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Terreno de R$ 30 milhões em Copacabana

Em 1927, projeto de Júlio de Abreu Júnior foi construída em Copacabana a primeira casa de volumes puros do Rio de Janeiro, o atual consulado austríaco, na avenida Atlântica

A área mais desejada do Rio de Janeiro para o setor hoteleiro ganhou um novo espaço para construção: fica em plena Avenida Atlântica, de frente para o mar de Copacabana. O governo da Áustria colocou à venda sua propriedade de mil metros quadrados por R$ 29,8 milhões. Desocupada desde 2009, quando o governo austríaco decidiu manter só a embaixada em Brasília, a casa que ocupa o terreno não é tombada pelo Iphan, o que vai permitir que o empreendedor que adquirir o imóvel construa um prédio em seu local, espera Roberta Oncken, gerente de negócios da Jones Lang LaSalle Hotels, empresa responsável pela intermediação do negócio entre os empresários brasileiros e o governo austríaco.

Apesar de pequeno, especialistas dizem que é possível construir no terreno um hotel de 60 quartos ou até 90 quartos. Mas seria necessário ser um empreendimento de cinco estrelas para trazer algum retorno.

Segundo Eduardo Costa, diretor de planejamento e novos negócios da Performance Empreendimentos Imobiliários, empresa que desenvolve a maior parte dos projetos da Accor no Rio, o terreno é considerado pequeno para um grande hotel mas, por ter uma localização muito boa, ele provavelmente ganhará uma construção. No entanto, a sua viabilização exige um estudo detalhado e um projeto bem estruturado.

“Tive acesso a um estudo que mostrava que lá caberiam entre 80 e 90 quartos de 24 metros quadrados. Isso, em tese, é classificado como um hotel quatro estrelas”, explica o diretor. “Mas dependendo da decoração e, claro, do serviço, é possível entregar um produto cinco estrelas”.

Costa explica que, no Rio, alguns hotéis chamados de cinco estrelas possuem quartos menores do que o padrão internacional e que é razoável, com um bom acabamento chamar este novo hotel de cinco estrelas.

Além disso, ele explica que outro tipo de hotel não se viabiliza no local. “Se a gente considerar o preço de R$ 30 milhões o terreno e dividir por 90 quartos, para facilitar a conta, só do terreno a cota parte por quarto é de R$ 330 mil. Para se viabilizar um quatro estrelas, teria que cobrar diária entre R$ 560 e 600”, detalha o executivo. Com isso, segundo ele, o investimento máximo seria de R$ 600 mil, porque “em hotelaria, existe uma conta mágica que diz que o custo do quarto pode ser, no máximo, mil vezes sua diária”. Com isso, nos cálculos de Costa, tirando o terreno só sobrariam R$ 270 milhões para a construção. Já, se o hotel for de cinco estrelas, a diária subiria para R$ 1 mil e o custo do quarto para R$ 1 milhão, sobrando R$ 670 milhões. “Bem mais viável”.

Sócio-diretor da HotelInvest, Diogo Canteras concorda, em parte, com a tese de Costa. Ele diz que no terreno deve mesmo subir um hotel cinco estrelas, mas acredita em um de 50 a 60 quartos. “O potencial comprador é mesmo uma cadeia hoteleira. Há várias querendo um espaço no Rio”, lembra Canteras. Mas ele acredita num hotel mais charmoso, como os MGalery da rede Accor ou o um Bulgary da rede Marriott. “Torço para este nível de sofisticação. O Rio de Janeiro precisa e merece”.

Há também no mercado quem não veja grande negócio no terreno, como o sócio-diretor da SIG Engenharia, Otávio Grimberg, que constrói edifícios comerciais, residenciais e hotéis. “O terreno já foi avaliado e no passado foi considerado caro demais. Claro que hoje o cenário é diferente porque a demanda por hotéis está muito mais aquecida”. Grimberg afirma também que neste caso só é viável a construção de um hotel. “Ipanema, para apartamentos, é muito mais valorizada. Já Copacabana é um local tipicamente turístico”.

A LaSalle receberá as propostas dos interessados até 16 de agosto deste ano. Elas serão avaliadas e funcionários do governo da Áustria virão ao Brasil negociar, numa segunda fase, com as empresas aprovadas no processo inicial de seleção.

Valor Econômico, Paola de Moura

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Hospedagem domiciliar ganha espaço no Rio, ante a falta de vagas em hoteis para a Rio+20

Ante a falta de infraestrutura hoteleira para abrigar as cerca de 50 mil pessoas esperadas para a Rio+20, a hospedagem domiciliar ganha força na cidade. Aproveitando a demanda não atendida pela rede convencional, moradores já estão alugando quartos e apartamentos para os turistas. Enquanto isso, a prefeitura promete lançar um site neste mês para auxiliar quem queira receber os “ecovisitantes” ou se hospedar no Rio.

Depois de o prefeito Eduardo Paes pedir à população para receber solidariamente os visitantes, a Secretaria de Turismo (Riotur) anunciou a criação da página na internet para quem quer alugar vagas. O lançamento está previsto para a próxima semana e a expectativa é que o portal sirva para outras ocasiões, como a Jornada Mundial da Juventude, evento da Igreja Católica programado para 2013.

O setor privado, entretanto, antecipou-se à iniciativa municipal. Desde que a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ) anunciou que os 33 mil quartos disponíveis na cidade, incluindo albergues e motéis, não seriam suficientes para atender aos participantes da conferência (a taxa de ocupação já é de 95% para o período entre 13 e 22 de junho), sites de hospedagem domiciliar começaram a ser criados, facilitando a negociação entre os donos e os turistas.

Lançado em março, o site Rio Plus 20, dedicado à Rio+20, já tem cerca de 500 imóveis cadastrados, dos quais mais de 30% estão alugados. As diárias variam entre R$ 90 para quartos e R$ 3.000 para apartamentos, atraindo, principalmente, embaixadas e delegações de outros países, segundo o empresário responsável, Eduardo Serrado.

Pensando na conferência, o portal Rio Home Stay unificou recentemente sites de aluguel que oferecem cerca de 200 quartos no esquema cama e café – o anfitrião não precisa sair de casa e costuma oferecer café da manhã aos hóspedes. As diárias variam entre R$ 130 e R$ 250, e, de acordo com o administrador, Carlos Cerqueira, 75% das vagas já estão ocupadas, sendo 80% por estrangeiros.

De olho em outros eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, Carlos Cerqueira, apostando no cadastro de imóveis, lançará um novo portal de hospedagem na próxima semana. “Pretendemos dobrar o número de vagas até meados do maio com o novo portal, que dará mais facilidade para o anfitrião incluir e administrar as reservas”, disse.

Acostumada a receber hóspedes desconhecidos sem precisar sair de casa, a jornalista Fabiana Cimieri quer alugar o apartamento em Ipanema, na zona sul, para a Rio+20. Ela costuma contar com a ajuda de corretores, mas desta vez não descarta incluir o imóvel em um site especializado, entre eles o portal dedicado da prefeitura do Rio, que deve ser lançado em breve.

“Gostaria de me cadastrar na Riotur e continuar com os corretores. Nunca tive nenhum problema em alugar. Sempre foi uma experiência agradável e rentável”, disse. “Quando chega uma pessoa na sua casa querendo conhecer e conversar sobre a cidade, dá um clima de férias, quebra a rotina”, disse a jornalista, que ainda não sabe quanto vai cobrar. “Dependerá da demanda”.

Isabela Vieira da Agência Brasil

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Sepex RJ na Justiça contra Rio Limpo

Surpresa. Esta é a palavra que o presidente do Sepex RJ (Sindicato de Empresas de Mídia Exterior) Waldir Pereira de Souza usou para classificar o decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro que criou o “Rio Limpo”, determinando novas regras para a publicidade de mídia exterior, incluindo ai a proibição da mesma em imóveis do Centro e Zona Sul da cidade. Para ele, a medida é arbitrária e inconstitucional, o que levará a entidade a entrar na justiça contra a Prefeitura.

“É ilegal, vamos entrar na Justiça para preservar nossos direitos. Já estamos conversando com advogados e devemos fazer isto até amanhã”, informou. O presidente do Sepex RJ contou que foi informado sobre o decreto através de um fax enviado à entidade na última quarta-feira, 2, às 17h30. “Pedia a retirada imediata, mas antes das 10 da manhã, caminhões não são sequer autorizados a entrar no centro da cidade. Não nos deram sequer a chance de fazermos nós mesmos a retirada, foram quebrando tudo. É um processo arbitrário, tudo estava pago, temos todas as autorizações”, fala.

Souza lembra que, assim que assumiu o cargo, o prefeito Eduardo Paes já tinha feito alterações para regular a mídia exterior. “Ele entrou e fez uma limpeza enorme. Logo depois sentamos, legalizamos tudo, colocamos as placas nos locais corretos. Estávamos com dificuldade para conseguir anunciantes e quando conseguimos firmar tudo certinho, com todas as guias pagas, autorizações, vem esta loucura e ninguém sabe o por que”, diz.

O presidente do Sepex RJ finaliza informando que a expectativa da entidade é suspender o decreto na justiça. “Para depois conversarmos e chegarmos a um meio termo. Não pode ser arbitrário assim, faz o decreto hoje e amanhã sai quebrando tudo. No mínimo tinham que ter nos dado um prazo de 72 horas para a retirada”, conclui.

Fonte: Meio & Mensagem

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Governo do Estado do Rio negocia venda de 40 Batalhões da Polícia Militar

19º Batalhão da Polícia Militar de Copacabana

O governo do Estado do Rio negocia por R$ 400 milhões a venda do Quartel General da Polícia Militar na Rua Evaristo da Veiga para a Petrobrás. Com localização privilegiada, a instalação histórica ocupa um quarteirão no centro econômico da capital do Rio de Janeiro, a poucos metros da Cinelândia e do bairro boêmio da Lapa.

A Polícia Militar possui outros quartéis em terrenos cobiçados nas zonas sul e norte e nos subúrbios. A venda dos batalhões dos bairros do Leblon, Copacabana e Botafogo já é objeto de interesse de várias empresas imobiliárias. O negócio com a Petrobrás , segundo o Governador Sérgio Cabral, o prédio tombado pelo Município será transformado em museu e o restante do terreno poderá ser vendido para construção de “uma nova torre” da estatal.

“Houve uma avaliação do terreno de R$ 400 milhões. A Petrobrás ofereceu um pouco menos. Vamos chegar a um bom valor”, disse Cabral. Segundo o governador, o dinheiro da venda será investido em segurança pública. Caso a transação se concretize, a nova sede do QG da PM será transferida ao local ocupado hoje pelo Batalhão de Choque, também no centro.

A intenção da Secretaria de Segurança é vender terrenos dos 40 quartéis herdados do Exército no século passado. Um dos objetivos é diminuir o “aquartelamento” de policiais e aumentar em 20% o efetivo da PM nas ruas. Além dos terrenos da polícia, a administração estadual pretende vender outros imóveis e instalações. Atualmente, estão abertos dois processos de licitação para alienação de salas e terrenos nas zonas sul e norte da capital. Com os primeiros leilões previstos, a previsão de arrecadação é de R$ 55,2 milhões.

Em 2010, o Estado do Rio promoveu outra licitação para venda de terrenos remanescentes da Linha 1 do Metrô. No mesmo ano, a administração estadual implodiu o Complexo Penitenciário da Frei Caneca, no centro, com o objetivo de construir conjuntos habitacionais no local, sendo pois, que o terreno foi entregue à Caixa Econômica Federal, para sua incorporação ao projeto Minha Casa, Minha Vida, para o funcionalismo público municipal.

Entre os terrenos dos quartéis da Polícia Militar, o mais valorizado é a área de 40 mil metros quadrados do 23.º BPM do Leblon. Situado no bairro onde o preço do m² chega a R$ 19 mil, o leilão da área é um sonho das construtoras. Antes do boom imobiliário no Rio, a avaliação era de que o Estado arremataria pelo menos R$ 245 milhões. No entanto, uma forte oposição dos moradores fez o governo do Rio desistir da venda

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Projeto quer punir donos de imóveis sem conservação

Um projeto de Lei em tramitação no senado sugere a punição de proprietários de imóveis que se omitirem a adotar providências sobre pedido de conservação de seus imóveis. A medida, que está na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado, prevê punição aos donos de imóveis que, por omissão, favorecerem o uso do imóvel como ponto para prática de crimes.

Segundo a proposta do senador Armando Monteiro, o proprietário do imóvel deverá responder por contravenção, sendo passível de prisão simples ou multas. Monteiro sugere que a prisão seja de dez dias a dois meses, com o objetivo de desestimular a continuidade de situação muito comum nos centros urbanos do país. Segundo o senador, imóveis abandonados acabam servindo como depósito de droga ou material roubado, por causa da atitude omissa dos donos.

(da redação, com informações da Agência Senado)

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Tragédia do Rio é alerta para obras em condomínios

Desabamento de edifícios que matou 17 pessoas em janeiro serve como alerta para administradoras, síndicos e condôminos. Saiba como fazer uma reforma segura

Apesar de as especulações sobre os motivos da tragédia do desabamento que matou 17 pessoas no Rio de Janeiro ainda dominarem o noticiário, a maior parte dos especialistas concorda que a falta de cuidados nas reformas causaram danos permanentes à estrutura do Edifício Liberdade e, com o tempo, esses danos levaram ao inevitável desmoronamento.

O incidente serve como um alerta para síndicos, administradoras e condôminos, segundo o diretor do LicitaMais e especialista em condomínios Lincoln César do Amaral Filho. “Se há uma lição que podemos tirar dessa tragédia é que, quando se trata de segurança, fiscalização e prevenção nunca são demais”, ressalta.

 Os avanços na construção civil há muito tempo garantem que a maioria das estruturas construídas fique de pé indefinidamente, mas o risco de um acidente é inevitavelmente maior quando falham as medidas e as regras criadas para assegurar a integridade estrutural, como obras mal executadas, por exemplo. “Imóveis estão sempre expostos a problemas estruturais”, diz Lincoln.

Em um condomínio, é papel do síndico garantir que as normas que regem a vida em comum sejam seguidas. É vital, no entanto, que todos os condôminos estejam cientes dos riscos que uma obra ou reforma mal feita pode trazer a eles e a todos os vizinhos. Por isso, a administração do condomínio deve certificar-se de que as regras – e os riscos decorrentes do não cumprimento – sejam muito bem comunicadas a todos. “Seja em assembleias, murais ou em eventuais informativos. Neste caso, aliás, uma ferramenta de assembleia virtual pode ser uma ferramenta preciosa de comunicação”, afirma o diretor do LicitaMais.

O que fazer
Para a arquiteta Belisa Guelmann, da RG Arquitetura e Design, alguns temas devem sempre estar presentes nas assembleias de condomínio. “A primeira delas é a necessidade de acompanhamento de um profissional, seja arquiteto ou engenheiro”, lembra. “Outro fato importante é respeitar o projeto estrutural. Não só a demolição, mas também perfurações em colunas ou vigas para passar dutos e tubulações podem acabar comprometendo a estrutura”, alerta Belisa.

A profissional frisa que acréscimo de pavimentos ou fechamento de varandas e sacadas pode causar sobrepeso na estrutura. Já a colocação de ar condicionado ou outros equipamentos pode ocasionar sobrecarga do quadro elétrico, o que pode gerar incêndios. “Outra dica é que para qualquer alteração de fachada ou janelas, o estatuto do condomínio deve ser consultado”, orienta Rosi.

Segundo o empresário e incorporador Ronaldo Alembergh, mesmo com todas as precauções, é essencial que os proprietários certifiquem-se de fazer um seguro do imóvel. Todo condomínio no Brasil é obrigado a ter um seguro chamado Cobertura Básica Ampla, que protege a estrutura do prédio e os móveis das áreas comuns contra danos. “Os apartamentos, no entanto, devem ter seguros individuais, pois obras sempre possibilitam problemas como infiltrações e outras coisas, às vezes mais graves”, indica.

É importante também sempre acompanhar de perto a obra, de preferência sob os olhares de um engenheiro, que tenha estudado muito bem a estrutura do prédio e saiba exatamente onde pode mexer. Um acompanhamento criterioso pode eventualmente perceber indícios de danos à estrutura, como rachaduras e dificuldades de abrir portas ou janelas.

Por fim, é importante sempre reportar – se possível nos mínimos detalhes – qualquer incidente ou mudança de planos da obra ou reforma à administração do condomínio. No caso do Edifício Liberdade, por exemplo, foram levantadas suspeitas de uma explosão por conta de vazamento de gás, de corrosão e infiltração da laje de cobertura e até de sobrepeso por conta de depósito de entulho.

Da redação do LicitaMais

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Colégio Mallet Soares e casa na Francisco Otaviano serão derrubados para dar lugar a hotéis

Dois pequenos imóveis que resistiram ao lado de gigantes, em Copacabana, estão com os dias contados. O prédio que abriga o tradicional colégio Mallet Soares, na Rua Xavier da Silveira, e a antiga residência de Carlos Chagas Filho e de sua esposa, Anna Mello Franco, na Rua Francisco Otaviano, vão dar lugar a hotéis, como noticiou Ancelmo Goes em sua coluna no GLOBO . O som de estacas no bairro, que é a menina dos olhos do turismo carioca, é apenas um presságio do que está por vir com o aquecimento do calendário de eventos na cidade.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, a criação de 4.800 quartos na cidade já está aprovada pela Secretaria municipal de Urbanismo e deve começar a partir deste semestre. O expectativa é que o setor hoteleiro bata a meta de ampliação da oferta em dez mil novos quartos até as Olimpíadas de 2016.

– O Rio está vivendo a década de ouro, com um calendário robusto previsto para os próximos dez anos. Copacabana é o bairro carioca mais conhecido no mundo e buscar um terreno ali é como procurar agulha num palheiro – destacou Lopes.

” Copacabana é o bairro carioca mais conhecido no mundo e buscar um terreno ali é como procurar agulha num palheiro “

A incorporadora Performance encontrou a oportunidade de erguer um hotel da bandeira Accor, com 210 quartos, no terreno que hoje abriga o Colégio Mallet Soares, na Rua Xavier da Silveira. Estudaram na instituição de ensino, aberta há 86 anos, personalidades como o governador Sérgio Cabral, o apresentador Jô Soares, o músico Carlos Lira e a jornalista Danuza Leão.

Desde que assumiu a direção da instituição de ensino, em 1977, Vera Mallet Soares recebe ofertas de compra do terreno e sempre disse não. Dessa vez, foi diferente:

– Eu tinha o sonho de modernizar as instalações do colégio, que precisava de uma reforma geral. Quando a Performance me fez sua proposta, no princípio rejeitei. Disse que só aceitaria se a empresa me desse o colégio dos sonhos, e eles toparam – conta Vera, ressaltando que a instituição não fechará as portas nem alunos ficarão sem aulas.

Todas as turmas do Mallet Soares serão transferidas para um moderno prédio de quatro andares que será erguido pela própria Performance onde hoje funciona o Malletzinho, um anexo do colégio na Rua Bolívar que abriga atualmente a educação infantil.

Segundo a incorporadora, o novo colégio terá reutilização de água da chuva, um auditório, infraestrutura de informática e dependências adaptadas para deficientes físicos. O hotel só começará a ser construído quando a escolar estiver pronta. O cronograma de obras ainda está em estudo.

Já Aloysio Teixeira, proprietário do Copacabana Praia Hotel, localizado na Rua Francisco Otaviano, planeja uma audaciosa expansão. O empreendimento, que conta hoje com 55 quartos, ganhará mais 124. Para isso, Teixeira adquiriu um prédio residencial vizinho, que será transformado e abrigará hóspedes em 32 quartos. Do outro lado, uma casa, onde moraram Carlos Chagas Filho, herdeiro do cientista Carlos Chagas, e Anna Mello Franco, irmã do ex-senador Affonso Arinos de Mello Franco, será derrubada para dar lugar a um anexo com 92 quatros de 20 metros quadrados cada.

– A casa em que eles moraram recebeu governadores, ministros e importantes diplomatas. Vou colocar uma placa no hotel lembrando que ali morou uma família ilustre – contou Teixeira.

O empresário vai investir no prédio cerca de R$ 12 milhões, fora o valor pago na compra do terreno. Ali ficará o hall principal do novo Copacabana Praia Hotel, constituído pelas três construções que se comunicarão entre si. A inauguração será em 13 de dezembro de 2013.

– O atual prédio foi inaugurado em 13 de dezembro de 1980. As obras já começaram para que tudo esteja pronto na mesma data, 33 anos depois – garantiu Teixeira.

O empresário do setor hoteleiro está bastante otimista com o turismo na cidade, principalmente o de brasileiros, durante e depois dos eventos esportivos no Rio.

O Globo, Renata Leite

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Rio: favela e zona oeste crescem, zona sul perde gente

A população em bairros periféricos da zona oeste do Rio cresceu até 150% em uma década. O número de moradores em algumas das maiores favelas cariocas também aumentou acima da média da cidade, de 7,9% no período. Já na zona sul houve redução de habitantes em Ipanema, Gávea, Jardim Botânico, Humaitá e Flamengo. Principal foco de obras de infraestrutura de transportes e de instalações para a Olimpíada de 2016, a zona oeste abriga os nove bairros com maior crescimento absoluto: juntos, receberam 278 mil moradores, população igual à de Taubaté (SP).

Dos dez bairros do Rio que mais cresceram entre 2000 e 2010, oito estão na zona oeste. Camorim, Vargem Pequena e Recreio mais que dobraram sua população em relação a 2000. Os outros dois são Benfica e Mangueira, na zona norte. O aumento na Mangueira foi de 31%, o maior entre as favelas. A zona oeste foi, na última década, o maior alvo das construtoras.

Quatro bairros concentraram 68,5% de todos os lançamentos de imóveis ocorridos entre 2005 e 2010: Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Recreio e Campo Grande. Os dados são da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

Há sete anos, a família de Carolina Rique, por exemplo, trocou o mar de prédios de Botafogo, na zona sul do Rio, pelas ondas do Recreio dos Bandeirantes, a 33 km de distância, na zona oeste. As praias limpas da região e a explosão imobiliária atraíram mais de 40 mil novos moradores.

O crescimento da zona oeste foi tão grande que quase provocou colapso no trânsito. “Desde o fim dos anos 1960 é assim. São empreendimentos grandes, para ter ganho de escala. Só nessa região existem terrenos para isso”, acrescenta a urbanista Nina Rabha, lembrando que não há mercado de trabalho capaz de absorver tantos moradores. “É um contrassenso se o crescimento não for compatível com o aumento da infraestrutura.”

Dos dez bairros cariocas mais populosos em 2010, sete ficam na zona oeste. A Barra, que começou a atrair grandes investimentos imobiliários na década de 1970, continua ganhando moradores: cresceu 47% e chegou a 135,9 mil moradores. Nos últimos dois anos, porém, aumentou a procura por terrenos para construção na zona norte, de ocupação mais antiga e com infraestrutura instalada. O presidente da Ademi, José Conde Caldas, cita a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em favelas da região como principal motivo. “A violência urbana empurrava para a zona oeste.”

Outro fenômeno apontado pelo Censo 2010 é a perda de moradores em bairros da zona sul. No Humaitá, a queda chegou a 12,5% e em Ipanema foi de 8,7%. Para Nina, uma das explicações para a mudança é o aumento do custo de moradia na região.

Favelas. O Censo 2010 aponta ainda crescimento bem maior que o da média da cidade na população de algumas das maiores favelas do Rio, já classificadas como bairros. Foi o caso de Rocinha, Maré e Mangueira. A população da Rocinha, na zona sul, aumentou 23%: de 56,3 mil para 69,3 mil habitantes. A Maré, na zona norte, que reúne 16 comunidades, é a mais populosa, com 129,7 mil habitantes – 14% mais do que tinha em 2000. É o nono bairro mais populoso da cidade.

Apesar disso, encontrar terrenos vazios na favela que mais cresce no Rio, por exemplo, não é tarefa fácil. Quando soube de um espaço para construir sua casa na Mangueira, Jane Martins Seixas decidiu fechar o negócio imediatamente.

A família pagou R$ 400 pelo terreno – “um valor simbólico”, pois não há documentos que comprovem sua propriedade. “Aqui temos escola perto, posto de saúde no pé do morro e o Hospital Souza Aguiar a poucos minutos. Além disso, temos estação de trem e de metrô pertinho. A casa que tinha na região de Manguinhos era melhor, com três quartos, mas não era minha. Pagava aluguel e decidi que era hora de ter a minha casa.”

Bruno Boghossian, Luciana Nunes Leal, Felipe Werneck e Daniel Lima – O Estado de S.Paulo

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R$ 110 mil para ver o réveillon em Copacabana

A duas semanas do ano-novo, 90% dos 29 mil quartos que integram a rede hoteleira da cidade do Rio de Janeiro já estão reservados, de acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis – ABIH. Para os retardatários, passar o réveillon na capital carioca pode se transformar em uma odisséia. Não são somente os hotéis que estão praticamente ocupados, os apartamentos alugados por temporada também.
“Cobertura na orla de Copacabana não há praticamente nenhuma”, diz Giovani Cipolla, da Apartmentt.net Broker of Property. “Para este réveillon, tive 25 apartamentos para alugar na praia. Agora, só resta um, de dois quartos”, informa o corretor. “Já está havendo falta. Ainda é possível encontrar algumas unidades, mas a um preço mais alto. Quando começa a faltar e a procura aumenta, o mercado valoriza”, explica Egydio Andreza, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Município do Rio.
“Nos hotéis da zona sul, a ocupação já chega a 95%”, diz o presidente da ABIH-RJ, Cláudio Lopes. “Não há mais unidades disponíveis”, informa o departamento de relações públicas do hotel Copacabana Palace. A suíte cobertura de frente para o mar num dos hotéis mais charmosos do Rio foi alugada por R$ 63.600. Sem a visão privilegiada (com “vista para a cidade”), o preço da suíte cobertura cai a R$ 37 mil.
Na contagem regressiva para a festa da virada, a disputa pelas poucas unidades disponíveis elevou, de fato, o valor do aluguel. Para citar um exemplo, a única unidade que o corretor Cipolla tem disponível, um modesto dois quartos, poderá ser ocupada por quem desembolsar R$ 17.500, pelo pacote de sete dias.
Para quem deixou para a última hora, resta pechinchar pelos aluguéis de temporada ou tentar a sorte em albergues e junto a proprietários de imóveis que integram o esquema de aluguel de quartos conhecido como Cama e Café.
Aluguel de cobertura por R$ 110 mil
Cipolla conta que o imóvel mais caro que alugou saiu a R$ 110 mil. Uma cobertura de 1.450 metros quadrados, próximo ao hotel Copacabana Palace, no Posto 2. “Tem vista panorâmica para a praia, o Corcovado e o Pão de Açúcar. São cinco suítes, sendo uma delas presidencial”, relata.
O apartamento ainda conta com uma mesa de jantar para 20 pessoas, e móveis assinados pelos designers Philippe Starck e Le Corbusier.  A piscina, de mármore azul, tem 5 x 12 metros de comprimento. “Até o momento, este imóvel foi apenas alugado por estrangeiros. Eles preferem cobertura, pois alegam que desejam privacidade para festinhas”, diz o corretor.
Outra cobertura, na mesma altura do Posto 2, também irá receber um grupo de turistas interessados na queima de fogos carioca. Porém, com apenas um quarto e 38 metros quadrados, foi alugada no final de outubro por R$ 3 mil. “Agora, por este preço, tenho apenas uma unidade de 53 metros quadrados no Leme”, diz o corretor autônomo Isaac Viana sobre o imóvel a dois quarteirões da praia.
Isaac ainda tem na manga um apartamento de dois quartos na Avenida Atlântica, com 120 metros quadrados e vista total para o mar. O preço: R$ 10 mil, por sete dias, mais as taxas de energia. “Os imóveis que eu tinha nas ruas internas do bairro, que geralmente são mais baratos, já foram todos alugados”, afirma o corretor.
Os cuidados antes de alugar
De acordo com especialistas no mercado imobiliário, antes de alugar um apartamento por temporada é importante verificar se os corretores têm o registro profissional do Creci, órgão que regula a atividade no setor.
“Há muitas agencias de turismo e corretores no mercado que não possuem esse registro e, na maioria das vezes, isso pode fazer de um momento de lazer, uma dor de cabeça”, diz Giovanni Cipolla. “Quem fizer reserva por intermédio de agência de turismo tem que se certificar se a mesma é cadastrada na Embratur, além de saber que as agências não podem locar aluguéis por temporada”, ele acrescenta.
Onde encontrar:
Associação Brasileira da Indústria de Hotéis: www.abih.com.br
Sindicato dos Corretores de Imóveis do Município do Rio de Janeiro: www.sindimoveisrio.com.br
Isaac C. Viana: www.imovelbrasil.imb.br
Apartmentt.net Broker of Property: www.apartmentt.net
Cama e Café: www.camaecafe.com.br

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro

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Emenda pode liberar hotéis em qualquer área

As emendas apresentadas pelos vereadores na última segunda-feira ao projeto do novo Plano Diretor continuam a causar polêmica. Ontem, especialistas e associações de moradores criticaram as propostas porque consideram que não deixam claro o seu impacto para a cidade.

Um dos pontos questionados se refere à construção de novos hotéis na cidade para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Uma das emendas abre uma brecha para que hotéis sejam erguidos em qualquer bairro seguindo regras mais liberais que as previstas na legislação para outros empreendimentos.

A emenda propõe que, num raio de 200 metros de qualquer hotel existente, seja construído um novo empreendimento para hospedagem com as mesmas características.

Para o presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, Delair Dumbrosck, a proposta pode abrir margem para a construção de espigões no bairro onde eles não são permitidos, como é o caso do Jardim Oceânico – ali, o gabarito é de três andares: – Afinal, vão liberar esses 200 metros para qual direção? O que impede que, depois de algum tempo da inauguração de um empreendimento, alguém queira licenciar um novo hotel numa área estritamente residencial, alegando que já existe um outro a 200 metros de distância, independente da legislação existente? Em tese, os hotéis poderão ser construídos em qualquer lugar do Rio.

Em meio à polêmica, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Alfredo Lopes, saiu ontem em defesa da proposta de liberar hotéis na Barra da Tijuca e não apenas na Zona Portuária.

ABIH apoia benefícios para setor hoteleiro

A posição é diferente da do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes, que anteontem pediu cautela na concessão de novas licenças para o setor, para evitar que haja uma oferta excessiva de leitos no Rio.

– Para a ABIH, não importa se a regulamentação será por legislação específica ou pelo Plano Diretor. O tempo está passando, e os incentivos para o setor não saem.

Daqui a pouco, vão querer liberar a construção de aparthotéis, alegando que não há tempo para construir novos hotéis tradicionais – disse Alfredo Lopes.

Para o vereador e ex-secretário municipal de Urbanismo Alfredo Sirkis (PV), as emendas extrapolam o conceito do que deve ser um Plano Diretor.

Segundo Sirkis, o texto deve fixar diretrizes que orientem o crescimento da cidade, indicando, por exemplo, onde ele deve ser estimulado ou freado, e não entrar em detalhes – que devem ser tratados numa legislação específica.

– A revisão do Plano Diretor deveria, neste momento, se ater a adequar a legislação urbanística local ao Estatuto das Cidades (legislação federal). O que está sendo proposto em muitas das novas emendas está na contramão de toda a concepção urbanística da cidade.

Em lugar de ter regras mais restritivas, você flexibiliza, sem levar em conta os danos ambientais e urbanísticos que isso causará – criticou Sirkis.

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