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Orla carioca é palco de branding

  • Itaú Unibanco patrocina projeto Bike Rio, que prevê instalação de 60 estações com bicicletas na cidade: mobilidade urbana na pauta da instituição Crédito: André Valentim

O mar, a areia branca e o belíssimo calçadão de pedras portuguesas projetado por Burle Marx não são mais as únicas atrações da orla de Copacabana. Com a reforma dos quiosques da praia, promovida pelo projeto Orla Rio, marcas relevantes do mercado nacional estão usando esses espaços para ações de branding. Coca-Cola, Skol, Globo Rio, Band, Banco do Brasil, Rio Sul e Editora Três estão entre as empresas que contam com espaços diferenciados na praia mais famosa do Brasil.

Para algumas dessas marcas, adotar um quiosque na badalada orla de Copacabana traz uma exposição de marca e um espaço de experimentação diferenciados. “Além de ser um espaço de mídia fantástico. A Skol se criou no Rio e começou pela praia, com a cerveja em lata. É um ícone, como o mate e o biscoito Globo. Hoje tenho mais de 300 quiosques na praia com o produto Skol e 150 com visibilidade, mas não tinha nenhum com a cara da Skol. Este é um investimento para transmitir a personalidade da marca, por meio de um ponto de consumo que é quiosque de Copacabana”, explica Felipe Ghiotto, gerente de Skol 360, marca proprietária do espaço em Copacabana.

A orla de Copacabana também atraiu emissoras de TV. A Band, a primeira a ter um quiosque temático no calçadão de pedras portuguesas, montou o espaço para abrigar uma iniciativa que se destaca: Orla TV. Fruto de uma parceria com a Orla Rio, é um canal que é veiculado em 110 quiosques de praias do litoral. “A Band nos procurou interessada no potencial que enxergava em nosso empreendimento. Após diversas conversas foi então firmada a sociedade de nossas empresas neste segmento, na qual a Band se ocupa do conteúdo, das transmissões e da comercialização dos espaços publicitários, enquanto nós operacionalizamos a estrutura junto aos nossos quiosques”, informa Antônio Luís Abreu, vice-presidente da Orla Rio.

Presença da Band em Copacabana é fruto de parceria com a Orla Rio: emissora é responsável por um canal de TV veículado nos points da praia Crédito: André Valentim

O sistema de transmissão do canal de televisão da orla fica instalado justamente no subsolo do quiosque da Band, um espaço de 160 metros quadrados que conta com estúdio e escritório; na superfície, existe um bar onde são comercializados acepipes tipicamente cariocas, como bolinhos dos bares Bracarense e Aconchego Carioca.

“A ideia foi fazer um canal de televisão interno no qual passasse tudo relativo a esportes de areia e trouxesse informações como temperatura da água e previsão do tempo. Fornecemos o aparelho de TV e uma programação integrada que é feita especialmente para a Orla TV e com atrações que a gente reembala. Claro que, quando temos grandes produções esportivas, entramos em rede com a Band, assim como em alguns telejornais”, explica Daruiz Paranhos, diretor-geral do Grupo Bandeirantes no Rio. Para ele, a Orla TV possibilita um espaço comercial privilegiado. “Temos como colocar lá o último comercial de um ano e o primeiro do ano seguinte, em todas as TVs ao mesmo tempo”, fala. Ele acrescenta que, com a chegada dos grandes eventos, a ideia é que a Orla TV seja o veículo oficial da praia. De acordo com Orla Rio, mais de 450 mil pessoas têm contato com a Orla TV a cada dia.

No Quiosque Coca-Cola, a ideia foi montar um espaço onde os consumidores têm a experiência de tomar o produto na temperatura e no copo ideaisCrédito: André Valentim

Além da Band, a Globo Rio montou seu espaço, como ponto de contato com seus telespectadores. Copacabana foi escolhida por ser uma espécie de vitrine do Rio de Janeiro. “A Globo Rio tem como proposta criar oportunidades de convivência comunitária e aproximar a marca da emissora do público. A partir do quiosque de Copacabana foi possível ativar esta estratégia de ação”, informa a emissora por meio da Central Globo de Comunicação.

O retorno do espaço está sendo acima do esperado. Segundo a emissora, cerca de dez mil pessoas passam pelo quiosque Globo Rio todos os meses. “Mas o número não é o mais importante. Semanalmente, o quiosque serve de palco para eventos culturais e esportivos da própria Globo Rio e de parceiros. O público já sabe que existe um espaço físico em que ele se relaciona com os conteúdos da Globo. Além disso, o quiosque é um ponto utilizado pelo jornalismo da Rede Globo, com entradas ao vivo direto de lá”, aponta.

O quiosque da Globo Rio conta ainda com um espaço da Globo Marcas, onde são comercializados produtos relacionados à grade de programação da emissora. “Como a venda de produtos é uma exigência da concessão do espaço, a missão da Globo Marcas de fortalecer o relacionamento dos telespectadores com o universo da televisão se encaixou perfeitamente no conceito do quiosque. Além de uma grande variedade de artigos licenciados, o público encontra nesse espaço produtos específicos para venda no quiosque, como acessórios para praia, por exemplo”, acrescenta. O projeto do quiosque da Globo Rio é recente, mas, como tem se mostrado uma excelente ferramenta na aproximação da emissora com o público, a Globo avalia a experiência para eventual­ replicação em outras praças no futuro.

Point
A Nextel também terá o seu espaço na orla de Copacabana, que será inaugurado em outubro. Ele será o terceiro Point Nextel da marca no Rio, a primeira a ter um quiosque de experimentação na orla da praia vizinha, Ipanema, onde os quiosques ainda não foram reformados. O espaço ali foi inaugurado em setembro, em local nobre, logo na chegada da praia de Ipanema em frente a um badalado bar da orla. Foi a segunda ação de branding da marca em um quiosque da orla do Rio; a primeira, na Barra, também é diferenciada entre os outros quiosques daquele pedaço.

“O quiosque de Copacabana está atrelado a um projeto que temos com o Rio de Janeiro e nasceu na Barra da Tijuca, onde montamos nosso primeiro Point Nextel”, conta Alex Rocco, diretor de comunicação da marca. Ele acrescenta que a ideia é levar para a orla um pacote que tem experimentação e infraestrutura. “A cidade do Rio é muito importante para a Nextel e a marca é muito forte na cidade. Resolvemos implantar o projeto Rio Nextel, no qual criamos uma plataforma que inclui esporte, cultura e lazer para cidade do Rio e para o relacionamento com nossa base de clientes”, fala.

As atividades oferecidas em cada espaço são escolhidas de acordo com o perfil da praia em que estão instalados. “Em cada point a gente se insere no contexto do estilo de vida do carioca. Na Barra, levamos equipamentos relacionados ao mar, já que é um point forte de Kite surf e SUP. Ipanema tem um estilo de vida do carioca mais relacionado ao calçadão e à a rua interditada no fim de semana. Levamos skates, patins, skyline”, conta. Os espaços fornecem aulas de ioga e corrida, por exemplo, para clientes Nextel.

Ele acrescenta que há a preocupação de que cada um destes espaços se insira no contexto do carioca. “Queremos fazer parte realmente, adotar e ser adotado, é muito mais do que uma questão de visibilidade de marca”, conclui.

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Indústria não recolhe embalagens, mas rejeita o rótulo de poluidora

Garrafas sujam as areias da Praia da Bica, na Ilha do Governador: reciclagem de embalagens está no centro de uma polêmica nacional. Marcelo Piu / O Globo

Num desabafo, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, toca num vespeiro que tem agitado reuniões em Brasília sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, na qual a reciclagem das embalagens — valiosa fatia de 30% do lixo doméstico brasileiro — está no centro das discussões. A polêmica sobre a responsabilidade das empresas nesse processo é o tema da sexta reportagem da série “Desleixo insustentável”.

— O que me causa estranheza é que as mesmas multinacionais, de diversas áreas, que nos países europeus sustentam um modelo eficiente de reciclagem das embalagens, aqui resistem, esbravejam. Sabem como funciona um sistema de sucesso, mas não querem colocá-lo em prática no Brasil — afirma Minc.

A Secretaria estadual do Ambiente já tem um plano piloto com base na concepção de reciclagem europeia. Ele será testado em cidades da Região Serrana, como Petrópolis e Três Rios, e será baseado no modelo de Portugal, denominado Ponto Verde. A ideia é iniciá-lo ainda no segundo semestre deste ano.

O modelo português não é uma ação isolada: em toda a Europa, 30 países têm sistemas parecidos, que garantem o retorno das embalagens ao início do ciclo, como matéria-prima. Chamado de Ponto Verde, o sistema assegura o rastreamento de toda embalagem colocada no mercado. Portugal recuperou, em 2011, 57% desses materiais. Cumpriu a meta e livrou-se de pesadas multas da União Europeia.

Adoção de modelo português divide indústrias

No Brasil, a discussão entrou na agenda pública com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305, em 2010. O texto estabelece princípios praticados na Europa há 20 anos. Quem gera um produto deve se responsabilizar pelo seu descarte adequado.

Para o secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Nabil Bonduki, as empresas não têm como fugir desta responsabilidade:

— Isso está previsto na nova lei. A questão, que ainda está distante de um consenso, é como este sistema será estruturado — afirma Bonduki.

Na última terça-feira, numa sala do Ministério do Meio Ambiente, a reunião de setores da indústria que debatem o assunto terminou em impasse. De um lado, o Compromisso Empresarial para Reciclagem – CEMPRE — entidade que congrega pesos-pesados como Coca-Cola, Ambev e Nestlé. Do outro, algumas empresas, capitaneadas pela indústria do vidro, defendem a aplicação do modelo europeu de logística reversa (reaproveitamento das embalagens).

Presidente do Cempre, Victor Bicca, explica, por e-mail, o ponto de vista da entidade:

“O melhor modelo é o brasileiro, que hoje inspira países da América Latina, África e Ásia e foi reconhecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) como case de sucesso do tripé da sustentabilidade: econômico, ambiental e social. Ao longo dos últimos 20 anos, a indústria investiu muito na cadeia de reciclagem de plásticos, papel/papelão, longa-vida, alumínio e aço. Estes materiais já possuem logística reversa consolidada com índices altos de retorno à cadeia produtiva”, escreveu Bicca. “Precisamos, no entanto, melhorar muito nos aspectos tributários e fiscais que ainda empurram grande parte do setor para a informalidade. Por fim, devemos reduzir a intermediação no comércio de recicláveis e não ampliá-la”.

Bicca ressaltou ainda que as empresas devem apoiar as cooperativas “como forma de exercer sua responsabilidade pós-consumo, como prevê a lei 12.305 em seu artigo 33″ (que diz que as empresas podem atuar em parceria com cooperativas de catadores).

— Alguns setores querem manter o modelo semiescravagista da reciclagem — rebate Carlos Silva, diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais -ABRELPE. — Os índices de reciclagem são pífios. Nós queremos um modelo profissionalizado, com inclusão dos catadores. Eles devem ser empreendedores do setor de reciclagem.

Minc também contesta o que hoje se faz no Brasil:

— Se fosse eficiente, eu não teria retirado toneladas de garrafas PET dos rios. Hoje mesmo (ontem, Dia Mundial da Água), encontramos imensa quantidade de embalagem nas praias cariocas. O Brasil perde R$ 8 bilhões ao ano por não se reciclar. Isso é custo.

O GLOBO

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Despoluição – Metrópoles de água cristalina

Grandes cidades mostram como é possível crescer e manter as praias limpas

Por: Alice Lobo e Alessandro Greco

Em sujeira, as metrópoles brasileiras só perdem para as da Índia, país “campeão do lixo, imperador da sujeira”, como o descreveu o grande escritor Vidiadhar Naipaul. Por que a rica São Paulo é atravessada há décadas por um rio, o Tietê, que é um esgoto a céu aberto? Por que o Rio de Janeiro nunca se preocupou seriamente em coibir a poluição de suas belas praias, destino final de boa parte do esgoto produzido na cidade, que chega ao mar sem nenhum tipo de tratamento? Por muitos anos os brasileiros se iludiram com a resposta mais simples: faltam dinheiro, tempo e tecnologia para limpar as cidades. A presente reportagem mostra que essa desculpa é esfarrapada. Diversas metrópoles no mundo conseguiram limpar seus rios e praias com relativamente pouco dinheiro, usando tecnologias simples.

O caso do Rio de Janeiro é a mais impressionante demonstração de descaso pela limpeza no hemisfério ocidental. Cartão-postal do Brasil, é capaz de atrair cerca de 1,5 milhão de visitantes estrangeiros por ano. Seu maior apelo é a orla marítima emoldurada por uma paisagem deslumbrante. O problema é que as praias cariocas não oferecem apenas sol forte, areia branca e mar azul. Elas abrigam alta concentração de coliformes fecais, vazamentos esporádicos de óleo e de esgoto e lixo que desce dos barracos nos morros depois das chuvas fortes. A Baía de Guanabara recebe a cada segundo 20 toneladas de esgoto, ou cerca de 1,7 milhão de toneladas por dia. Apenas 54% do total de esgoto produzido na cidade é coletado pela rede pública, o que significa que o resto acaba em fossas sépticas ou é lançado na rede pluvial, cujo destino é o mar. Em alguns casos, a configuração geográfica das praias e o regime das correntes ajudam a prejudicar a qualidade da água, mas o fato é que a cidade joga muito mais sujeira na água do que deveria. As alternativas para resolver esse tipo de problema também são conhecidas em diversos pontos do planeta.

Projetos de despoluição bem-sucedidos existem aos punhados pelo mundo. Nas Olimpíadas de 2000, os australianos exibiram ao mundo como é possível recuperar uma orla marítima degradada num espaço de tempo relativamente curto. Eles levaram uma década para transformar as praias da maior cidade de seu país, Sydney, numa zona livre de esgoto e poluição, bem a tempo para exibi-las como cartões-postais olímpicos. O projeto começou em 1989, quando lançaram um ambicioso programa chamado Beachwatch, que tinha como objetivo monitorar a qualidade da água das praias. A partir dele foram detectadas as principais causas de poluição, o que possibilitou seu combate com o desenvolvimento de vários projetos independentes. Entre eles estão o Government’s Waterways Package, iniciado em 1997 e com custo de 1,6 bilhão de dólares, para reduzir a poluição proveniente de águas pluviais. A principal obra do programa é um piscinão, o Northside Storage Tunnel. É um megarreservatório que armazena 90% das águas de chuva escoadas e poluídas antes de elas chegarem aos rios e ao mar.

Os resultados são visíveis. Na Praia de North Steyne, por exemplo, a concentração de 1 887 unidades de coliformes fecais por 100 mililitros detectada no verão de 1989 – mais de dez vezes o limite máximo aceitável – caiu para quatro unidades de coliformes fecais por 100 mililitros em 1999. Um programa desenvolvido pela Sydney Water Corporation, a companhia que cuida do fornecimento de água na cidade, avança em outra frente. É o Water21, um plano de vinte anos lançado em 1997 para assegurar o futuro da água em Sydney. O principal objetivo do programa é prevenir a contaminação das águas, a um custo de 2,2 bilhões de dólares.

Pode-se argumentar que o tamanho relativamente pequeno de Sydney, com seus 4 milhões de habitantes, facilita os trabalhos de despoluição. Em parte é verdade, mas megalópoles do porte de Nova York também já conseguiram controlar a sujeira que jogam nas águas. Oito anos atrás, a maior cidade americana, com 17 milhões de habitantes, comemorou um feito histórico. Conseguiu reduzir a zero a quantidade de esgoto não tratado que despeja em torno da ilha de Manhattan, o coração da cidade. A poluição da água era um problema antigo. Em 1910, tomar banho no Porto de Nova York e consumir ostras nele pescadas já era considerado uma atividade perigosa para a saúde pelas autoridades sanitárias da cidade. Há vinte anos, pescar nos píeres da ilha ou no Rio Hudson, que desemboca na baía, era proibido por lei. Desde 1986, é possível praticar a pesca recreativa, mas os peixes devem ser devolvidos à água. As autoridades sanitárias ainda não os consideram próprios para o consumo devido à grande quantidade de poluentes industriais lançada no rio entre 1947 e 1977. No fim da década de 70, era despejado 1,7 bilhão de litros de esgoto por dia no Porto de Nova York, o ponto de maior concentração dos poluentes nos arredores de Manhattan, cifra que foi zerada em 1994. Iniciativas semelhantes aconteceram em cidades como São Francisco e San Diego, na Califórnia. Nesta última cidade, as praias urbanas viraram refúgio de animais como lobos-marinhos.

No Rio, tanto o governo do Estado quanto a prefeitura têm programas para a despoluição das praias e das águas da Baía de Guanabara. Do total de esgoto coletado na cidade, só 40% são tratados antes de ser jogados no mar. No que diz respeito aos municípios vizinhos, a coisa é ainda pior: apenas 15% do esgoto coletado recebe algum tipo de tratamento. O resto é lançado in natura na baía. A expectativa do governo é que com os programas a quantidade de esgoto tratado chegue a 34%, o que ainda é pouquíssimo para qualquer padrão civilizado. A meta é parte do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), uma iniciativa financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, pelo governo japonês e com uma contrapartida financeira do governo estadual. Iniciado em 1994, o programa quase parou em 1998, quando o governo fluminense deixou de cumprir sua parte no financiamento, que corresponde a 200 milhões de dólares de um total de 793 milhões. Depois de meses de impasse, os investimentos foram retomados, e a promessa é que até 2003 a primeira fase do projeto esteja concluída – um atraso de quatro anos em relação ao cronograma original. Se tudo der certo, a taxa de tratamento de esgoto lançado na baía subirá para 55%.

O déficit de rede de esgotos no Rio de Janeiro ocorre tanto nas favelas quanto em áreas nobres e de ocupação recente, como a Barra da Tijuca. Nesse bairro, o destino dos resíduos residenciais são basicamente as lagoas da região, que hoje estão comprometidas. Para resolver o caso da Barra, foram destinados 118,3 milhões de reais do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) em um projeto que inclui a construção de 286 quilômetros de rede coletora de esgoto, uma estação de tratamento e um emissário submarino com 5 quilômetros de extensão. As obras foram iniciadas em maio de 2001, mas ficaram parcialmente paralisadas entre dezembro de 2001 e julho de 2002 por falta de pagamento por parte da Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos. Mesmo em regiões onde existe uma rede de coleta e de despejo relativamente bem estruturada, como Ipanema, costumam acontecer trapalhadas ambientais. A falta de manutenção do emissário submarino que fica no bairro e lança os esgotos em alto-mar provocou um despejo de toneladas de dejetos nas praias da Zona Sul da cidade em pleno verão de 1999. O acidente aconteceu porque os responsáveis pela estrutura não consertaram fissuras em um pilar submerso, que cedeu e rompeu o duto.

A lei brasileira só recentemente começou a prever multas rigorosas para empresas que lançam poluentes nas águas, voluntária ou involuntariamente. Até dois anos atrás, o valor máximo de multa que a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) podia aplicar era de 5 000 reais, importância inexpressiva para uma indústria. A situação mudou, e muito, depois do acidente da Petrobras, em janeiro do mesmo ano, que derramou 1,3 milhão de litros de petróleo na Baía de Guanabara, em um vazamento que durou quatro horas seguidas. As imagens de aves cobertas de óleo e manguezais afetados ajudaram a aumentar o valor da multa para 50 milhões de reais. A multa salgada não é suficiente para cobrir as necessidades futuras de investimentos na área. A solução começa pela decisão da população de não mais se banhar em coliformes fecais, enganando-se com a idéia de que se está num paraíso tropical. Os países desenvolvidos ainda têm praias poluídas. A diferença em relação ao Brasil é que já aprenderam que, quanto antes começarem a trabalhar e quanto menos o trabalho for interrompido ao longo dos anos, menor será o prejuízo social e financeiro para o país.

Limpeza por força de lei 

As grandes cidades americanas, como Nova York e San Diego, não se teriam tornado exemplo de limpeza se o governo americano não estabelecesse uma duríssima lei contra a poluição da água. Trata-se do Clean Water Act, sancionado em 1972, que permitiu à Agência de Proteção Ambiental americana impor padrões para a descarga de poluentes e exigir dos governos estaduais rígido controle do tratamento do que se jogava nos rios e mares.

Tirado do Blog Jorge Rios

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Tragédia do Rio é alerta para obras em condomínios

Desabamento de edifícios que matou 17 pessoas em janeiro serve como alerta para administradoras, síndicos e condôminos. Saiba como fazer uma reforma segura

Apesar de as especulações sobre os motivos da tragédia do desabamento que matou 17 pessoas no Rio de Janeiro ainda dominarem o noticiário, a maior parte dos especialistas concorda que a falta de cuidados nas reformas causaram danos permanentes à estrutura do Edifício Liberdade e, com o tempo, esses danos levaram ao inevitável desmoronamento.

O incidente serve como um alerta para síndicos, administradoras e condôminos, segundo o diretor do LicitaMais e especialista em condomínios Lincoln César do Amaral Filho. “Se há uma lição que podemos tirar dessa tragédia é que, quando se trata de segurança, fiscalização e prevenção nunca são demais”, ressalta.

 Os avanços na construção civil há muito tempo garantem que a maioria das estruturas construídas fique de pé indefinidamente, mas o risco de um acidente é inevitavelmente maior quando falham as medidas e as regras criadas para assegurar a integridade estrutural, como obras mal executadas, por exemplo. “Imóveis estão sempre expostos a problemas estruturais”, diz Lincoln.

Em um condomínio, é papel do síndico garantir que as normas que regem a vida em comum sejam seguidas. É vital, no entanto, que todos os condôminos estejam cientes dos riscos que uma obra ou reforma mal feita pode trazer a eles e a todos os vizinhos. Por isso, a administração do condomínio deve certificar-se de que as regras – e os riscos decorrentes do não cumprimento – sejam muito bem comunicadas a todos. “Seja em assembleias, murais ou em eventuais informativos. Neste caso, aliás, uma ferramenta de assembleia virtual pode ser uma ferramenta preciosa de comunicação”, afirma o diretor do LicitaMais.

O que fazer
Para a arquiteta Belisa Guelmann, da RG Arquitetura e Design, alguns temas devem sempre estar presentes nas assembleias de condomínio. “A primeira delas é a necessidade de acompanhamento de um profissional, seja arquiteto ou engenheiro”, lembra. “Outro fato importante é respeitar o projeto estrutural. Não só a demolição, mas também perfurações em colunas ou vigas para passar dutos e tubulações podem acabar comprometendo a estrutura”, alerta Belisa.

A profissional frisa que acréscimo de pavimentos ou fechamento de varandas e sacadas pode causar sobrepeso na estrutura. Já a colocação de ar condicionado ou outros equipamentos pode ocasionar sobrecarga do quadro elétrico, o que pode gerar incêndios. “Outra dica é que para qualquer alteração de fachada ou janelas, o estatuto do condomínio deve ser consultado”, orienta Rosi.

Segundo o empresário e incorporador Ronaldo Alembergh, mesmo com todas as precauções, é essencial que os proprietários certifiquem-se de fazer um seguro do imóvel. Todo condomínio no Brasil é obrigado a ter um seguro chamado Cobertura Básica Ampla, que protege a estrutura do prédio e os móveis das áreas comuns contra danos. “Os apartamentos, no entanto, devem ter seguros individuais, pois obras sempre possibilitam problemas como infiltrações e outras coisas, às vezes mais graves”, indica.

É importante também sempre acompanhar de perto a obra, de preferência sob os olhares de um engenheiro, que tenha estudado muito bem a estrutura do prédio e saiba exatamente onde pode mexer. Um acompanhamento criterioso pode eventualmente perceber indícios de danos à estrutura, como rachaduras e dificuldades de abrir portas ou janelas.

Por fim, é importante sempre reportar – se possível nos mínimos detalhes – qualquer incidente ou mudança de planos da obra ou reforma à administração do condomínio. No caso do Edifício Liberdade, por exemplo, foram levantadas suspeitas de uma explosão por conta de vazamento de gás, de corrosão e infiltração da laje de cobertura e até de sobrepeso por conta de depósito de entulho.

Da redação do LicitaMais

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ONG promove mutirão de limpeza nas Ilhas Cagarras

lhas podem ser vistas da orla da Zona Sul da cidade (Foto: Thamine Leta/G1)

O projeto Ilhas do Rio promoveu nos dias 4 e 5 de fevereiro o primeiro mutirão de limpeza das Ilhas Cagarras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Voluntários, profissionais do projeto e integrantes do Conselho Consultivo do Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MoNaCagarras) recolheram lixo e promoveram uma exposição de fotos e de amostras de animais recolhidas na região.

As três principais ilhas que compõem a unidade de conservação, Palmas, Comprida e Cagarra, terão detritos terrestres e submarinos retirados. O material recolhido será levado para o Posto 6, em Copacabana, onde, foi feito o levantamento do lixo para o reconhecimento das principais fontes poluidoras da região. A Cooperativa Popular Amigos do Meio Ambiente (Coopama) se responsabilizou pela reciclagem do material recolhido.

Nos dois dias, o projeto Ilhas do Rio promoveu no Centro de Visitantes da Colônia de Pescadores de Copacabana uma exposição fotográfica, com 40 imagens, sobre a biodiversidade e os impactos ambientais do MoNaCagarras.

A programação contou ainda com duas palestras. A primeira, “O seu, o meu, o nosso lixo”, será apresentada por Érica Sepúlveda (EcoMarapendi) e trata sobre a reciclagem. A segunda, ministrada por Fernando Moraes, tem como tema “Porque conservar o Monumento Natural das Ilhas Cagarras”. O projeto Ilhas do Rio é realizado pela ONG Instituto Mar Adentro.

Mutirão retira muita sujeira deixada nas Ilhas Cagarras (Foto: Divulgação/ONG Instituto Mar Adentro)

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Lançada no Rio a primeira Bolsa Verde do país

Estado, Prefeitura e BVRio assinaram, no dia 20 de dezembro do ano passado, em cerimônia no Palácio Guanabara, um acordo de cooperação para desenvolver um mercado de ativos ambientais, com o objetivo de promover a economia verde no estado. O convênio sela a criação da primeira Bolsa Verde do país, com sede no município do Rio de Janeiro e início de operação previsto para abril de 2012. À frente da empreitada estão a Secretaria de Estado do Ambiente, a Secretaria de Fazenda do Município do Rio e a BVRio (associação civil sem fins lucrativos).

No evento, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Minc, revelou que a Bolsa Verde também será incluída no projeto do governo do Estado chamado Distrito Verde, que reunirá algumas empresas de tecnologia e infraestrutura verde em terrenos na Ilha de Bom Jesus, Ilha do Fundão. “A bolsa de ativos verdes comercializará créditos de carbono, de reposição florestal. E, com isso, empresas serão obrigadas a refazer a floresta e outras que têm áreas reflorestadas poderão vender seus créditos. Na verdade, você introduzirá um elemento de mercado que valoriza as empresas que conseguem cumprir além das metas de redução ou de reflorestamento”, explicou Minc.

Será implantada uma plataforma de negociação destinada a se tornar referência no país para a comercialização de ativos ambientais. Esses ativos vão abranger os bens existentes, como energia renovável ou biomassa, mas também os direitos de natureza regulatória relacionados ao cumprimento de obrigações ambientais, como recuperação de áreas florestais, tratamento de resíduos, entre outras ações.

Segundo a secretária Municipal de Fazenda, Eduarda La Rocque, a ação trará benefícios para o meio ambiente e para a economia em geral. De acordo com ela, a secretaria entrará no processo para agregar valores. “O Rio tem tudo para ser a capital verde do mundo. Essa parceria será de muito sucesso, pois seremos referência internacional econômica e ambiental”, afirmou.

Eduarda La Rocque lembrou ainda que a Bolsa Verde é fruto do trabalho de revitalização do mercado financeiro do Rio, que a Secretaria Municipal de Fazenda vem implementando há três anos. Esse trabalho, segundo ela, ganhou fôlego no ano passado, com a criação do Grupo Financeiro Carioca. A secretária de Fazenda do Rio elenca ainda como conquistas desse trabalho a vinda da Direct Edge, terceira bolsa de valores dos EUA, e a realização do Rio Investors Day (RID), conferência que reuniu na cidade presidentes de empresas, autoridades públicas e grandes investidores do país e do mundo, em maio passado. O RID, que voltará a ocupar o Copacabana Palace nos próximos dias 21 e 22 de maio de 2012, incluiu definitivamente o Rio no calendário de eventos econômicos internacionais.

A subsecretária de Economia Verde da Secretaria de Estado do Ambiente, Suzana Kahn, também comemorou a criação da Bolsa Verde no município carioca. “Essa iniciativa coloca o Rio de Janeiro na vanguarda da economia ambiental. Temos como um dos objetivos da Subsecretaria de Economia Verde a criação de novos mecanismos de mercado que deem celeridade ao alcance de políticas ambientais e aproximem o mercado financeiro dessa nova economia”, explicou Kahn.

Criada sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, a BVRio tem como missão desenvolver esse novo mercado de ativos ambientais, para promover a economia verde no Estado do Rio. Primeiro, será implantada uma plataforma de negociação destinada a se tornar referência no país para a comercialização de ativos ambientais. Esses ativos vão abranger não só os bens já existentes, como energia renovável ou biomassa, mas também os direitos de natureza regulatória relacionados ao cumprimento de obrigações ambientais, como recuperação de áreas florestais, tratamento de resíduos, emissão de gases ou de efluentes.

“Essa cooperação será fundamental para a realização deste projeto inovador. Estamos animados com o envolvimento do Estado e Prefeitura, por meio destes convênios de cooperação e pela participação efetiva de seus representantes no Conselho Deliberativo da BVRio”, concluiu o presidente executivo da BVRio, Pedro Moura Costa.

Neste momento inicial, a BVRio concentrará suas atividades no desenvolvimento dos seguintes ativos:

•créditos de carbono – Inicialmente relativos ao mercado de carbono do Estado do Rio de Janeiro e, em momento posterior, dos outros estados brasileiros – Como meio de combater o aquecimento global, diversos estados brasileiros estão estabelecendo metas para a redução de emissões de gases de efeito estufa (CO2 e outros). Os créditos de carbono serão atribuídos às empresas que reduzirem suas emissões de carbono além da meta estabelecida e poderão ser vendidos para aquelas que não conseguiram atingir suas metas;

•créditos de efluentes industriais da Baía da Guanabara – Funcionará de modo similar aos créditos de carbono, mas com relação às emissões de poluentes líquidos na Baía da Guanabara;

créditos de reposição florestal relativos à Reserva Legal – A lei florestal brasileira determina que os proprietários rurais devem manter em suas propriedades uma área com cobertura florestal nativa (a chamada Reserva Legal). Por meio dos créditos de reposição florestal, os proprietários que têm em suas propriedades florestas em área superior à obrigatória (reserva legal) poderão vender certificados para aqueles que precisam recuperar suas áreas de reserva legal;

créditos de reposição de supressão de vegetação – De acordo com a lei, quem utiliza matéria-prima florestal oriunda de supressão de florestas nativas tem a obrigação de repor essas florestas. Os créditos de reposição permitirão que empresas que façam a reposição (plantio) de modo voluntário possam vender os créditos correspondentes àqueles que têm a obrigação de repor a floresta;

•créditos de logística reversa e reciclagem – A lei hoje determina que todas as empresas envolvidas na cadeia produtiva (fabricação, importação, distribuição e comercialização) de determinados produtos têm a obrigação de recolher os produtos usados e/ou suas embalagens para reciclagem ou para destino final adequado. Por meio dos créditos de logística reversa, organizações (empresas ou cooperativas) que realizarem tal atividade poderão vender esses créditos para as empresas que têm a obrigação da logística reversa.

Estrutura administrativa

A BVRio foi estruturada de modo a ter o envolvimento dos diversos setores da sociedade. Com três categorias de associados, terá representantes do setor empresarial, representantes de ONGs e do setor acadêmico e cidadãos que se destaquem pelo seu envolvimento na promoção do desenvolvimento econômico sustentável do Rio de Janeiro. Cada categoria de associados terá representação no Conselho Deliberativo, o qual contará, também, com representantes das três esferas do governo. Fazem parte do Conselho a Secretaria do Estado de Ambiente, a Secretaria Municipal de Fazenda, o Funbio, a FBDS, o CEBDS, a E2 Sócio Ambiental, o economista Sergio Besserman e o empresário Pedro Moura Costa, presidente da BVRio.

(Secretaria de Estado do Ambiente – SEA)

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Praia de Copacabana amanhece castigada pelo lixo após réveillon

A Praia de Copacabana amanheceu com muito lixo. Na foto, um registro na altura do Copacabana Palace Hudson Pontes / Agência O Globo

Após a festa de ano novo, a Praia de Copacabana amanheceu castigada, tanto pelo tempo chuvoso quanto pela quantidade assustadora de lixo que foi deixada para trás. O trabalho árduo dos garis começou às 5h da manhã, assim que o dia clareou. Foram recolhidas 370 toneladas de resíduos, um aumento de 25% em relação ao ano passado. O público, estimado pela Polícia Militar em pelo menos dois milhões de pessoas, não atendeu aos pedidos das autoridades para que levassem seus sacos plásticos e recolhessem seu próprio lixo. Lixeiras estavam espalhadas pela orla, porém, houve quem alegasse que eram poucas unidades e que, as que tinham, estavam todas cheias.

— A lixeira está muito longe. Os garis vão recolher daqui a pouco, então jogo aqui mesmo. Não tem problema — afirmou o operador de telemarketing Thiago Santos, de 22 anos.

O secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Osório, disse na manhã deste domingo que o trabalho de limpeza nas praias desde o Leme até o Recreio mobilizou cerca de 3.800 garis na orla. Osório estima que, pelo volume de lixo encontrado no chão, o público em Copacabana neste réveillon deve ter sido superior ao da virada de 2010/2011. Ainda de acordo com Osório, as lixeiras plásticas de 240 litros, colocadas em duplas e amarradas no calçadão e na areia, facilitaram o trabalho dos garis.

— Estamos fazendo a maior operação de limpeza urbana no mundo. Este ano, observamos muita quantidade de garrafas de vidro e de espumante no chão. Esta é uma questão para se discutir com a Ordem Pública e para alertar os cariocas para o próximo ano.

O secretário de Turismo e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello, pediu mais colaboração do público. Para ele, as pessoas devem pensar num planeta mais sustentável:

— É preciso que cada um faça a sua parte. A população tem que colaborar com o descarte de detritos de forma correta, para termos uma praia mais limpa no fim da festa.

Segundo a Secretaria municipal de Saúde, a maioria dos 1.645 atendimentos realizados entre as 17h do dia 31 dezembro e as 5h30m do dia 1º de janeiro nos sete postos médicos montados na orla de Copacabana foram por cortes nos pés e nas pernas ou intoxicação alcoólica.

De acordo com o gari Anilson José de Freitas, de 50 anos, que trabalha na limpeza no pós-réveillon há pelo menos 15 anos no trecho em frente ao Copacabana Palace, este é o ano mais sujo que ele observou após a virada.

Uma turista de São Paulo chegou a pedir que a reportagem do GLOBO não registrasse a imundice da praia para que a imagem da cidade não fosse prejudicada. Segundo ela, que se disse indignada com a sujeira, a cidade não merecia ser tratada de tal maneira.

Na areia, que mais parecia um camping devido a grande quantidade de barracas e tendas espalhadas, as pessoas pareciam não se importar em dividir o mesmo espaço com a sujeira. Com a chuva e a maré subindo, o lixo era levado para a água. Dentro do mar, garrafas, latas e plásticos se misturavam a flores oferecidas para Iemanjá.

Em toda a cidade, a Comlurb recolheu 645 toneladas de lixo em toda orla da cidade após a festa da virada, um aumento de 6% com relação a 2011, quando o volume de lixo retirado das praias foi de 610 toneladas. A Comlurb mobilizou 3.800 trabalhadores, 300 viaturas e 85 equipamentos para limpeza da orla.

Seop apreende 3.600 bebidas com ambulantes irregulares em Copacabana

A operação da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) de combate à desordem foi realizada desde a madrugada de sábado retirou, até o momento, 337 barracas de camping montadas nas areias de Copacabana e do Leme. Os agentes, em parceria com guardas municipais, também apreenderam com ambulantes não autorizados: 3.701 bebidas diversas, 129 botijões de gás, 50 quilos de camarão, 100 quilos de alimentos diversos como farofa, carnes e frutas; 50 quilos de milho, 127 chapéus e bonés, 192 camisetas, 136 taças de plástico, 97 capas de chuva, 62 copos luminosos, 35 copos de plástico, 10 carroças, três carrinhos de ferro, 19 óculos, 20 guarda-chuvas, 18 cangas, 22 cordões luminosos, oito adereços, sete cadeiras de praia, 12 caixas de isopor, 11 churrasqueiras, seis tendas, seis mesas, cinco bancos de plástico, um balde de alumínio, uma lona e quatro barras de ferro para sustentação de barracas.

Durante a ação, agentes da Seop multaram ainda 1.078 veículos e rebocaram 202 por estacionamento irregular em Copacabana e no Leme. A fiscalização também percorreu bairros vizinhos e impediu que 10 ônibus de turismo estacionassem irregularmente na Avenida Pasteur em Botafogo e no Jardim de Alah, em Ipanema.

Na virada do ano, de sábado para domingo, na praia da Barra da Tijuca, agentes da Seop retiraram quatro lonas que delimitavam o espaço na areia, impedindo a livre passagem. Durante a ação, foram apreendidos com ambulantes irregulares: 300 quilos de flores, três botijões de gás, uma churrasqueira, nove isopores, sete mesas e uma lona.

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Light Recicla dá desconto na conta de energia em troca de materiais recicláveis em bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro

Projeto piloto sustentável de geração de renda inicia ação na Comunidade Santa Marta e nos bairros de Botafogo e Humaitá

Existe um ditado que diz que “dinheiro não dá em árvore”. Mas ele pode estar na garrafa plástica, nos jornais já lidos, nos CDs inutilizados e muitos outros materiais que podem ser reciclados ou reutilizados. Porque no meio ambiente “lixo é o que se joga fora, não é mais útil”. Portanto, não se surpreenda se, de repente, moradores de Botafogo, do Humaitá e da Comunidade Santa Marta começarem a ver em objetos considerados lixo uma nova fonte de renda.

Um projeto piloto da Light promove o desenvolvimento sustentável, em parceria com a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, recebendo materiais recicláveis de moradores destas áreas e trocando-os por bônus na conta de energia.

O Light Recicla foi lançado esta manhã na Quadra da Escola de Samba da Comunidade Santa Marta e disponibilizará, a partir de hoje, dois Eco-Pontos fixos na região (ver endereços abaixo), que receberão vários tipos de lixo reciclável, tais como garrafas PET, sacolas e embalagens plásticas, CDs e DVDs, materiais PVC, papéis, metais, vidros, embalagens longa vida e óleo de cozinha. Cada item terá um preço por peso que vai gerar crédito na conta de energia escolhida pelo participante.

Os moradores de Botafogo, do Humaitá e do Santa Marta poderão optar também por realizar doações para instituições na comunidade. Neste último caso, o projeto se estende à população de outras localidades. O projeto piloto terá duração de um ano e a ideia é que, após ser implantado no Santa Marta, em Botafogo e no Humaitá, o projeto possa ser estendido para outras comunidades pacificadas e seus bairros adjacentes, no Rio de Janeiro.

A Light vem seguindo a esteira do Estado e desenvolvendo ações nas comunidades pacificadas. Trata-se de um pacto, no qual a companhia passa a prestar serviços com qualidade e o cliente passa a pagar sua conta de energia. Para o presidente da Light, Jerson Kelman, “o Light Recicla representa um novo compromisso dos moradores da comunidade, só que desta vez, não apenas com a empresa, mas com eles próprios. Reutilizar e reciclar materiais contribui com a limpeza das ruas, com a saúde da população e com o meio ambiente. Neste projeto, além destes benefícios, o cliente pode reduzir a conta de energia de forma a caber no seu bolso e usar o dinheiro economizado para gerar renda na própria comunidade.”

Para consolidar o Light Recicla, a empresa atua em conjunto com 3E Engenharia, BrasilPet Reciclagem e com a ONG Eccovida e tem o apoio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Assistência Social, Conservação e Serviços Públicos, Comlurb e UPP Social.

Segundo o Vice-prefeito e Secretário Municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, essa ação inovadora no Município do Rio demonstra a grande importância sócio-ambiental que tem essa iniciativa da Light. “Esse projeto permitirá maior conscientização por parte da população com relação às questões sobre os resíduos sólidos e como devemos reduzi-los na natureza. Assim, esperamos que haja uma mudança cultural, de comportamento mesmo, que traga para a cidade e seus moradores melhor e mais qualidade de vida.”

Parceiro no projeto, a secretário Municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osorio, fala do Light Recicla: “A Prefeitura do Rio apoia as iniciativas que incentivam todas as práticas que visam à sustentabilidade. Essa parceria com a Light trará bons resultados tanto para a comunidade com para o meio ambiente”.

A subsecretária de Proteção Social Básica, Fátima Nascimento, define a importância. “O projeto “Light Recicla” vem ao encontro da nova perspectiva da SMAS: a discussão de novos paradigmas de ações sociais, que permitirão o desenvolvimento de temas, de suma importância para a população, principalmente, as de baixa renda. 

Materiais recebidos pelo Light Recicla:

· PET – refrigerante e água

· Plástico duro – embalagens de xampu, detergente, margarina, baldes, bacias etc

· Plástico filme – sacolas plásticas, embalagens de arroz, feijão, açúcar etc

· CDs

· Embalagens plásticas metalizadas

· PVC – canos, forros etc

· Papel – branco, misto (revistas, encartes etc), papelão, jornal

· Metais – latas de cerveja e refrigerante, ferros em geral, arames, pregos, bateria de carro etc

· Vidro – embalagens, garrafas de cerveja e refrigerante, copos etc

· Embalagens longa vida (leites, sucos e achocolatados)

· Óleo de cozinha

Materiais que não serão aceitos:

· Lâmpadas em geral

· Pilhas

· Espelhos e vidros planos

· Papel carbono ou plastificado

· Isopores

· Esponjas de aço

· Cerâmicas e porcelanas

· Madeiras

· Fraldas descartáveis

· Espumas

· Óleo lubrificante

· Cabos e fios

· Tintas

· Tecidos

· Couros

· Pneus

Endereços dos Eco-Pontos:

1) Estação 1 do Plano Inclinado do Santa Marta – Av. Marechal Francisco Moura s/n (acesso pela praça Corumbá) – Segunda, Quarta e Sexta das 07h30 às 13hs.

2) CRAS Padre Velloso – Rua São Clemente, nº 312 – Botafogo – terça e quinta das 07h30 às 13hs.

No início, somente o Eco-Ponto do CRAS estará funcionando.

Documentos que o cliente deve levar para receber desconto em sua conta:

– Conta de luz

OBS: Durante o projeto piloto, somente moradores de Botafogo, do Humaitá e do Santa Marta podem se cadastrar para receber o desconto.

Quais documentos o cliente deve levar para doar bônus para instituições do Santa Marta?

– Não é necessário levar nenhum documento. Ao efetuar a troca de seus resíduos indique, entre as três opções abaixo, a instituição a ser beneficiada.

– Associação de Moradores do Santa Marta

– ONG Atitude Social

– Escola de Samba G.R.E.S Mocidade Unida do Santa Marta

OBS: Os moradores de outros bairros da Cidade do Rio de Janeiro também podem contribuir neste último caso, levando materiais recicláveis e “doando” a cota referente ao desconto.

Light S.A.

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Obras de despoluição da Baía de Guanabara serão concluídas antes das Olimpíadas

As obras que faltavam para a despoluição da Baía de Guanabara serão concluídas antes das Olimpíadas de 2016, quando já começarão a ser sentidos os seus efeitos. A previsão é do coordenador executivo do Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (Psam), da Secretaria Estadual do Ambiente, Gelson Serva.

O Psam substituiu o antigo Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), criado em 1992 e que se estendeu até 2006. Durante esse período, foram investidos no programa cerca de US$ 760,4 milhões, englobando US$ 349,3 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), US$ 162,8 milhões do Banco de Cooperação Internacional do Japão (Jbic) e US$ 248,3 milhões de contrapartida do governo fluminense. A partir de 2006, têm sido aplicados no Psam, com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam), R$ 100 milhões, em média, por ano, na despoluição da Baía de Guanabara, segundo Serva.

“Vamos fazer as obras de direcionamento do esgoto, que hoje vai in natura para a baía, para as estações de tratamento de esgotos que foram construídas pelo PDBG e algumas precisam ser ampliadas. Faltaram alguns troncos [coletores] para fazer as ligações também com as redes dos municípios. Isso nós vamos concluir antes das Olimpíadas. O efeito já vai começar, mas não é completo ainda”, disse em entrevista à Agência Brasil. Ele informou que o Psam visa a terminar o trabalho iniciado pelo com o PDBG.

Segundo Serva, o programa atual conta com US$ 640 milhões, sendo US$ 450 milhões do BID e US$ 190 milhões de contrapartida do governo do estado. Os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para os projetos na capital fluminense, avaliados em R$ 450 milhões, deverão ser obtidos por meio de financiamento da Caixa Econômica Federal.

De acordo com o coordenador executivo do Psam, o grande problema na Baía de Guanabara é o esgotamento, principalmente o domiciliar, uma vez que as indústrias apresentam hoje um bom nível de nível de controle em relação aos efluentes. “Tem é que investir para que a gente não esmoreça.” No caso do esgoto domiciliar, Serva salientou que três projetos estão no pacote de obras a serem realizadas pelo governo do estado com recursos do PAC: a ampliação da Estação de Tratamento Alegria (ETE Alegria) e a construção de dois troncos coletores (Manguinhos e Faria-Timbó).

Dentro do pacote de financiamento do BID está o projeto de construção do tronco de esgotamento Cidade Nova, que fará ligação também com a ETE Alegria, além da troca de boa parte da rede coletora de esgoto da zona norte carioca. Na Baixada Fluminense, serão feitas algumas ligações na Estação Sarapuí e complementadas as obras de implantação do Sistema Pavuna. “Na baixada, nós vamos investir o maior recurso do Psam”. Os dois projetos envolverão recursos no total de R$ 219 milhões.

Serva afirmou que em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, está sendo desenhado um projeto para obtenção de recursos do PAC 2, visando à ampliação da estação de tratamento local. A previsão é que os projetos do centro do Rio de Janeiro e de São Gonçalo sejam concluídos até o final de 2014 e os da Baixada Fluminense, até o início de 2016.

Para o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), Wagner Victer, os efeitos do programa de despoluição da Baía de Guanabara já estão sendo sentidos pela população e tendem a melhorar com a proximidade dos Jogos Olímpicos de 2016. “Eu não tenho a mínima dúvida em relação a isso”. Há quatro anos, quando começou a gestão do programa, 2 mil litros por segundo de esgoto passavam por tratamento secundário na Baía de Guanabara. “Hoje, já estamos próximos a 5 mil litros. Praticamente, mais do que duplicou em quatro anos”.

Isso fez com que algumas praias, como a da Bica, na Ilha do Governador, apresentassem melhorias significativas nas suas condições de balneabilidade, de acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). “Inclusive, as melhores condições dos últimos 20 a 30 anos”, destacou Victer. Ele aposta que com o conjunto de obras programadas, “bem antes dos Jogos de 2016 nós vamos ter uma posição excepcional na Baía de Guanabara para a realização das provas [náuticas]”.

A melhoria da poluição no local foi mostrada, segundo Victer, durante os Jogos Mundiais Militares, encerrados no último domingo (24). O presidente da Cedae observou, entretanto, que devido à topografia do Rio de Janeiro, a baía não recebe só esgoto. “Ela recebe a drenagem de chuvas. Então, muitas vezes, por mais que você tire o esgoto, a sujeira e a falta de educação ambiental, com as pessoas jogando lixo nas ruas, acabam indo para a Baía de Guanabara”, disse, acrescentando que a falta de descarte correto do lixo é o grande problema a ser vencido no país.

Alana Gandra, da Agência Brasil

 

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Um mar de lixo na areia

O verão ainda esta longe, mas em uma cidade como o Rio de Janeiro, por exemplo, ele sempre está presente. Basta só ter um domingo de sol que, independente da estação, as praias ficam lotadas. Mas, ao final de um belo dia de sol, o que resta na areia é um monte de lixo. De acordo com informações da Companhia Municipal de Lixo Urbano – Comlurb, a quantidade de lixo removidos diariamente na orla, incluindo os quiosques, em alta temporadas é estonteante. São 60 a 70 toneladas nos dias de semana, 100 a 120 toneladas aos sábados, e 150 a 180 toneladas aos domingos.

Na baixa temporada, nos dias de semana são recolhidas 40 toneladas, aos sábados, 70 toneladas, e domingos, 120 toneladas. Mas o que muita gente não se dá conta é que sujeira atrai sujeira. O lixo deixado pelos banhistas atrai ratos e pombos. Isso para não falar nos animais de estimação, que são visitas constantes que não deveriam vir à praia. A jogadora de vôlei Rosilene Miliotti diz que acha um absurdo o fato de algumas pessoas deixarem seu lixo, e afirma que todos poderiam ter o hábito de limpar o que sujam. Não apenas por educação, mas também pela higiene. “Se queremos frequentar locais limpos, temos que mantê-los limpos fazendo a nossa parte. Outro dia, um time que treinava na quadra ao lado da que eu treinava saiu e deixou muito lixo. Nós olhamos e chamamos atenção do grupo e eles voltaram e recolheram o material”, conta Rosilene. A estudante Rachel Magalhães é frequentadora assídua da praia do Leblon e sempre fez questão de levar um saquinho para recolher o seu lixo e, às vezes, até o das outras pessoas, mas fica indignada com o que vê nas areias. “É impressionante como algumas pessoas não se importam com o que deixam.

Eu já encontrei até uma fralda descartável, usada, na areia. É muito descaso da própria população, mas faço a minha parte.” Muitos frequentadores, usufruem da praia ao lado da sujeira, pisam e passam por cima de montinhos de lixo e dividem espaço com os muitos pombos que se aglomeram ao seu redor. Além disso, ainda estão sujeitos a ferimentos causados por palitos e matérias cortantes que ficam enterrados na areia.

O trabalho da Comlurb é eficaz. Mas não podemos esperar só por ele, é preciso mudar o processo, entender porque se gera tanto lixo na praia. Ao mesmo tempo, é inexplicável porque apenas uns poucos frequentadores se dão ao trabalho de dar o devido fim aos detritos. Não há dificuldade. Mas ainda existem aqueles momentos que nos fazem ter orgulho da consciência ambiental de algumas pessoas.

“Em um sábado chuvoso, estava treinando e uma multidão, com gente de todas as idades e com camisas brancas, andava olhando para o chão. Eu não entendi nada e me perguntei: ‘O que essas pessoas estão fazendo na praia às 8h da manhã em um dia chuvoso desses?’ Quando chegaram mais perto percebi que estavam catando o lixo da praia e o que mais me chamou atenção nisso foi o que uma menina que aparentava ter uns três anos comentou com a mãe: “Nossa mamãe! Quanto lixo as pessoas jogam aqui, mas vamos deixar tudo limpinho, né?”, conclui Rosilene Miliotti. Não são só os sugismundos que deixam a praia suja – aqueles que vêem o lixo e não recolhem também são responsáveis. Afinal, cidadania é para se praticar.

Aloha!

Por Roberto Vámos Surfrider Foundation Brasil

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