeiro, há um painel que, destaca-se dos demais pela linha apurada de seu desenho modernista É uma peça figurativa que guarda a elegância de quem sabia e dominava o traço gracioso daquele período.

O painel está na parede da portaria, já no interior do prédio, mas as portas mantém-se fechadas sobre vidros blindex fumé. Pela manhã, a visibilidade é escassa do lado da rua, mas à noite as luzes internas permitem apreciar de fora para dentro a beleza da peça, guardada a distância necessária à justa privacidade dos moradores.

No Supermercado Pão de Açúcar no Posto 5, vai se deparar com um painel muito sugestivo ornando … uma rampa de garagem no prédio anexo. Na parede lateral da rampa que sai da garagem subterrânea. A obra mostra barcos e coqueiros. Não tem assinatura, mas até mesmo por seu estado de preservação, dá pra perceber que é trabalho de profissional. Só que não há indicação de autoria, nem mesmo iniciais.

Os pontos de interrogação atingem ainda um prédio residencial da Rua Figueiredo Magalhães, onde na parede do hall de entrada do prédio surge um painel em mosaico, de execução difícil, reproduzindo nas pastilha a tela de um pintor que retratou o Passeio Público do Rio de Janeiro ainda no período do Império.

Ainda em Copacabana, bem atrás da entrada do Metrô na Rua Xavier da Silveira, um edifício de apartamentos abriga um mural com as iniciais PVF exibindo um desenho de peixes, tema que parece uma constante em outras peças do bairro.

Fonte: MOSAICOS DO BRASIL, apresentados por Gougon, jornalista, mosaicólogo


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