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Mapa de teleférico que ligaria Copacabana à Tijuca é descoberto na Alemanha

Faz cem anos que o bondinho do Pão de Açúcar alçou os ares pela primeira vez, em 27 de outubro de 1912. Feito de madeira e pintado de amarelo, o “camarote carril”, como era chamado, deslizou da Praia Vermelha até o Morro da Urca, levando 577 passageiros no dia da inauguração, depois de pouco mais de três anos de obras e planejamento. No meio da construção, entre a abertura do primeiro trecho, até o Morro da Urca, e a inauguração do segundo, até o Pão de Açúcar, o mapa de outro teleférico — ligando Copacabana à Tijuca — foi elaborado. A data colocada no mapa que passou cem anos guardado numa gaveta é 5 de novembro de 1912.

O teleférico que iria de Copacabana até a Tijuca foi planejado pela empresa alemã Julius Pohlig AG, a mesma chamada pelo engenheiro brasileiro Augusto Ferreira Ramos para construir o bondinho do Pão de Açúcar. O mapa foi encontrado no Arquivo Industrial Renano-Westfaliano (RWWA, na sigla em alemão), em Colônia, na Alemanha, justamente por conta do centenário do bondinho do Pão de Açúcar: funcionários fizeram uma busca para ver se achavam algo interessante para o prefeito de Colônia levar ao Rio na sua próxima visita.

— Dentro do material do bondinho do Pão de Açúcar, achamos um mapa com o título “Situação do projetado teleférico de pessoas”. Quando se diz que algo é “projetado”, significa que existia uma intenção concreta de realizar o projeto — conta Ulrich Soénius, diretor do RWWA. — Nós pensávamos que só podia ser o mapa da construção do bondinho até o Pão de Açúcar. Até que eu reparei que no mapa havia sete paradas e passagem pelo Corcovado.

A Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar havia solicitado a projeção de mais um teleférico espetacular conectando os mais altos morros cariocas. Desenhado à mão, o mapa mostra a linha detalhada de um teleférico. O caminho tem paradas no Morro da Saudade, no Corcovado e no Morro da Formiga.

— Julius Pohlig, fundador da empresa, era famoso pelo conhecimento na área de transporte teleférico. Ele queria construir bondinhos pela extração de carvão nas minas alemãs. Como ele conseguiu o convite de construir o bondinho do Pão de Açúcar, a gente não sabe, mas, sem dúvida, era uma sensação, o morro já era famoso mundialmente — diz o diretor do RWWA.

Engenheiro diz que projeto seria viável
Por causa de um incêndio no antigo prédio da Julius Pohlig AG, perderam-se documentos como correspondências entre a empresa alemã e a empresa de Augusto Ramos. Por isso faltam informações que expliquem por que o teleférico Copacabana-Tijuca não saiu do papel.

— Talvez o projeto não tenha sido realizado por motivos financeiros — acredita Soénius.

Diretor do Clube de Engenharia, Luiz Carneiro de Oliveira analisou o mapa alemão. Ele nunca tinha ouvido falar sobre o ambicioso projeto.

— O mapa mostra a ligação através de teleférico de Copacabana até a Fábrica das Chitas, perto da Praça Saens Peña. O desenho parece perfeitamente viável em termos de engenharia. Na época em que foi concebido, seria um projeto espetacular, caro e turístico, já que não tem capacidade de transporte de massa. Era para quem quisesse passear vendo a paisagem — afirma Oliveira, que acredita que o projeto teria sido idealizado por Augusto Ramos.

— O trigrama CHR no mapa antigo poderia ser do engenheiro alemão — estima Soénius.

Julius Pohlig fundou sua primeira empresa em 1874. Através de fusões, a empresa de Julius tornou-se mais tarde a companhia Pohlig-Heckel, presente no Brasil desde 1955.

— Em 1903, dez anos antes de terminar as construções do bondinho do Pão de Açúcar, Pohlig já tinha se retirado da empresa, mas com certeza ainda agiu como consultor nas obras do Rio — diz Ulrich Soénius.

Fonte: Blog Pedra do Leme

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A paisagem do Rio vai mudar

A retirada dos painéis publicitários e o fechamento dos postos de combustível da Avenida Atlântica podem embelezar (ainda mais) o panorama da cidade

 

Vista do Centro, na versão sem os letreiros, e hoje (abaixo), com os anúncios: visual mais limpo

 O visual do Rio, que já impressiona pelos seus encantos naturais, deve ficar ainda mais aprazível nos próximos meses. Providencial, o retoque virá de duas iniciativas que prometem eliminar da paisagem alguns excessos visuais e construções horrendas da cidade. No dia 02 de maio, o prefeito Eduardo Paes decretou o fim dos painéis, letreiros e anúncios publicitários em prédios do Centro e da Zona Sul. Com a criação da Zona de Preservação Paisagística e Ambiental (ZPPA), abrangendo 22 bairros, foram banidas propagandas em outdoors, marquises e no alto de edifícios. Os estabelecimentos comerciais também terão de trocar os luminosos e placas por outros de menor tamanho, proporcionais à extensão da fachada. Em paralelo, o governador Sérgio Cabral decidiu finalmente cancelar a licença dos cinco postos de combustível que poluem a vista da orla de Copacabana. Eles agora têm prazo até 6 de junho para deixar os espaços localizados nos canteiros centrais da Avenida Atlântica. “A cidade merece essa limpeza arquitetônica e paisagística há tempos”, afirma Alex Costa, secretário especial de Ordem Pública, que coordenará a remoção das peças publicitárias.

Abastecimento em Copacabana: com os dias contados

Ao atacar os letreiros e luminosos, a prefeitura segue exemplos bem-sucedidos mundo afora. Cidades como Paris, Madri, Londres e Barcelona adotam regras rígidas para esse tipo de exploração comercial do espaço urbano. No Brasil, São Paulo acabou com tal modalidade de propaganda há cinco anos. Batizado como Rio Limpo, o programa carioca terá como alvo cerca de 300 imóveis, que devem retirar imediatamente seus anúncios. Quem tinha autorização anterior também fica com a licença automaticamente revogada. As regras se estendem a lojas, bares, restaurantes, bancos e shopping centers. Seus letreiros deverão ocupar entre 1,5 e 10 metros quadrados, de acordo com a largura da fachada. A canetada do prefeito, no entanto, mantém uma série de outros exemplos de publicidade, como as placas em ônibus, táxis e bancas de jornal. Mas a iniciativa tem uma falha: o decreto municipal não contempla a propaganda do poder público, o que vem gerando críticas sobre a falta de critério. Dizendo-se imbuído da missão de limpar o Rio, Paes pretende analisar pessoalmente caso a caso e garante que a lista de concessões estará concentrada apenas em grandes eventos, como o réveillon e o Rock in Rio. “A legislação anterior era muito ruim e confusa”, considera o prefeito. “Agora temos uma lei um pouco mais radical, que organizará todo o setor e terá efeitos estéticos imediatos.”

A remoção dos postos de gasolina da orla de Copacabana segue raciocínio semelhante, uma vez que eles estão em uma área que, além de importantíssima do ponto de vista turístico, é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). No entender do governo estadual, as construções quebram a harmonia paisagística da Avenida Atlântica.

A reação não chega a ser uma surpresa. Historicamente, qualquer iniciativa que se proponha a interferir em velhos hábitos, ou em estilos de vida, enfrenta mesmo resistência. No início do século, o processo de reurbanização do Centro, conduzido por Pereira Passos e apelidado de Bota Abaixo, foi duramente criticado. O mesmo aconteceu durante a remoção da favela da Catacumba na década de 60, com as obras do Rio Orla, trinta anos depois, e já começou novamente em razão das intervenções na região do Porto. A questão é que, ao serem postos em prática, tais projetos trazem tantos benefícios que todo mundo esquece a chiadeira anterior. Dentro dessa lógica, o Rio Limpo e a remoção dos postos da orla logo serão adotados pela maioria dos cariocas.

Fonte: Veja Rio

por Carla Knoplech | 09 de Maio de 2012

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Prefeitura do Rio divulga texto do decreto sobre bicicletas elétricas

A prefeitura do Rio de Janeiro divulgou, nesta sexta-feira, o texto do decreto sobre a circulação das bicicletas elétricas pela cidade. A publicação do ato deve ser na próxima-segunda-feira.

A providência ocorre após a apreensão de uma unidade do meio de transporte em uma blitz da Lei Seca, em Copacabana, na Zona Sul, no último dia 28.

Por conta de este tipo de bicicleta não constar no Código Brasileiro de Trânsito, o Denatran se pronunciou dizendo que o veículo não pode circular. Até a publicação, as multas para quem for pego nas blitzes da Lei Seca ainda estão válidas.

Na manhã desta sexta-feira, o prefeito Eduardo Paes já havia divulgado a elaboração do decreto normatizando o uso das bicicletas motorizadas. Ele se manifestou no sentido de tratar os modelos como bicicletas tradicionais.

A bicicleta apreendida ainda não foi devolvida ao dono. Ela está em um depósito em Niterói, na Região Metropolitana do estado.

Portal R7

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Sepex RJ na Justiça contra Rio Limpo

Surpresa. Esta é a palavra que o presidente do Sepex RJ (Sindicato de Empresas de Mídia Exterior) Waldir Pereira de Souza usou para classificar o decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro que criou o “Rio Limpo”, determinando novas regras para a publicidade de mídia exterior, incluindo ai a proibição da mesma em imóveis do Centro e Zona Sul da cidade. Para ele, a medida é arbitrária e inconstitucional, o que levará a entidade a entrar na justiça contra a Prefeitura.

“É ilegal, vamos entrar na Justiça para preservar nossos direitos. Já estamos conversando com advogados e devemos fazer isto até amanhã”, informou. O presidente do Sepex RJ contou que foi informado sobre o decreto através de um fax enviado à entidade na última quarta-feira, 2, às 17h30. “Pedia a retirada imediata, mas antes das 10 da manhã, caminhões não são sequer autorizados a entrar no centro da cidade. Não nos deram sequer a chance de fazermos nós mesmos a retirada, foram quebrando tudo. É um processo arbitrário, tudo estava pago, temos todas as autorizações”, fala.

Souza lembra que, assim que assumiu o cargo, o prefeito Eduardo Paes já tinha feito alterações para regular a mídia exterior. “Ele entrou e fez uma limpeza enorme. Logo depois sentamos, legalizamos tudo, colocamos as placas nos locais corretos. Estávamos com dificuldade para conseguir anunciantes e quando conseguimos firmar tudo certinho, com todas as guias pagas, autorizações, vem esta loucura e ninguém sabe o por que”, diz.

O presidente do Sepex RJ finaliza informando que a expectativa da entidade é suspender o decreto na justiça. “Para depois conversarmos e chegarmos a um meio termo. Não pode ser arbitrário assim, faz o decreto hoje e amanhã sai quebrando tudo. No mínimo tinham que ter nos dado um prazo de 72 horas para a retirada”, conclui.

Fonte: Meio & Mensagem

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Rio 2016: Surf nas Olimpíadas

A edição da revista Alma Surf que chega às bancas no mês de abril traz uma proposta diferente de apenas relatar o que acontece mar adentro. O principal objetivo desta edição é promover um movimento mundial para incluir o surf na grade de dos Jogos Olímpicos de 2016, que acontece no Rio de Janeiro.

O documento “Rio 2016: Surf nas Olimpíadas” é um dossiê sobre o esporte que mostra porque esse é o momento ideal para mostrar que o surf deve ser reconhecido e estar presente no evento. “O Brasil tem sido palco das grandes mudanças do segmento e também fora dele, seja no mercado, em estereótipos, modelos de negócios, varejo ou tendências”, conta Romeu Andreatta, publisher da revista. Segundo ele o esporte possui mais de 20 milhões de praticantes no mundo e movimenta R$ 8 bilhões de consumo no Brasil e US$ 20 bilhões no mundo.

O movimento começa com o lançamento desta edição da Alma Surf e continua nas redes sociais. A página no Facebook foi criada para informar a respeito do movimento, assim como o Twitter. Entrará no ar também um abaixo-assinado para que as pessoas possam se manifestar sobre o caso.

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Bailes funk perdem espaço em favelas do Rio após ocupação policial

RIO DE JANEIRO, 29 Mar 2012 (AFP) -É quase meia-noite de domingo na Rocinha, a maior favela do Rio, onde os bailes funk com sua apologia ao narcotráfico causavam furor até a ocupação policial em novembro passado. Mas agora só resta um baile, sem armas nem louvor ao crime, e alguns jovens se queixam.

Um adolescente de olhos inchados pelo álcool que só quer se identificar como Igor lembra com nostalgia dos bailes de antes, que tocavam os polêmicos “proibidões”: canções com referência a armas, drogas e brigas entre facções rivais do tráfico.

“O melhor era o da rua 1” da Rocinha, fechado depois que a polícia retomou a favela em novembro, após 30 anos de controle dos narcotraficantes.

Dos cerca de cinco bailes funk na Rocinha, ficou apenas um, o Emoções, existente há mais de 20 anos e que não toca ”proibidões”, apesar do grande número de funks com temática sexual.

De salto alto e microvestido, Joseane Vieira, 18 anos, aguarda a principal atração da noite: MC Carol, conhecida por canções como “Minha Vó Tá Maluca”, que fala da indignação de uma neta com sua avó, que subitamente começou a andar de moto e fumar maconha.

Joseane, que preferia os bailes “proibidos”, declara que a violência não acabou na favela após a ocupação policial. “As brigas e os assaltos aumentaram muito”, afirma.

Nos últimos dias, quatro pessoas supostamente ligadas ao tráfico de drogas foram assassinadas na Rocinha, entre elas um líder comunitário, e a polícia afirma que os traficantes tentam retomar o território perdido.

“O funk não tem que educar ninguém” Desde que as autoridades começaram em 2008 a retomar o controle das favelas da zona sul, a mais rica e turística do Rio, tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, foram instaladas cerca de 20 Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas comunidades “pacificadas”.

O comandante de cada UPP tem o poder de autorizar ou não os bailes funk, algo criticado pelos defensores do movimento.

“Há um estado de exceção nas favelas cariocas”, onde muitos bailes foram proibidos, se queixa o MC Leonardo, autor do famoso “Rap das Armas” que faz parte da trilha sonora do filme “Tropa de Elite” e presidente da Associação de Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk).

“Não interessa se (o funk) é bonito ou feio, as pessoas têm o direito de cantar. O funk não tem que educar ninguém”, afirma.

“O funk, uma expressão musical legítima da cultura local, terá mais espaço” nas favelas quando houver mais políticas sociais em andamento, e não só policiais, afirma José Augusto Rodrigues, um dos diretores do Laboratório da Violência da Universidade Estadual de Rio de Janeiro (Uerj).

O “pancadão” carioca não tem nada a ver com o ritmo criado nos anos 1960, que tem James Brown como um de seus principais ícones. É inspirado no Miami Bass, surgido nos Estados Unidos nos anos 1980, que mistura hip hop com batidas eletrônicas rápidas e repetitivas.

A partir dos anos 1990, os bailes funk começaram a ganhar popularidade, inclusive entre as classes média e alta, com suas canções polêmicas que retratavam a realidade das cerca de mil favelas do Rio.

A violência entre grupos rivais de traficantes era frequente, e as canções refletiam essa realidade.

O assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2002, por traficantes da favela Vila Cruzeiro quando fazia uma reportagem sobre drogas e sexo explícito nos bailes com uma câmera oculta, aumentou a rejeição da opinião pública a esse tipo de música.

E a violência continua. Um tiroteio em um baile funk deixou dois feridos na semana passada na favela do Salgueiro, comunidade da zona norte da cidade ocupada pela polícia.

“Clamor” da favela para autorizar o baile A favela dos Tabajaras, em Copacabana, “pacificada” pela polícia em janeiro de 2010 e com cerca de 5.000 habitantes, é a única do Rio a ter um baile funk autorizado pela UPP local.

“Houve um clamor da comunidade para que autorizássemos o baile. Autorizamos, mas não podem tocar ”proibidões””, explica à AFP seu comandante, Joacir Virgilio.

“Teoricamente eles teriam que ter monitoramento por câmeras, detectores de metais, mas a gente não cobrou porque seria economicamente inviável para os organizadores”, diz.

Pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o funk movimentava 10 milhões de reais por mês no Rio de Janeiro em 2009, empregando mais de 10 mil pessoas.

A “pacificação” das favelas “possivelmente não teve um efeito importante no faturamento do mercado funk” porque “a maior parte dos ganhos financeiros vêm de boates e clubes do restante da cidade” e não dessas comunidades, explica à AFP Jimmy Medeiros, um dos autores do relatório.

Fonte: Portal Terra

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Farmácia popular em Copacabana forma fila de meio quarteirão

Farmácia popular em Copacabana forma fila de meio quarteirão
Foto: José Carlos Pereira de Carvalho/vc repórter

Uma farmácia popular localizada na avenida Nossa Senhora de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, recebeu algumas críticas por parte dos usuários. As grandes filas, o mau atendimento e a instalação de um único banheiro para atender homens e mulheres são as principais reclamações dos moradores do bairro.

Segundo o internauta José Carlos Pereira de Carvalho, na sexta-feira (30), cerca de dez minutos antes da abertura da farmácia, uma fila de meio quarteirão já se instalava na porta do local. Depois disso, ao abrirem as portas do comércio, apenas quatro atendentes recebiam os clientes, deixando dezenas de pessoas esperando.

Outro problema registrado é a instalação de apenas um banheiro no local, utilizado por homens e mulheres, o que causa constrangimento em alguns usuários.

Em contato com o Terra, a assessoria de imprensa do Instituto Vital Brazil, que faz parte da Secretaria de Estado de Saúde, confirmou o problema com o banheiro e disse que por falta de espaço outro sanitário não é instalado.

“O Instituto Vital Brazil informa que verificará o acontecimento de filas e o atendimento prestado pelos colaboradores da Farmácia Popular de Copacabana, e tomará as medidas cabíveis caso seja necessário. O instituto esclarece ainda que a Farmácia Popular funciona de 8h às 17h e que há registros de filas fora do estabelecimento antes do horário de abertura”, afirmou a assessoria, em nota.

A Farmácia Popular é um programa do Governo brasileiro, desenvolvido em parceria com prefeituras municipais do País. O objetivo do programa ampliar o acesso da população a medicamentos com preços reduzidos.

Fonte:  vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. 

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Glauco Rodrigues homenagem em prédio onde morava, em Copacabana

O artista plástico Glauco Rodrigues homenageado em prédio onde morou

Glauco Rodrigues era de Porto Alegre, porém de espírito mais carioca do que muitos nascidos no Rio. O talentoso artista plástico, morto em 2004, foi homenageado pelos moradores do prédio onde residia, na Rua Xavier da Silveira, em Copacabana. Em reunião da Assembleia Geral do Condomínio, em 12/03, decidiu-se, por aclamação, que o prédio passará a ter seu nome. A viúva, Norma Rodrigues, ficou muito feliz.

Na entrada, constará o nome dele no formato de sua assinatura e, numa placa, de frente para a rua, os seguintes dizeres:

Glauco Rodrigues
Pintor
Gaúcho de Bagé, elegeu a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro para viver.
Aqui morou e teve seu atelier.
1929 – 2004

Tirado do Blog da Lu Lacerda do Portal IG

Bela iniciativa!

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Despoluição – Metrópoles de água cristalina

Grandes cidades mostram como é possível crescer e manter as praias limpas

Por: Alice Lobo e Alessandro Greco

Em sujeira, as metrópoles brasileiras só perdem para as da Índia, país “campeão do lixo, imperador da sujeira”, como o descreveu o grande escritor Vidiadhar Naipaul. Por que a rica São Paulo é atravessada há décadas por um rio, o Tietê, que é um esgoto a céu aberto? Por que o Rio de Janeiro nunca se preocupou seriamente em coibir a poluição de suas belas praias, destino final de boa parte do esgoto produzido na cidade, que chega ao mar sem nenhum tipo de tratamento? Por muitos anos os brasileiros se iludiram com a resposta mais simples: faltam dinheiro, tempo e tecnologia para limpar as cidades. A presente reportagem mostra que essa desculpa é esfarrapada. Diversas metrópoles no mundo conseguiram limpar seus rios e praias com relativamente pouco dinheiro, usando tecnologias simples.

O caso do Rio de Janeiro é a mais impressionante demonstração de descaso pela limpeza no hemisfério ocidental. Cartão-postal do Brasil, é capaz de atrair cerca de 1,5 milhão de visitantes estrangeiros por ano. Seu maior apelo é a orla marítima emoldurada por uma paisagem deslumbrante. O problema é que as praias cariocas não oferecem apenas sol forte, areia branca e mar azul. Elas abrigam alta concentração de coliformes fecais, vazamentos esporádicos de óleo e de esgoto e lixo que desce dos barracos nos morros depois das chuvas fortes. A Baía de Guanabara recebe a cada segundo 20 toneladas de esgoto, ou cerca de 1,7 milhão de toneladas por dia. Apenas 54% do total de esgoto produzido na cidade é coletado pela rede pública, o que significa que o resto acaba em fossas sépticas ou é lançado na rede pluvial, cujo destino é o mar. Em alguns casos, a configuração geográfica das praias e o regime das correntes ajudam a prejudicar a qualidade da água, mas o fato é que a cidade joga muito mais sujeira na água do que deveria. As alternativas para resolver esse tipo de problema também são conhecidas em diversos pontos do planeta.

Projetos de despoluição bem-sucedidos existem aos punhados pelo mundo. Nas Olimpíadas de 2000, os australianos exibiram ao mundo como é possível recuperar uma orla marítima degradada num espaço de tempo relativamente curto. Eles levaram uma década para transformar as praias da maior cidade de seu país, Sydney, numa zona livre de esgoto e poluição, bem a tempo para exibi-las como cartões-postais olímpicos. O projeto começou em 1989, quando lançaram um ambicioso programa chamado Beachwatch, que tinha como objetivo monitorar a qualidade da água das praias. A partir dele foram detectadas as principais causas de poluição, o que possibilitou seu combate com o desenvolvimento de vários projetos independentes. Entre eles estão o Government’s Waterways Package, iniciado em 1997 e com custo de 1,6 bilhão de dólares, para reduzir a poluição proveniente de águas pluviais. A principal obra do programa é um piscinão, o Northside Storage Tunnel. É um megarreservatório que armazena 90% das águas de chuva escoadas e poluídas antes de elas chegarem aos rios e ao mar.

Os resultados são visíveis. Na Praia de North Steyne, por exemplo, a concentração de 1 887 unidades de coliformes fecais por 100 mililitros detectada no verão de 1989 – mais de dez vezes o limite máximo aceitável – caiu para quatro unidades de coliformes fecais por 100 mililitros em 1999. Um programa desenvolvido pela Sydney Water Corporation, a companhia que cuida do fornecimento de água na cidade, avança em outra frente. É o Water21, um plano de vinte anos lançado em 1997 para assegurar o futuro da água em Sydney. O principal objetivo do programa é prevenir a contaminação das águas, a um custo de 2,2 bilhões de dólares.

Pode-se argumentar que o tamanho relativamente pequeno de Sydney, com seus 4 milhões de habitantes, facilita os trabalhos de despoluição. Em parte é verdade, mas megalópoles do porte de Nova York também já conseguiram controlar a sujeira que jogam nas águas. Oito anos atrás, a maior cidade americana, com 17 milhões de habitantes, comemorou um feito histórico. Conseguiu reduzir a zero a quantidade de esgoto não tratado que despeja em torno da ilha de Manhattan, o coração da cidade. A poluição da água era um problema antigo. Em 1910, tomar banho no Porto de Nova York e consumir ostras nele pescadas já era considerado uma atividade perigosa para a saúde pelas autoridades sanitárias da cidade. Há vinte anos, pescar nos píeres da ilha ou no Rio Hudson, que desemboca na baía, era proibido por lei. Desde 1986, é possível praticar a pesca recreativa, mas os peixes devem ser devolvidos à água. As autoridades sanitárias ainda não os consideram próprios para o consumo devido à grande quantidade de poluentes industriais lançada no rio entre 1947 e 1977. No fim da década de 70, era despejado 1,7 bilhão de litros de esgoto por dia no Porto de Nova York, o ponto de maior concentração dos poluentes nos arredores de Manhattan, cifra que foi zerada em 1994. Iniciativas semelhantes aconteceram em cidades como São Francisco e San Diego, na Califórnia. Nesta última cidade, as praias urbanas viraram refúgio de animais como lobos-marinhos.

No Rio, tanto o governo do Estado quanto a prefeitura têm programas para a despoluição das praias e das águas da Baía de Guanabara. Do total de esgoto coletado na cidade, só 40% são tratados antes de ser jogados no mar. No que diz respeito aos municípios vizinhos, a coisa é ainda pior: apenas 15% do esgoto coletado recebe algum tipo de tratamento. O resto é lançado in natura na baía. A expectativa do governo é que com os programas a quantidade de esgoto tratado chegue a 34%, o que ainda é pouquíssimo para qualquer padrão civilizado. A meta é parte do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), uma iniciativa financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, pelo governo japonês e com uma contrapartida financeira do governo estadual. Iniciado em 1994, o programa quase parou em 1998, quando o governo fluminense deixou de cumprir sua parte no financiamento, que corresponde a 200 milhões de dólares de um total de 793 milhões. Depois de meses de impasse, os investimentos foram retomados, e a promessa é que até 2003 a primeira fase do projeto esteja concluída – um atraso de quatro anos em relação ao cronograma original. Se tudo der certo, a taxa de tratamento de esgoto lançado na baía subirá para 55%.

O déficit de rede de esgotos no Rio de Janeiro ocorre tanto nas favelas quanto em áreas nobres e de ocupação recente, como a Barra da Tijuca. Nesse bairro, o destino dos resíduos residenciais são basicamente as lagoas da região, que hoje estão comprometidas. Para resolver o caso da Barra, foram destinados 118,3 milhões de reais do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) em um projeto que inclui a construção de 286 quilômetros de rede coletora de esgoto, uma estação de tratamento e um emissário submarino com 5 quilômetros de extensão. As obras foram iniciadas em maio de 2001, mas ficaram parcialmente paralisadas entre dezembro de 2001 e julho de 2002 por falta de pagamento por parte da Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos. Mesmo em regiões onde existe uma rede de coleta e de despejo relativamente bem estruturada, como Ipanema, costumam acontecer trapalhadas ambientais. A falta de manutenção do emissário submarino que fica no bairro e lança os esgotos em alto-mar provocou um despejo de toneladas de dejetos nas praias da Zona Sul da cidade em pleno verão de 1999. O acidente aconteceu porque os responsáveis pela estrutura não consertaram fissuras em um pilar submerso, que cedeu e rompeu o duto.

A lei brasileira só recentemente começou a prever multas rigorosas para empresas que lançam poluentes nas águas, voluntária ou involuntariamente. Até dois anos atrás, o valor máximo de multa que a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) podia aplicar era de 5 000 reais, importância inexpressiva para uma indústria. A situação mudou, e muito, depois do acidente da Petrobras, em janeiro do mesmo ano, que derramou 1,3 milhão de litros de petróleo na Baía de Guanabara, em um vazamento que durou quatro horas seguidas. As imagens de aves cobertas de óleo e manguezais afetados ajudaram a aumentar o valor da multa para 50 milhões de reais. A multa salgada não é suficiente para cobrir as necessidades futuras de investimentos na área. A solução começa pela decisão da população de não mais se banhar em coliformes fecais, enganando-se com a idéia de que se está num paraíso tropical. Os países desenvolvidos ainda têm praias poluídas. A diferença em relação ao Brasil é que já aprenderam que, quanto antes começarem a trabalhar e quanto menos o trabalho for interrompido ao longo dos anos, menor será o prejuízo social e financeiro para o país.

Limpeza por força de lei 

As grandes cidades americanas, como Nova York e San Diego, não se teriam tornado exemplo de limpeza se o governo americano não estabelecesse uma duríssima lei contra a poluição da água. Trata-se do Clean Water Act, sancionado em 1972, que permitiu à Agência de Proteção Ambiental americana impor padrões para a descarga de poluentes e exigir dos governos estaduais rígido controle do tratamento do que se jogava nos rios e mares.

Tirado do Blog Jorge Rios

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Erosão em praias do Rio de Janeiro

O aumento do nível do mar representa um grande risco para as praias. No Rio de Janeiro, a água avançou em média três centímetros por ano sobre a faixa litorânea na última década. Uma equipe do Laboratório de Oceanografia Geológica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) monitora a dinâmica dos sedimentos das praias cariocas na tentativa de identificar pontos de invasão pelo mar e propor soluções para minimizar a erosão costeira.

Monitoramento feito na praia do Leblon prevê avanço do mar em direção às pistas da orla (pontos vermelhos) durante as ressacas daqui a 100 anos. (Imagens cedidas por Marcelo Sperle).

O projeto Erocosta pretende explicar por que alguns trechos das praias do Rio de Janeiro recuam devido à erosão e outros se projetam sobre o mar por causa da deposição de sedimentos. A equipe desenvolve, desde 1997, técnicas para analisar as modificações na costa. O método mais simples e eficaz – e também mais rápido – usa tubos de PVC fincados na faixa de areia banhada pela água e acoplados a módulos que medem a variação dos sedimentos e o nível de água que avançou pela praia. “Medimos as variações de hora em hora e os dados coletados permitem identificar as situações possíveis para determinado ponto, dependendo da topografia da praia”, explica o oceanógrafo Marcelo Sperle, coordenador do projeto. “Os resultados dos estudos feitos anteriormente, que apresentavam um padrão de variações com intervalos de meses e até anos, não diferem dessa análise imediata”, diz.

Em Copacabana, a previsão é de que a faixa litorânea das áreas próximas aos postos 4 e 6 diminua cada vez mais

Segundo o pesquisador, os dados obtidos devem ser entendidos relativamente, uma vez que dependem da direção de chegada das ondas – no Brasil, elas vêm do nordeste, leste ou sul –, de frentes frias, tempestades e ressacas, ou ainda das fases da lua, que influenciam as marés. Um programa de computador, desenvolvido pela equipe, separa as medições em séries temporais, para que se possa identificar alguma variação pela influência desses fatores naturais.

O oceanógrafo acrescenta que outros métodos podem diagnosticar a condição da região. Praias que sejam o habitat de poliquetas (espécie aquática de anelídeo) podem ser avaliadas por meio desses animais. Conforme o tamanho e a quantidade dos espécimes encontrados por amostra coletada, é possível indicar o grau de erosão: quanto maiores as poliquetas e em menor quantidade, maior a erosão. “Poucas resistem à intensa erosão e só as maiores sobrevivem, porque conseguem se fixar. Ao contrário, quando há assoreamento, elas se reproduzem em grande número, por causa da matéria orgânica disponível.”

Áreas de perigo

A pesquisa começou em Ilha Grande, onde há diferentes tipos de praia na mesma região, o que facilitava a análise. Em seguida, o grupo monitorou a orla do Rio de Janeiro. ”No arco Ipanema-Leblon, notamos um déficit de um milhão e meio de metros cúbicos de areia”, declara Sperle. “Isso representa aproximadamente dois milhões de toneladas de sedimentos que devem ser repostos na praia.”

Fabíola Bezerra 
Ciência Hoje On-line
17/09/2007

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